Milênios mais tarde, já na Europa do século 18, um clérigo britânico chamado Edward Stone começou a indicar casca de salgueiro aos membros de sua igreja depois de mascar um pedacinho e notar que sentia mais revigorado. Nessa brincadeira, ele ajudou a aliviar 50 casos de febre reumática. 

Então, um século mais tarde, um químico francês chamado Charles Gerhardt publicou um artigo no qual ele revelava como sintetizar a salicina em laboratório e criar o ácido acetilsalicílico — o ingrediente com o qual a aspirina é produzida —, mas ninguém deu bola.

Quem levou o crédito por sintetizar e inventar a aspirina foi outro cara, o químico alemão Felix Hoffmann, que não só entrou para a história por sintetizar o famoso remedinho em laboratório, como a heroína também, ambos em meados de 1897, quatro décadas depois da descoberta de Gerhardt.

Hoffmann trabalhava como pesquisador da fabricante alemã Bayer e, portanto, foi ela quem deteve os direitos de marca das duas drogas, Aspirina e Heroína, durante anos. No entanto, em 1919, como parte do Tratado de Versalhes — assinado depois da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial —, a companhia foi forçada a cedê-los.

Ainda sobre a gigante da indústria farmacêutica mundial — e grande fabricante de aspirina —, durante a Segunda Guerra Mundial, a Bayer “comprou” prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz para realizar testes de novas drogas.

Curiosamente, apesar de ser usada por tanto tempo, o mecanismo de ação da aspirina só foi ser descrito em meados dos anos 70, pelo pesquisador britânico John Vane — que descobriu que a substância age reduzindo a produção de prostaglandinas, ácidos graxos relacionados no surgimento de inchaços e dor. 

Uma anedota interessante é que, em meados dos anos 40, a aspirina se transformou em um fenômeno de vendas na Argentina — e isso não teve nada a ver com a fuga de líderes nazistas para a América do Sul. Na realidade, a popularidade foi conquistada graças a jingles-chiclete cantados pela futura primeira-dama do país, Eva Perón, nas rádios.

Nem todo mundo toma aspirina do mesmo jeito: os norte-americanos geralmente tomam os comprimidos com a ajuda de um gole d’água, enquanto os britânicos dissolvem o medicamento em água e os franceses preferem o remedinho como supositório.

Mas, para aqueles que preferem passar sem ter que apelar para a aspirina, uma opção é incluir uma boa dose de verduras, frutas e legumes na dieta, uma vez que o ácido benzoico presente nesses alimentos é sintetizado e convertido em ácido salicílico pelo organismo.