SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dois meses após perder o suporte financeiro da Caixa Econômica Federal e mergulhar em incertezas, o Belas Artes anunciou, nesta quinta-feira (2), que já tem novo patrocinador.

Depois de passar por bancos, como HSBC e Caixa, o complexo terá o patrocínio da marca de cerveja Petra, que fica responsável por cobrir parte do orçamento anual do cinema, cujo principal gasto é com aluguel. Na rua da Consolação e a poucos metros da avenida Paulista, o endereço vale cerca de R$ 2 milhões ao ano.

Nas negociações, entraram em jogo os naming rights (a concessão do direito de a empresa embutir seu nome ao complexo em troca de investimento). O Cine Belas Artes, portanto, passa a se chamar Petra Belas Artes a partir desta quinta. A parceria não gera qualquer tipo de mudança na programação das salas.

“É muito bom estar aqui hoje para anunciar algo que, como profissional e pessoa, é muito importante para mim. A gente não poderia deixar fechar as portas jamais desse espaço que é tão democrático, é tão acessível”, disse Eliana Cassandri, diretora de comunicação da Petra.

Sem revelar números, André Sturm, proprietário do cinema, disse que o acordo com o novo patrocinador é de cinco anos, e que os valores são superiores ao que tinha anteriormente. De acordo com Sturm, ele procurava uma parceria de três anos e foi o próprio grupo Petrópolis que ofereceu um contrato mais extenso. “Eles nos procuraram, demonstraram interesse e foi algo incrivelmente simples e fácil. E é muito significativo destacar esse patrocínio em um momento em que a cultura está sendo colocada em um dos últimos planos”, completou.

A Petra faz parte do grupo Cervejaria Petrópolis, cujo rótulo mais popular é a Itaipava -completam o portfólio da empresa as marcas Crystal, Lokal, Black Princess e Weltenburger, além da Petra. Em 2017, a Petrópolis adquiriu a Brassaria Ampolis, que detém as cervejas Cacildis, Biritis, Forévis e Ditriguis. Destes, apenas os rótulos Petra e Cacildis serão comercializados dentro do cinema.

Não é de hoje que o grupo patrocina eventos no país, mas a maioria dos investimentos haviam sido na área esportiva. A Arena Fonte Nova, por exemplo, vendeu os “naming rights” para a marca Itaipava. O acordo com o estádio gira em torno de R$ 3 milhões por ano.

Desde 2014, quando foi reaberto após grande mobilização de políticos e sociedade civil, o Cine Belas Artes integrava a rede de patrocínios culturais da Caixa -e ostentava a marca do banco em seu nome. Em fevereiro, no entanto, recebeu a notícia do fim da parceria.

O corte foi seguido de outras revisões de patrocínios promovidas pelo governo Bolsonaro em empresas como Banco do Brasil, BNDES, Petrobras e Correios. Junto com a Caixa, elas destinaram ao menos R$ 128 milhões à cultura em 2018

Com seis salas de projeção, o Belas Artes foi eleito em pesquisa Datafolha o melhor cinema de rua e o detentor da melhor programação alternativa de São Paulo. Inaugurado em 1967, o endereço ficou fechado entre 2011 e 2014, quando firmou parceria com a Caixa para reabrir.