A música não é mais a alavanca principal na engrenagem que move a indústria do pop. Artistas do mainstream já perceberam que, não raro, o som é mero acessório no atual modelo do mercado. Mais do que a música em si, o que importa é ter visibilidade no universo pop.

Fotos estrategicamente postadas em rede sociais, clipes polêmicos e ostentações de números superlativos (reais ou inflados) de seguidores e visualizações em plataformas de vídeo e áudio serão armas cada vez mais potentes em 2020. Já usadas em 2019, elas serão acionadas sem parcimônia neste ano novo.

Na volátil era da música consumida na esfera digital, mais valerão monetariamente singles descartáveis lançados em série do que um álbum consistente que indique um conceito artístico.

Essa é a tendência a ser seguida em 2020 e nos próximos anos por artistas como associados sobretudo ao funk e ao pop sertanejo, gêneros dominantes no mercado fonográfico brasileiro.

A curto prazo, o sucesso é garantido. A questão é que o prazo de validade de um artista será cada vez menor. E, com a mesma rapidez com que novos idolos surgirão em cena, eles tenderão a desaparecer.

Quem já se estabeleceu anos atrás, como Anitta e Ivete Sangalo, se beneficiará do público conquistado ao longo da carreira. Quem está chegando nesse mercadão genérico, que tende a padronizar sons e nomes, corre o risco de se tornar descartável já na próxima estação.

Na contramão do mercado, haverá artistas dispostos a priorizar a música como forma de arte. E arte, cabe lembrar, é arma de resistência contra o desvalorização da cultura no atual momento político do Brasil.

Nessa ala mais engajada, a tendência é o destaque de artistas associados à MPB, ao rap e ao rock, gêneros historicamente mais inclinados a fazer críticas ao status quo. São os casos dos rappers Emicida e Baco Exu do Blues, da banda BaianaSystem e do cantor Caetano Veloso (de quem se espera um disco de músicas inéditas em 2020), para citar somente quatro artistas que seguem o bloco da resistência.

Em qualquer modelo, sendo a música como forma de resistência ou como mero acessório, o certo é que o show vai continuar em 2020, com ou sem apoio governamental.

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