Não são poucos os casos de plágio que dominaram a história da música. Só no rock n’ roll, nomes gigantes desde Led Zeppelin e os Beach Boys já perderam alguns casos, e a medida que a legislação se desenvolveu, o plágio foi se tornando cada vez mais comum na música popular. Confira abaixo alguns casos de plágio que marcaram a história da música:

“Surfin U.S.A”, do Beach Boys, foi um dos casos mais marcantes de plágio no rock n’ roll, em parte porque toda a melodia copiada de “Sweet Little Sixteen”, do Chuck Berry, foi intencional e defendida por Brian Wilson como um tributo ao guitarrista. Independentemente das intenções do grupo, “Surfin U.S.A” foi acusada pelos advogados de Berry como plágio, e o agente do Beach Boys, Murry Wilson, cedeu os direitos antes que um processo fosse formalizado, em 1963. Mesmo assim, foi apenas em 66 que Berry passou a ser listado como um dos compositores do hit. Ouça as duas aqui.

O primeiro hit que atingiu o topo das paradas entre os trabalhos solo dos Beatles, “My Sweet Lord”, do George Harrison, foi acusado de plágio da música “He’s So Fine”, gravada pelo The Chiffons, oito anos antes. Harrison foi determinado culpado e levou uma multa de mais de um milhão de dólares, no julgamento que introduziu o termo “plágio subconsciente”, o que reduziu a culpabilidade do músico. Com as negociações tendo durado até 98, o caso judicial de “My Sweet Lord” foi um dos mais duradouros na história da música. Ouça “He’s So Fine”. 

O caso de “Do Ya Think I’m Sexy”, de Rod Stewart é mais famoso entre os brasileiros por ser um conhecido plágio de Jorge Ben, e sua cativante melodia de “Taj Mahal”. Stewart nunca foi formalmente processado de plágio e doou os royalties da canção para a UNICEF, mas admitiu o caso de “plágio inconsciente” em sua autobiografia: “Eu tinha ido pro carnaval do Rio, em 1978 (…) e ‘Taj Mahal’, de Ben Jor tocava o tempo inteiro, foi relançada naquele ano, e obviamente a melodia alojou-se na minha memória, e emergiu quando comecei fazer a música”. Ouça aqui a faixa de Stewart.

O maior hit do The Verve, “Bittersweet Symphony”, foi composto pelo vocalista da banda, Richard Ashcroft, mas o famoso instrumental foi retirado de uma versão do Andrew Oldham Orchestra de “The Last Time”, do The Rolling Stones. Apesar do uso ter sido acordado antes do lançamento, dois antigos agentes dos Stones processaram a banda, alegando que o The Verve violou o contrato ao utilizar mais do que o combinado. No fim, o The Verve perdeu todos os direitos pelo hit, que chegou a ser indicado ao Grammy, com créditos a Mick Jagger e Keith Richards. Ouça a versão da Andrew Oldham Orchestra aqui.

O hit de Robin Thicke e Pharrell Williams, “Blurred Lines”, de 2013, foi processada pela família de Marvin Gaye pela sua semelhança com “Got To Give Up”, gravação de 1977 do músico. Thicke e Williams perderam o caso e foram obrigados a pagar US$ 5.3 milhões de dólares além de 50% de futuros royalties, marcando como uma das maiores punições em caso de plágio. Além disso, por causa do baixo, barulhos no fundo e o cowbell, o veredito determinou que “Blurred Lines” copia a “vibe” da música de Gaye, algo inédito até então em casos de plágio. Ouça a música de Gaye aqui.

O tema de Ghostbusters é um dos mais marcantes do cinema, e ele mesmo já passou por um escandaloso processo de plágio. Quando Ray Parker Jr. foi contratado para criar a trilha, ele recebeu instruções para uma composição que se assemelhe com Huey Lewis, a primeira opção do estúdio, que recusou o trabalho por já estar criando o tema de De Volta Para o Futuro. Quando a faixa foi lançada, Lewis processou o hit pela semelhança com a sua música, “I Want a New Drug” e ganhou um caso, recebendo uma quantia não especificada e acertada em acordo fora do tribunal. Ouça aqui a faixa de Lewis.

O Led Zeppelin já esteve envolvido em diversos casos de plágio em sua carreira, alguns bem sucedidos e outros não. Um dos mais conhecidos foi o clássico “Whole Lotta Love”, de 1969, semelhante à faixa de Muddy Waters “You Need Love”, de 62. A acusação veio particularmente pela letra, escrita por Willie Dixon. O Led Zeppelin perdeu o caso e foi obrigado a pagar uma quantia não divulgada. Além disso, “Whole Lotta Love” passou a citar Willie Dixon em seus créditos desde então. Ouça aqui a original com Muddy Waters.

Falando em Led Zeppelin, o maior clássico da banda, “Stairway To Heaven” também foi acusado de plágio, em um julgamento concluído em 2016. Um representante do guitarrista Randy California, da banda Taurus, processou a banda por plágio da faixa “Spirit”, alegando que o grupo nunca chegou a mover um processo legal por falta de recursos. O tribunal buscou determinar se a semelhança entre as músicas foi intencional por parte de Page, mas julgou que as canções não eram semelhantes o suficiente para justificar plágio. O julgamento foi rapidamente apelado e continua em aberto. Ouça “Spirit”.

Um dos casos que mais chamou atenção nos últimos meses foi a acusação de plágio de Lana Del Rey, na música “Get Free”, semelhante a “Creep”, do Radiohead. O caso nunca chegou ao tribunal e, se passou por processos legais, não foi divulgado. “Creep”, por sua vez, já perdeu um caso de plágio na comparação com a faixa “The Air That I Breathe”, do The Hollies. Os compositores Albert Hammond e Mike Hazlewood passaram a ser creditados na música do Radiohead e ganharam uma porcentagem dos royalties da faixa. Ouça “The Air The I Breathe” e “Get Free”.