Marco do início de Suzano, a igreja do Baruel, às margens da rodovia Índio Tibiriçá, e o entorno dela passaram por revitalização. Para ajudar a resgatar a memória e lembranças perdidas ao longo do tempo, alunos de uma escola municipal fazem um projeto para recontar a história do vilarejo.

A região começou a se desenvolver em meados de 1677, quando a atividade de mineração ficou muito forte na região. Como muitas pessoas frequentavam o local a trabalho, logo o bairro começou a ter novos moradores.

Na época, já tinham planos para que o bairro fosse o centro de uma nova cidade, que começava a surgir. Não é à toa que foi construída ao lado de uma estrada, hoje conhecida como a rodovia Índio Tibiriçá.

Os planos eram tão audaciosos que em 1877 chegaram a falar que a linha férrea passaria pelo bairro. O registro está em jornal de 1890, mas esse projeto nunca se concretizou.

O historiador Suami de Paula Azevedo conta que o trem não passou no distrito porque houva uma mudança no projeto da linha férrea. “Ao invés dela ter sido comprada pelo Barão da Mauá, ela foi instalada pelos ingleses, que preferiram fazer uma linha direta entre São Paulo e Mogi”, disse.

Há quem conte também que a primeira escola a surgir na região do Alto Tietê foi no bairro do Baruel. Era um colégio só para meninos. Mas o tempo passou e boa parte dessa história se perdeu. Para ajudar na missão de resgate, alunos da rede municipal da cidade estão participando de um projeto diferente. Eles vão ajudar a recontar tudo isso.

O secretário de Educação de Suzano, Leandro Bassini, diz que o projeto é realizado em outras cidades do país. A ideia é que as escolas de Suzano pesquisem com os seus alunos pontos históricos locais que tenham a proximidade com a escola e comunidade no entorno. A ideia é redescobrir os pontos históricos da cidade”, conta o titular da pasta.

Os estudantes são de uma escola que fica no bairro vizinho. A tarefa é como um passeio para eles. No lugar de lápis e caderno, olhos e ouvidos atentos. Afinal de contas, curiosidades não faltam no bairro. Uma delas é a pequena e marcante igreja de Baruel. Até um tempo atrás ela tinha dia certo pra abrir as portas para os fiéis.

A igreja foi reerguia em 1916 após o prédio original cair. A igreja foi toda restaurada em 2016, do lado de fora e principalmente de dentro, mantendo os detalhes da construção original. O ponto de partida dessa história está em uma foto com Maria Ernestina e Roberto Bianchi, bisavós do Américo, responsável pela igreja.

“Eu estou tentando manter toda a originalidade. Nós estávamos pensando em comprar mais bancos, mas a gente tem o SS do Sebastião, e há relatos que foram os antigos bancos da paróquia São Sebastião, até mesmo o altar. A gente fazendo parte disso, o pouco que a gente faz. Eu ver hoje a igreja que nós iniciamos com quatro pessoas e hoje tem uma média de 80 pessoas, então ela está lotada. Eu estou muito feliz porque o filho dela está fazendo a parte dele”, diz.

Nem mesmo quem mora no bairro há anos conhece todas as curiosidades quem existem por lá. Maike Kaue Pereira Lima, de 9 anos, é um dos alunos que estão ajudando a recontar a história do Baruel. Foi a primeira vez que ele entrou na igreja.

“Eu gostei muito do sino, das fotos que tinham. Eu olhei nas fotos e fui vendo as fotos. “Eu cheguei aqui olhando as fotos e pensei que o altar não existia. Eu cheguei aqui e pensei que ele não existia, mas agora eu cheguei aqui e vi que ele existe”, conta o estudante.

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