Personificações famosas do paraibano Bruce (da esq. para a direita, de cima para baixo): Wesley Safadão, Bell Marques, Jack Sparrow, Roberto Carlos, The Flash, Renato Russo, Super Mario, Chaves e Woody. — Foto: Bruce/Arquivo Pessoal

O paraibano Wytemberg Mariano, de 44 anos, já foi Homem-Aranha, Homem de Ferro, Batman e Super-Homem. Já personificou Michael Jackson, Roberto Carlos, Wesley Safadão, Renato Russo, Bell Marques, Frank Aguiar e Gabriel Diniz. E já se fantasiou até mesmo Galinha Pintadinha, Chaves, Papai Noel e Curupira. Ao longo de 25 anos de uma carreira profissional inusitada, o artista conhecido como “Bruce” – por ser fã e intérprete de Bruce Lee – já reproduziu mais de 100 personagens em festas infantis, shows para datas especiais e na divulgação de lojas e marcas.

Os covers e interpretações de personalidades famosas levaram Bruce a viver do que ama, transformando as performances em profissão. Mas, no início, o sonho do artista teve que ser conciliado com trabalhos como conferente de documentos em uma empresa, cabeleireiro e apresentações nas ruas e na orla de João Pessoa.

Nascido no município de Princesa Isabel, no Sertão da Paraíba, Bruce se mudou com a família para o bairro de Mangabeira, em João Pessoa, aos 3 anos de idade. Admirador de Bruce Lee, o ator e lutador que se tornou uma figura heróica e icônica para os amantes das artes marciais, encontrou no artista o início do que viria a se tornar uma carreira consolidada.

Após se aventurar nos gibis que contavam a história de Bruce Lee, durante a infância, começou a fazer aulas de taekwondo aos 10 anos e depois procurou uma academia de kung fu para seguir treinando, na adolescência e depois de adulto.

Enquanto ainda trabalhava de conferente de documentos em uma empresa e como cabeleireiro, Bruce se apresentava em escolas como a estrela das artes marciais. Nas performances, envolto na magia de quem lutava e tinha a força de Bruce Lee, o paraibano se declarava fã número 1 do lutador e conseguia admiração da plateia. Sabia que poderia representar o ídolo a qualquer momento e em qualquer lugar.

Ainda jovem, Bruce frequentava shows que aconteciam na capital pessoense junto com amigos. Nos shows, o artista viu a oportunidade de ser reconhecido. Vestido e caracterizado de Bruce Lee, tentou se aproximar de outros artistas para mostrar o que sabia fazer.

Bruce não saía nunca do personagem, chamava atenção na plateia e conseguia subir no palco, ou tentava chegar no camarim dos cantores que estavam fazendo shows. Artistas como a cantora Claudia Leitte, Bell Marques, Elba Ramalho e tantos outros estão nos álbuns que Bruce coleciona e guarda com muito orgulho.

Nas lembranças e na trajetória, há palavras de incentivo de outros artistas que jamais vai esquecer. Ele recorda que esse foi o pontapé para estar mais perto do reconhecimento. Depois de tantos shows, conseguiu ganhar a amizade de alguns desses famosos que o estimularam na busca por ser quem é hoje.

Bruce Lee foi apenas o primeiro. O artista paraibano percebeu que poderia se transformar em outras pessoas com o talento que tinha. Ao unir as habilidades das artes marciais com a desenvoltura de quem queria apenas ser, Bruce disse a si mesmo que estava pronto para interpretar também super heróis. Ainda que não tivesse dinheiro para a confecção das fantasias nem para custear maquiagem ou algum acessório que pudesse identificar o herói que gostaria de representar.

Nas ruas de João Pessoa, ele interpretava Homem-Aranha, Homem de Ferro, Batman e chamava a atenção de quem passava. Ficou conhecido como “Bruce de Mangabeira”. Todo o trabalho de Bruce é divulgado no Instagram dele e no canal do YouTube.

O primeiro trabalho como animador de festa veio com um pedido de uma amiga para emprestar uma roupa de palhaço. A resposta de Bruce foi: “Pode ser eu mesmo, eu mesmo faço. Pode deixar, eu vou fazer”. E assim recebeu pela primeira vez por um trabalho na área de festas infantis. Depois disso, não faltou coragem nem empecilho, Bruce se vestiu de quem fosse pedido para ser.

