RIO — O czar Pedro III era meio esquisitão. Casou-se com a sensual Catarina, a Grande, em 1745, mas ficou pelo menos cinco anos sem tocar nela — nesse meio tempo, era comum vê-lo brincando com bonecos e soldadinhos no quarto do casal. Foi uma união constrangedora- mente infeliz para ambos. Ela acabou enfileirando amantes: Saltikov, Poniatowski, Orlov e Vassíltchikov, entre muitos outros. Não se sabe, por exemplo, quem foi realmente o pai de seu primeiro filho.

Entre tantos casos, o maior foi mesmo Grigóri Potemkin, militar brilhante, um gigante sedutor pela própria natureza e que rapidamente conquistou seu lugar à frente das forças armadas do império. Em matéria de furor sexual, Potemkin também não ficava atrás. Ninguém escapava. Basta dizer que teve romances longevos com as próprias sobrinhas, vinte e tantos anos mais jovens. Tinha que ser logo com as sobrinhas? E eram três!

Pelo que nos conta Simon Sebag Montefiore em “Catarina, a Grande, & Potemkin”, o grude começou já em 1762, quando ela, aos 33 anos, deu um golpe e tirou o marido do comando da Rússia. Alcoó- latra e fraco das ideias, ele morreu pouco depois. Foi nessa época que a jovem imperatriz conheceu o súdito Potemkin, até então um tenente pobretão.

Amantes à parte, o relacio- namento entre a imperatriz e Potemkin logo deixou de ser efêmero e tornou-se amor mesmo. Tinham, afinal, gênios semelhantes e mantinham um olho nos momentos prazerosos na vida pessoal, outro no poder. Mantiveram íntima ligação até a morte dele, em 1791. Estava podre de rico, graças aos seus excelentes serviços prestados ao Império Russo.

Uma história real desse quilate, envolvendo estas duas grandes distrações da humanidade — poder e sexo — tem muito a ver com cinema. Tanto que Angelina Jolie comprou os direitos de adaptação de “Catarina, a Grande, & Potemkin”. Vai interpretar o papel principal — que também já foi vivido por Catherine Zeta-Jones em 1996 num filme para TV e por ninguém menos Marlene Dietrich em “A imperatriz galante” (1934), de Josef von Sternberg.