O líder oposicionista russo Alexei Navalni foi solto neste domingo (6), um dia após ser detido por organizar um protesto sem autorização contra o Vladimir Putin em Moscou. A medida ocorre na véspera da posse do presidente, eleito para um quarto mandato à frente do Kremlin em março.

Além de Navalni, cerca de 1.600 pessoas foram presas em toda a Rússia por participar dos atos sem autorização prévia das autoridades municipais, e a imagem de policiais arrastando jovens correu o mundo às vésperas não só da posse de Putin, mas a pouco mais de um mês para a Copa do Mundo de futebol no país.

O Judiciário russo é independente, mas é amplamente considerado por analistas sob influência de decisões vindas do comando político do país nesses casos. 

Assim, a libertação de Navalni e de outros manifestantes, conforme relatado por entidades de direitos humanos, parece sinalizar uma distensão para o público interno e o externo.

Na frente doméstica, o temor do Kremlin é a repetição nem tanto dos atos comandados por Navalni em 2017, quando ele levou dezenas de milhares de jovens convocados pela internet em vários pontos do país, mas sim o cenário de 2012. 

Naquele ano, um ato duramente reprimido na véspera da posse de Putin levou a uma série enorme de protestos centrados em Moscou e São Petersburgo, no qual a massa insatisfeita era composta da mesma classe média que sempre apoiou o presidente.

Não é difícil imaginar um estrategista putinista se preocupar com a possibilidade de o cenário se repetir e, assim como o Brasil quando sediou a Copa das Confederações de 2013, haver uma confluência de turbulência interna e alta exposição externa. 

A Rússia já está sob intensa pressão diplomática desde que foi acusada pelo Reino Unido, em março, de envenenar um ex-espião russo e sua filha na Inglaterra. 

De lá para cá, houve expulsões mútuas de diplomatas com vários países do Ocidente e novas sanções americanas ao país devido à acusação de interferência na eleição americana de 2016.

Navalni e outros organizadores poderiam ficar detidos por até um mês e serem multados por organização ilegal e desobediência a ordem policial. 

O ativista, que é advogado e blogueiro, terá de comparecer a uma corte no próximo dia 11 e ainda pode ser sentenciado a alguma variação dessa pena. Ele e sua rede, que haviam fracassado em promover um boicote à eleição de Putin, conseguiram reavivar momentaneamente o destaque à sua causa, mas a tática de confronto está longe de ser consensual.

A ex-candidata presidencial Ksenia Sobchak e o partido liberal Iabloko, ambos adversários de Putin, divulgaram críticas ao estímulo do uso de jovens nos protestos, que de todo modo haviam sido autorizados para ocorrer em lugares menos centrais do que o requisitado por Navalni em Moscou. 

A réplica de Navalni a esse tipo de crítica é de que a oposição institucional russa é um mero joguete do Kremlin para manter uma aparência de democracia plena em um país em que a disputa real pelo poder se dá entre os grupos em torno do presidente, e não na urna.

Vistos desferindo chicotadas contra manifestantes no sábado, cossacos devem se encarregar da segurança nas ruas moscovitas durante a Copa do Mundo, que começa em 14 de junho, afirmou o jornal britânico The Guardian. 

A prefeitura de Moscou pagou às Tropas Centrais Cossacas, conhecidos por seus chapéus de pele, cerca de R$ 905 mil para treinamento sobre “como garantir a segurança pública”, segundo documentos oficiais.