Basta uma chuvinha na época de Primavera para um som típico dessa estação potencializar seu volume. As ninfas cigarras, muito conhecidas pelo ritmo barulhento da “cantoria”, vivem instaladas em troncos de árvores ou paredes à espera da metamorfose e do período reprodutivo.

A sinfonia começa a aparecer com a chegada Primavera e permanece em alta até março, com seus adultos em plenos pulmões. Apesar de espécies muito conhecidas, sua importância ecológica e os hábitos desenvolvidos não são tão famosos assim.

Apesar de surgirem, especificamente, nos períodos quentes, as cigarras se abrigam debaixo da terra por anos. Percorrendo túneis escavados, lá vivem de três a 17 anos (em caso de algumas espécies dos Estados Unidos), se alimentando da seiva das raízes, até que estejam prontas para o acasalamento.

Ao saírem, os pequenos insetos vivem por semanas, até que cumpram com o seu papel reprodutivo e morram logo após da deposição dos ovos em rachaduras nos caules de plantas hospedeiras e o nascimento dos filhotes.

Ao contrário do que possa parecer, a cigarra não emite o som com a boca ou com alguma vibração vocal que realiza. É o esfregar das asas no próprio corpo, em um par de estruturas abdominais chamadas timbales, que consegue produzir e amplificar essa sinfonia.

São conhecidas mais de mais de 1,5 mil espécies de cigarras em todo o mundo e cada uma delas apresenta um canto específico, com medidas em decibéis diferentes. É a própria emissão de som que vai permitir às populações diferenciarem o macho da fêmea e se relacionarem durante o acasalamento.

O som emitido pelas asas das cigarras é parte de uma estratégia de atração. O macho utiliza esse recurso para se aproximar a fêmea, que, ao contrário dele, tem um som quase imperceptível. Há, ainda, estudos sobre a possibilidade do “canto” ser também uma estratégia de defesa contra predadores.

Ao contrário do que se pensa, as cigarras não cantam até “estourar”. O casulo é a última fase da ecdise, o nome do processo de metamorfose vivido por elas. Assim, o inseto se liberta do esqueleto externo para que, crescido, mude de estrutura e obtenha asas.

Não só barulhentas e filhas de uma grande transformação, as cigarras também são especiais por apresentam um importante papel ecológico na cadeia alimentar. As aves se alimentam de muitas cigarras quando elas saem de seus esconderijos e esses insetos são encontrados facilmente graças som forte que emitem, facilitando a localização.

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