A Nasa celebrou bastante o pouso bem sucedido da sonda InSight em Marte, que ocorreu na última segunda-feira (26), após passar os últimos meses viajando até nosso vizinho. Sim, ela está longe de ser a primeira a pousar no local, mas fará algo inédito até então: estudar o interior do Planeta Vermelho.

E como é o caso de várias outras missões, a InSight já está cercada de vários fatos e curiosidades. Você sabia, por exemplo, que ela pode descobrir mais detalhes de outros exoplanetas espalhados pelo universo? Ou similaridades entre a Terra, Lua e Marte?

Nós praticamente só conhecemos a superfície de Marte. Várias fotos já foram tiradas por satélites que estão acima do Planeta Vermelho, enquanto que as sondas Curiosity e Opportunity vagam pelo nosso vizinho e coletam amostras para análises. A Curiosity ainda possui uma pequena ferramenta de escavação, mas que não consegue perfurar muita coisa.

Já a InSight tem um objetivo diferente. Diferente de suas colegas, ela ficará parada em um determinado lugar. Mas seu intuito é estudar o interior de Marte, o inclui medir a atividade sísmica (a partir de terremotos e impactos de meteoros), temperatura e o tamanho e a forma do núcleo do local.

O próprio nome da sonda é uma brincadeira feita justamente com o seu objetivo: “Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport”, ou “Exploração Interior Usando Investigações Sísmicas, Geodésia e Transporte de Calor.”

O telescópio espacial Kepler já nos mostrou que outros planetas rochosos, como a Terra, são mais comuns do que nós imaginamos no universo. É difícil estuda-los, já que estão absurdamente longe de nós. Mas esses novos estudos que serão feitos em Marte ajudarão cientistas e astrônomos a compreender melhor as composições físicas e químicas e a atmosfera desses corpos celestes.

“Quando falamos de planetas rochosos, só estudamos um com grandes detalhes: a Terra. Comparando o interior da Terra com o de Marte, a equipe InSight espera compreender melhor nosso sistema solar. O que for descoberto pode ajudar na busca por exoplanetas parecidos com a Terra, pois saberemos quais têm chances de abrigar vida. É mais que uma missão para Marte”, disse a Nasa em comunicado.

Como dito anteriormente, um dos objetivos da sonda InSight é estudar a atividade sísmica de Marte. A Nasa já tentou realizar esse estudo com as sondas Viking 1 e 2 em 1976, mas o sismógrafo estava no topo dos veículos, que sofria interferências de ventos e atrapalhou a coleta de dados.

Os terremotos da Terra são causados por conta do movimento das placas tectônicas. Mas em Marte, cientistas acreditam que eles também podem ser causados por atividades de vulcões, rachaduras na superfície ou impacto de meteoros. A InSight deve oferecer mais respostas.

A sonda InSight irá transmitir dados atualizados com frequência para a Rede de Espaço Profundo da Nasa, que se trata de um conjunto de antenas que se comunicam com as naves e sondas que estão espalhadas pelo espaço. Essa rede conseguirá localizar facilmente a InSight, que não se mexerá muito. Sim, ela ficará parada, mas o planeta não. Marte costuma balançar enquanto se mexe ao redor do sol.

“Cientistas podem usar essa informação coletada pela missão InSight para entender o quanto que Marte balança em sua órbita. Essa é uma chave para determinar o tamanho do núcleo de Marte e se ele é líquido ou sólido”, disse a Nasa.

Investigações científicas sugerem que a Terra, Lua e Marte foram formados a partir dos mesmos materiais, mas apenas um estudo mais aprofundado nos dirá se essa hipótese é verdade. Os aparelhos de medição calor da Insight são capazes de analisar a temperatura do solo a uma profundidade de até cinco metros. E a cada 50 centímetros, eles enviarão um pulso de calor, que serão examinados por sensores.

“Se o material da crosta é um bom condutor de calor, como um metal, o pulso decairá rapidamente. Se ele for um mal condutor, como vidro, o pulso decairá lentamente. Isso dirá aos cientistas como a temperatura aumenta rapidamente nas profundezas e como que o calor flui dentro de Marte”, disse a Nasa.

Você já deve ter notado que a Nasa costuma realizar o lançamento de missões na Flórida, que fica na costa leste dos EUA. O motivo é que é mais fácil chegar ao espaço a partir do estado mais ao sul do país. No entanto, a sonda InSight foi lançada a partir da Base Aérea Vandenberg, que pertence à Força Aérea americana e fica na Califórnia, localizada na costa oeste.

Oficialmente, esses satélites em formato de cubo ganharam o nome de Mars Cube One, ou MarCO. Eles foram os responsáveis por enviar os dados da InSight para a terra enquanto a sonda realizava o pouso em Marte. Pode parecer pouca coisa, mas é uma informação valiosa, já que muitas naves e sondas não costumam pousar com total segurança.

De acordo com a Nasa, o calor que vem do interior do planeta influenciou a formação desses vulcões. Isso mostra novamente a importância dos instrumentos de medição da InSight, já que precisarão estudar esse aspecto para melhorar nossa compreensão sobre os vulcões de Marte.

“Como Marte só tem um terço do tamanho da Terra e de Vênus, ele tem menos energia para processar mudanças na estrutura do planeta. Isso o transforma em um planeta fóssil de várias formas, com os segredos do nosso sistema solar guardados em seu interior”, disse a Nasa.

O dados que serão coletados pela InSight serão utilizados das mais diversas formas, desde cientistas que estudam as placas tectônicas da Terra até astrônomos que querem encontrar exoplanetas semelhantes ao nosso. São informações que serão preciosas para estudos futuros até que uma tecnologia melhor apareça pela frente.