Existem muitos motivos pelos quais um filme pode acabar sendo adaptado pela indústria de Hollywood. Fatores como a ignorância seletiva do público norte-americano a obras que não sejam faladas em inglês — questão abordada recentemente no discurso do premiado diretor sul-coreano Bong Joon-ho — e o sucesso regional de determinadas obras certamente precisam entrar na somatória, por exemplo.

Seja como for, o fato é que uma das maiores fontes de “inspiração” (para não usar outras palavras) de grandes estúdios estadunidenses é o cinema de terror japonês. Recentemente, O Grito ganhou uma nova versão e alcançou a peculiar proeza de se tornar o remake de uma adaptação de um filme asiático. 

Aproveitando a ocasião, o AdoroCinema decidiu relembrar algumas das obras de horror que se tornaram famosas em suas versões em inglês mas que, na realidade, são originalmente faladas em japonês. Seja para matar a curiosidade ou para fazer com que os espectadores conheçam o produto original que resultou em tantos filmes interessantes, aqui vai!

Hideo Nakata é considerado um dos mais importantes realizadores dentro da cultura do “J-Horror” e ainda aparecerá novamente nesta lista. Ainda em 1998 ele desenvolveu Ringu, que contava a história de uma fita VHS amaldiçoada, responsável por acabar matando todos aqueles que a assistem. O longa foi um sucesso tão grande que ganhou uma continuação e um prelúdio em 1999 e em 2000. No entanto, em 2002 o diretor Gore Verbinski foi selecionado para comandar o remake estrelando Naomi Watts, que também ganhou continuação. Recentemente, a franquia teve uma outra sequência norte-americana, porém com recepção bem inferior aos anteriores.

Mesmo lançado originalmente em 2001, Kairo já galava de maneira muito contundente e interessante a respeito de como a internet viria a ser uma temática usada constantemente no novo século. Embora muito elogiado, sua versão norte-americana de 2006 com Kristen Bell e Ian Somerhalder acabou fracassando completamente, tanto na crítica quanto perante ao público. Sua trama foi considerada confusa e simplesmente bizarra em vez de assustadora, como o longa original. De qualquer forma, Kairo segue como uma ótimo opção aos que curtem o tema. 

Conforme dito anteriormente, aqui está a presença de Hideo Nakata mais uma vez. Apenas poucos anos depois de Ringu, o cineasta emplacou outro clássico logo na sequência: Honogurai Mizu no Soko Kara, em 2002. O filme conta a história de uma mãe e filha que se mudam a um novo apartamento e logo percebem que quase todos os lugares estão inundados por uma água escura, que revela-se posteriormente como uma manifestação espiritual da antiga inquilina. O filme ganhou uma versão em Hollywood em 2005 pelas mãos do brasileiro Walter Salles (Central do Brasil), contando ainda com Jennifer Connelly, John C. Reilly e Tim Roth no elenco premiado. Assim como a presença de Nakata no roteiro da adaptação, nada disso foi suficiente para salvar o filme de uma recepção mediana. 

Se você já assistiu a alguns destes filmes, deve ter percebido que os japoneses possuem uma forte veia sobrenatural, mística e muitas vezes até embasadas em lendas urbanas que realmente já circularam pelo país. Em Chakushin Ari, a premissa é um tanto inesperada: pessoas começam a misteriosamente receber ligações e mensagens de voz nas quais podem ouvir a si mesmas nos segundos que antecedem sua morte. Novamente, a tecnologia joga a favor da trama, e o remake Uma Chamada Perdida seguiu o mesmo caminho da maior parte das adaptações e acabou não agradando muito. 

Vamos tentar variar um pouco e falar de adaptações que deram (muito) certo. Atualmente a cultura popular japonesa é repleta de monstros gigantes, robôs, explosões… enfim. Na primeira versão de Gojira, em 1954, a trama contava a história de um teste com armas nucleares do exército que acabou dando errado e gerando um lagartão gigante e bizarro que destuía tudo pela frente. O Godzilla não apenas se tornou um ícone na Ásia, como também fez um sucesso estrondoso ao redor do mundo quando as primeiras adaptações começaram a bombar na década de 90. Tantas continuações apareceram que o longa, que originalmente era um terror, hoje é um daqueles filmes de ação repletos de tudo que os Estados Unidos mais gostam. Acontece, né?

Não tendo muito o que adicionar à obra original, o remake de Apartamento 1303 simplesmente adicionou um “3D” ao fim do título original e realizou uma versão inferior à original. No enredo, uma mulher começa a investigar os estranhos eventos por trás da misteriosa morte de sua irmã. No meio da questão, sua mãe acaba fazendo parte da história e o apartamento 1303 vira a peça central em um quebra-cabeça sobrenatural. 

Vamos ao mais recente estreante da lista. Ju-On fez um sucesso tão grande no Japão que sua adaptação norte-americana demorou apenas dois anos para ser concebida, sair do papel e estrear na terra do Tio Sam. Originalmente dirigido por Takashi Shimizu, talvez o remake tenha encontrado a fórmula do sucesso por ter contado com o mesmo Takashi no comando da obra, o que foi importante para que muitos aspectos fossem mantidos. Sarah Michelle Gellar estrelava a produção sobre um espírito de um garoto que assombrava todos os moradores da casa onde ele morreu. Mesmo após uma sequência em 2006, o filme agora ganhou mais um remake, com direção de Nicolas Pesce. Nem é preciso falar sobre como tem sido a recepção.

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