Depois de anos no ostracismo, o mercado fonográfico voltou a crescer graças aos serviços de streaming. Agora, as gravadoras voltam a atrair a atenção dos investidores. A abertura de capital da Warner Music, nos EUA, é um sinal de que jogo virou

Quando a Universal Music vendeu uma fatia de 10% para um consórcio liderado pela chinesa Tencent em dezembro do ano passado, o mercado foi surpreendido pela avaliação da companhia: US$ 33 bilhões.

A reestreia da Warner Music em Wall Street, depois de ter seu capital fechado em 2011, quando foi comprada por US$ 3,3 bilhões pela Access Industries, do ucraniano Leonardo Blavatnik, é mais um sinal de que a indústria fonográfica está voltando às paradas de sucesso.

Em 2000, a indústria fonográfica atingiu seu auge, quando faturou US$ 23,8 bilhões. Desde então, as receitas começam a cair. O setor não soube se adaptar às mudanças do mercado e resolveu lutar nos tribunais contra serviços de pirataria, como o Naspers, em vez de digitalizar seus produtos.

O resultado foi que, em 2010, o faturamento global do setor tinha caído para US$ 15,1 bilhões. Até 2015, a indústria ficou nesse patamar, como um caranguejo andando de lado.

Mas a partir de 2015, as coisas começaram a mudar. E depois de um longo inverno, o setor voltou a crescer – lentamente, é verdade. Dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês) mostraram um avanço de 3,5% em 2015, o primeiro depois de muitos anos de queda. Em 2018, o dado mais recente, o faturamento da indústria fonográfica atingiu US$ 19,1 bilhões.

Boa parte desse avanço deve-se aos serviços de streaming, como Spotify, Apple Music, Amazon Music e Deezer. Nos Estados Unidos, eles representam 80% da receita do setor. Globalmente, a fatia está perto de 50%, segundo a IFPI. As gravadoras ganham uma remuneração toda vez em que uma música de seu catálogo é ouvida pelos usuários.

“Se tivessem me perguntado, há dez anos, eu não pensaria em dizer isso, mas agora, para um gestor, os ativos de música são relativamente sólidos e seguros para acrescentar ao seu portfólio”, afirmou Mark Mulligan, diretor da empresa de pesquisa londrina MIDiA Research, em uma entrevista à Variety.

De acordo com prospecto apresentado aos investidores, a gravadora, que tem no seu catálogo artistas do calibre de Ed Sheeran, Bruno Mars e Cardi B, informou lucro de US$ 258 milhões no ano fiscal de 2019. O faturamento saltou de US$ 3,6 bilhões, em 2017, para US$ 4,5 bilhões, em 2019.

A companhia aposta que os serviços de streamings vão fazer com que os consumidores ouçam cada vez mais músicas. Um estudo da IFPI apurou que os usuários ouviram, em média, 18 horas de música por semana em 2019. A média é ainda maior se levarmos em conta apenas os millennials (pessoas com idade entre 23 e 38 anos), que ouviram 29,7 horas de música por semana.

De acordo com os dados da Warner Music, a rapidez em se adaptar a esse ambiente virtual, fechando acordos pioneiros com empresas como Apple e YouTube, foram cruciais para a gravadora manter a liderança no setor.

“Nos adaptamos ao streaming mais rapidamente do que qualquer outro grande player do setor e, em 2016, fomos o primeiro grande conglomerado fonográfico a reportar o streaming como sendo o maior responsável percentual de nossa receita com música”, diz um trecho do documento.

A empresa explica ainda que 25% de sua receita vem da venda de mídias físicas; 14%, de shows e performances; e 2% com a comercialização de licenças de músicas para videogames, comerciais, filmes e afins.

A IFPI estimava o número de assinantes pagos de serviços de streaming em 255 milhões em 2018. Mas há ainda muito espaço para crescer. Menos de 8% dos 3,2 bilhões de smartphones no mundo estão cadastrados junto a uma empresa da área.

