Desde o último dia 7 de abril, a rotina do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou drasticamente. O petista cumpre pena pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR). A revista Veja visitou o local e trouxe detalhes do dia a dia de um dos mais populares líderes políticos do Brasil.

De acordo com a reportagem, Lula costuma fazer comentários sobre a política nacional e já chegou a criticar as próprias colegas de partido. “A culpa de o Brasil estar assim hoje é da Dilma, que não soube governar direito”. A observação nunca foi feita em público. Sobre a presidente do partido, senadora Gleise Hoffman, o petista é categórico ao dizer que ela foi “incompetente” por não “parar o Brasil” em razão de sua prisão.

Mais sobre o assunto Em voo para prisão, Lula é chamado de “lixo”. FAB confirma áudio. Ouça Há uma semana preso, Lula já sente isolamento político Nos bastidores, Lula traça cenários para quando sair do cárcere. “Você viu a pesquisa DataFolha, quando eu sair vou voltar com tudo?”, reagiu o presidente ao assistir a um telejornal, segundo a reportagem. Ele ocupa uma sala especial, na qual dispõe de televisão, cama e bola especial para prática de exercícios.

“Lula Escobar” Entre os agentes federais, Lula ficou conhecido como “cliente”, já que possui regalias diferentes dos outros presos: um agente de limpeza para varrer o chão e limpar o banheiro. Sua “cela” não é trancada, apenas uma porta fechada separa o ex-presidente dos servidores federais, que também o chamam de Lula Escobar — em referência ao narcotraficante internacional Pablo Escobar, morto pela polícia colombiana em 1994.

O senso de humor de Lula continua perspicaz, de acordo com a matéria da revista semanal. Teria, inclusive, pedido um frigobar para guardar água gelada. “Fala para a juíza liberar o frigobar com uma cervejinha”, brincou, recentemente.

A bola de pilates que ele recebeu também foi alvo do bom humor costumeiro: “Bem que dentro disso aqui deveria vir uma mulher de surpresa, né?”. E emendou, fazendo graça da sua condição: “Já que não posso transar, pratico exercícios”.