Trilhar novos caminhos é sempre uma tarefa complicada, principalmente em um mundo tão dinâmico e rotativo quanto o da música. Mudar o rumo de uma carreira, seja para um artista iniciante ou para um veterano, pode ser um verdadeiro desafio, porém em alguns casos específicos, a adaptação é natural e os frutos logo aparecem. Nesse contexto, Marcelo Gross, após sair da Cachorro Grande, hoje tem uma das carreiras solo mais interessantes na cena do rock nacional.

Na verdade, essa é uma construção de equipe. Montando um power trio para a tour do seu mais recente disco, Chumbo & Pluma, o músico deu tiros certeiros. No baixo, Eduardo Barreto, instrumentista competente e que concilia diversos projetos, com destaque para os shows em que, como cantor, apresenta canções de Serge Gainsbourg e outros sucessos da música francesa. Na bateria, Alexandre Papel, músico experiente, com passagens por muitas bandas do rock nacional e que, junto com Eduardo Barreto, garante uma bela retaguarda para Gross.

Após o bom disco de estreia na carreira solo, “Use o assento para flutuar” (2013), Gross voltou a dedicar-se em um trabalho solo com “Chumbo & Pluma” (2017), um belíssimo disco duplo que combina uma etapa inicial, chumbo, com muitas referências ao rock clássico, trazendo muitas das referências que já faziam parte da Cachorro Grande, porém desta vez com uma apresentação diferente, mais leve e explorando outras vertentes. A segunda parte do disco, pluma, é de uma profundidade incrível, mostrando um lado mais folk de Gross.

De Chumbo, músicas como “Reconstruindo a Cidade”, “Me Recuperar”, “Purpurina” e “Alô, Liguei” são destaques. No lado pluma, “Bebel”, “Maggie” e “Morangos & Maças” (coincidentemente, as três primeiras) são imperdíveis.

Todos os registros de apresentações do grupo mostram muita sintonia e um som de qualidade. As transposições do disco para o power trio foram bem feitas e com a agenda movimentada de shows, a tendência é que essas apresentações tornem-se cada vez mais consistentes.