Manaus â€” Quando quatro jovens decidiram, em 1967, criar uma banda de “iê-iê-iê”, ninguém imaginaria que ela se tornaria um dos conjuntos com maior longevidade da história amazonense. Com cinco décadas de existência, a Blue Birds movimentou os clubes de Manaus e marcou a memória de muitos amazonenses com o melhor da música nacional e internacional. Não é à toa que a banda foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Amazonas por unanimidade em fevereiro deste ano.

Entre bailes e ensaios, a banda carrega muitas histórias. Mais de 150 músicos passaram pelo conjunto, mas, não importando a formação, os valores foram sempre os mesmos. A banda nunca teve uma pausa e nem mesmo faltou uma apresentação sequer, deixando claro o profissionalismo e o carinho pelo fiel público da Blue Birds. 

Segundo o líder da banda, Roberto Sá Gomes, a banda viveu uma época áurea da música amazonense. “A vida de artista é complicada, todos sabem disso, mas nós costumávamos viver de música, com muita paixão e dedicação”, afirma ele. Os sucessos de Queen, Beatles, Rolling Stones e outros grandes artistas internacionais passaram pelas mãos dos músicos da Blue Birds, que, com a entrada de Beto, também passou a tocar sucessos nacionais.

Clubes de Manaus ferveram com as apresentações do conjunto durante muitos anos, mas a banda nunca deixou de exercer o filantropismo. “A solidariedade sempre esteve muito presente na Blue Birds, sempre fizemos apresentações com renda revertida para instituições carentes de Manaus que fazem um trabalho bonito e precisam de doações”, comenta o músico. “Nós passamos tantos anos juntos, em ensaios e shows, que realmente viramos uma família”.

E, de fato, o dom e a paixão pela música correm no sangue dos integrantes da Blue Birds. A cantora Isabela Varjão conta com a presença de duas filhas, Luciana e Juliana Lameiras, que também compõem o coro da banda. “Eu levava as minhas filhas aos ensaios, elas ficavam ouvindo, acompanhando nossas músicas”, conta Isabela. “Aos poucos, elas passaram a participar dos shows quando algum integrante não podia e, quando percebemos, elas já eram integrantes da banda”.

Construir uma carreira sólida e de muitos anos não é tão fácil. A banda sobreviveu à concorrência de outras bandas da década de 60 e o fim dos bailes na década de 90. “Fomos os primeiros a colocar mulheres nos vocais – porque, na época, ter uma mulher em show era ‘mal visto’ —, os primeiros a colocar instrumentos de metais, os primeiros a ter um conjunto tão grande em palco”, afirma Beto. A certeza é de que a Blue Birds não é apenas uma banda de bailes. “A banda não existiria se não fossem esses músicos incríveis e dedicados que nós temos até hoje”, afirma.

A vida da banda está sendo contada pelas mãos de Beto, que atualmente escreve o livro “Blue Birds: histórias e memórias”. Pelas mãos do vice-governador Bosco Saraiva e do deputado Mário Bastos, a banda foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Amazonas por unanimidade em fevereiro deste ano. Para Isabela, a homenagem é o resultado de muito trabalho e esforço no cenário musical. “É emocionante ver o nosso esforço reconhecido dessa forma”, diz ela. “Não importa o que aconteça, se os músicos todos morrerem e a banda parar de se apresentar, a Blue Birds vai além e vai sempre existir”.

No dia 29 de junho (sábado), a banda vai realizar uma apresentação especial no Teatro Amazonas, localizado na rua 10 de Julho, Centro de Manaus. A partir das 19h, o público vai apreciar o show em comemoração aos 50 anos de carreira da Blue Birds. A entrada é 1kg de feijão, arroz, macarrão ou leite, que será doado para o Instituto Filippo Smaldone.