Os pais começaram a contratar Bruce para fazer a alegria das festas dos filhos e os pequenos foram os maiores incentivadores. Eles viram naqueles personagens a alegria, a inocência e pureza da brincadeira e abraçaram o artista. O artista explica que nesse universo não há limites, se caracteriza do que for preciso para entrar na magia, até mesmo quando não tem a fantasia.

Há 3 anos, o paraibano se recorda do melhor show que fez na vida: o cover do cantor Wesley Safadão. Apesar de Michael Jackson e Roberto Carlos terem sidos os primeiros famosos a serem interpretados por ele para trabalhos em aberturas de lojas e os primeiros em festas para adultos, foi na imitação do cantor de forró que o novos trabalhos começaram a surgir. O cover de Wesley é, desde 2017, o mais pedido para os shows particulares e contratos comerciais.

Na orla da capital, vestido de Michael Jackson, Bruce tirava foto com quem passava e cobrava R$ 2 pelo registro com o astro do pop cover. Depois disso, foi mais fácil se tornar outros artistas. O “Wesley Cover” abriu as portas para apresentações como Gabriel Diniz, Bell Marques e Frank Aguiar. O investimento dobrou e novos artistas fizeram parte do repertório de Bruce.

A preparação para as performances é feita através da observação, segundo o artista. Um novo cliente solicita o cover de um famoso e Bruce vai em busca de tentar recriar o pedido. Assiste vídeos, tira fotos, aprende detalhes, particularidades e procura entrar de cabeça na interpretação. Não mede esforços para ser o cover de qualquer cantor.

Assim como o ídolo das artes marciais, Bruce se inspirou no pai quando decidiu seguir pela área artística. Segundo o artista, o pai tocava sanfona, violão, e fazia trabalhos artesanais. Infelizmente, não conseguiu trabalhar como artista e foi funcionário público durante toda a vida.

Apesar da inspiração dentro de casa, as dificuldades sempre estiveram presentes. Mesmo assim, Bruce nunca desistiu. Nem sempre teve a fantasia ideal, uma agenda cheia ou um trabalho certo. Porém, seguiu firme e contou com ajuda de amigos para costurar uma roupa para caracterização ou emprestar uma peça para compor o figurino.

O amigo Michael Cavalcanti, de 42 anos, sempre acreditou no trabalho do artista. O riso em torno da figura de um super herói ou de um palhaço nem sempre era de alegria. Mas ele viu desde a infância a garra e a coragem do artista. “Eu conheço Bruce desde pequeno e desde aquela época ele sempre quis fazer o que ele faz. E eu não vejo outra pessoa igual a ele que se esforce tanto e que tenha o talento dele”, afirmou Michael.

Os que acompanharam a trajetória do paraibano guardam lembranças de apresentações em escolas, festas infantis e até mesmo nas ruas. Camila Cavalcante, hoje com 20 anos de idade, viu Bruce pela primeira vez aos seis anos, no aniversário do primo. Para ela, a lembrança é inesquecível porque o artista deu vida a novo personagem favorito dela. “Eu me apaixonei pelo personagem do Homem-Aranha por causa dele, porque a apresentação era fora do comum. E até hoje, depois de ter crescido, eu gosto muito do trabalho dele”, contou Camila.

Viver de arte, segundo Bruce, tem seus altos e baixos, mas ele acredita que é sempre bom pensar que não há o inalcançável. Em outubro de 2019, Bruce alcançou destaque em uma rede social após receber uma notificação para que ele não mais fizesse cover do youtuber Luccas Neto. Os usuários apoiaram o trabalho do paraibano e levantaram campanhas para que ele não fosse impossibilitado de fazer o personagem. O G1 tentou falar com o influenciador digital, mas não teve retorno.

O apoio fez com que ele percebesse que poderia ir ainda mais longe e que outras pessoas de vários lugares poderiam conhecer suas caracterizações. “Sou grato à internet pelo apoio. Agora o que vier de bom é lucro porque eu queria simplesmente poder ser visto e ter esse apoio”, afirmou.

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