Na passada sexta-feira (24) foi noticiado por vários órgãos de comunicação internacionais que a Sony Music Entertainment tinha admitido o lançamento de vários temas falsos com o nome de Michael Jackson. A suposta participação de um imitador do artista americano nas canções Monster, Keep Your Head Up e Breaking News, incluídos no álbum póstumo Michael, está na base da discussão.

Segundo o noticiado no dia 24, a Sony tinha alegadamente admitido em tribunal que o cantor não participava nos temas. No entanto, a afirmação revelou-se falsa após a representante da companhia neste caso, Zia Modabber, a ter negado em declarações prestadas à Variety.

“Ninguém admitiu que Michael Jackson não cantou nessas canções. A audiência de terça-feira foi sobre como a Primeira Emenda protege a Sony Music e o património e que não houve nenhuma decisão sobre qual a voz que está nas gravações”.

Modabber explicou ainda que a confusão surgiu quando os presentes na audiência mal interpretaram um argumento hipotético do género “mesmo que as canções de Michael Jackson fossem falsas”, prestado por um advogado. “As fontes sublinham que o advogado estava a especular”, realçou a representante.

Quatro anos após o seu lançamento, em 2014, Vera Serova, uma fã do artista que questionava a validade das canções acima referidas, abriu um processo onde acusava Eddie Cascio, James Porte e a sua produtora Angelikson Productions de fraude e a Sony Music de vender música falsa sob o nome de Michael Jackson.

Cascio, amigo de longa data do músico, garantiu que os temas tinham sido gravados na sua cave em 2007, sem testemunhas. Contudo, quer Serova quer a própria família Jackson contestaram as declarações, afirmando que, apesar de as gravações possuírem um som semelhante ao de Michael Jackson, o artista nunca gravou os temas em questão.

Após a fã ter contratado um especialista forense para determinar se as canções tinham de facto a voz de Michael Jackson, concluiu-se que essa probabilidade era muito baixa. Vera Serova testemunhou ainda no Tribunal Superior de Los Angeles que as músicas foram cantadas por Jason Malanchi, um imitador do artista, explica a SPIN.

Por outro lado, diz a Rolling Stone, a Sony Music respondeu ao processo defendendo vigorosamente a autenticidade dos temas, mencionando engenheiros musicais e musicólogos que alegam que as canções foram, de facto, cantadas por Michael Jackson.

No entanto, o caso está a ser defendido com menos entusiasmo por parte dos acusados. Em dezembro do ano passado, a possibilidade de as canções serem, de facto, falsas foi admitida por ambas as partes. Contudo, a Sony Music não deve ser acusada de fraude, porque acreditou na garantia de autenticidade de Cascio e da Angelikson Productions. A companhia, que comprou todo o património de Michael Jackson no mês passado, está à espera de uma decisão judicial que deverá ser tomada nos próximos 90 dias.