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SÓCHI (Rússia) – Cidade do Panamá com as principais vias de acesso bloqueadas. Ruas tomadas pela população e feriado nacional no dia seguinte. Tudo isso regado de “mucha pinta”. A celebração que paralisou o país culmina com um momento prestes a acontecer: Panamá jogará sua primeira Copa do Mundo.

A estreia é em Sóchi, contra a Bélgica, na segunda-feira  (18). Enquanto o Brasil enfrenta a Suíça em Rostov, a nação caribenha voltará a ficar em êxtase com um feito inédito no esporte local. Na cidade da Rússia, torcedores do Panamá já chegaram com antecedência. Jorge Jamarillo e Marvin Chavarria curtem as praias russas à espera de que ‘se juega la pátria’.

Além da Islândia, Panamá é o outro debutante de Mundial nesta Copa da Rússia. Os dois torcedores, enquanto esperavam a chegada do Brasil a Sóchi na madrugada de segunda-feira, contaram ao Hoje em Dia como foi saborear uma vingança guardada por quatro anos.

“Quando Panamá perdeu a oportunidade de ir ao Mundial do Brasil, foi muito doloroso para nós. Perdemos nos acréscimos a partida para os Estados Unidos. Em 15 de outubro de 2013. Tínhamos que ganhar dos EUA, e o México tinha que perder da Costa Rica. E Costa Rica ganhou. Estávamos ganhando de 2 a 1 dos EUA até 89 minutos! Mas fizeram dois gols no fim. Isso doeu muito. Fizemos plano para ir ao Brasil”, diz Jorge.

“Nas Eliminatórias para a Copa deste ano, tínhamos que vencer e os EUA perder. Ganhamos da Costa Rica no Panamá, e os Estados Unidos perderam para Trinidad e Tobago. Então os EUA não foram ao Mundial, e Panamá sim. Desta forma, a emoção foi muito maior, pelo que a gente tinha passado. Assim que, não importava onde seria o Mundial, em qualquer país do mundo, teríamos de estar lá”.  

Assim que o capitão Roman Torres marcou o gol enlouquecedor da classificação, fazendo Panamá 2×1 Costa Rica (o primeiro gol do time local foi irregular), Jorge ligou para Marvin e começaram a planejar a viagem rumo à Rússia. Mas logo veio o choque de realidade. Atravessar o atlântico e a Europa Ocidental custava muito. Quase desistiram.

“Vimos que as passagens eram muito caras. O pensamento já era de apoiar a Seleção, mas do Panamá. Um dia ele me chamou e falou: ‘vamos pra Rússia’. Está louco? Como vamos pra Rússia? ‘Consegui um voo muito barato, um hotel também. Os ingressos depois vemos’”, diz Marvin.

A maneira de financiar a viagem foi arrumar empréstimo com um amigo e, para pagar passagens menos caras – já que o preço normal era 3 mil dólares (R$ 11 mil)-, e por consequência, viajar com bastante antecedência: “Falei: ‘consegui a viagem, mas o jogo e dia 18 e vamos chegar lá no dia 9’”, lembra Jorge, que pagou 50% do preço de mercado da passagem.

“Conseguimos uma passagem por 1,5 mil dólares, que é o preço que se paga para uma viagem até a América do Sul. Então essa era a oportunidade. Pedi empréstimo a um amigo. Mas será uma experiência única, inesquecível”, completa Jorge, torcedor do Tauros FC, enquanto Marvin é hincha do rival Plaza Amador, que joga no pequeno estádio Maracaná, de 5 mil lugares.