Citado 18 vezes no documento, o Brasil parece ser um mercado importante para a Warner Music, que explora novos mercados apostando em talentos locais. Por aqui, a Warner Music conta com a Anitta como um case de sucesso.

A Warner Music também fez aquisições que a posicionarem bem neste novo mundo digital. Em 2018, por exemplo, ela comprou a Sodatone, empresa de dados que oferece insights sobre o possível sucesso de artistas e suas canções.

Pouco depois, foi a vez da aquisição da UPROXX, empresa de produção de vídeo com foco em conteúdo jovem. Na esteira das compras, a Warner também levou a Songkick, usada pelos usuários para “descobrir” novos artistas.

Mas como todo disco tem seu lado B, o IPO da Warner Music também conta com questões que podem afugentar os investidores. Uma delas é sua dívida de US$ 3 bilhões. A outra são as ações que serão vendidas no IPO, que não darão direito a voto.

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Com uso de Big Data e da alta tecnologia, o varejo pode voltar ao tempo em que os lojistas conheciam os clientes pelo nome. Conheça as principais tendências apresentadas na NRF

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Sua grande cartada, entretanto, veio no início de 2019, quando a novata alcançou o status de unicórnio, ao atrair um aporte de US$ 300 milhões liderado pelos fundos Sequoia Capital China e Hillhouse Capital. Com a rodada, a empresa somou US$ 461,1 milhões em sete aportes. E acelerou sua expansão para mais de 180 cidades na China e no sudeste asiático.

Primeiro país fora da região a receber uma operação da Lalamove, o Brasil entrou nesse jogo em junho de 2019. E depois de iniciar sua jornada local com foco em pequenas e médias empresas, a startup está ampliando seu roteiro, em uma aposta que promete acirrar a disputa pela última milha no País.

O principal ponto desse novo mapa é a extensão da oferta para grandes empresas. “No início, nós tivemos problemas para reter os motoristas”, afirma Philippe Rambaud, responsável pela expansão da empresa na América Latina. “Esperamos seis meses para não queimar a relação com esse perfil de clientes. Mas, agora, entendemos que já temos uma frota capaz de atendê-los.”

Desde o seu desembarque no Brasil, a Lalamove alcançou uma base de mais de 5 mil entregadores, que já respondem por um volume diário superior a 500 pedidos, realizados por uma carteira de mais de 500 clientes ativos, boa parte deles PMEs.

Os números ainda estão distantes dos mais de 2 milhões de entregadores parceiros da startup na Ásia. Mas a conta bancária recheada indica que a empresa pode bater de frente, em breve, com outros unicórnios no País, em especial a Loggi, companhia também focada no B2B e que tem uma base de 25 mil motoboys cadastrados apenas em São Paulo.

“Acredito que exista espaço para mais nomes nesse mercado”, diz Rambaud. Ele ressalta que ter uma segunda oferta é bom tanto para usuários como para motoristas. Sem deixar de apontar as vantagens da Lalamove nessa corrida. “A Loggi é muito focada em duas rodas. Estamos fazendo mais do que isso.”

Além de motoboys, a Lalamove trabalha com o cadastro de motoristas de vans, fiorinos e caminhões de menor porte. Cerca de 30% da frota atual é composta por quatro rodas. Na proposta da companhia, os preços iniciais das entregas variam de R$ 9 a R$ 100, de acordo com o serviço contratado.

Para ganhar corpo entre as grandes empresas, a companhia investe em um pacote que inclui recursos como a possibilidade de agendar entregas, o rastreamento em tempo real da carga e a entrega de relatórios mensais de controle.

“Eles têm alguns desafios para escalar essa oferta”, diz Mauro Schluter, professor de logística da Universidade Mackenzie. “Mas o principal é mostrar que o serviço deles é confiável e, ao mesmo tempo, bom e barato.”

Os novos rumos no mercado brasileiro também passam pelo reforço da atuação no atendimento direto a consumidores, um segmento que coloca mais um unicórnio, a colombiana Rappi, no roteiro da empresa. Hoje, esse nicho responde por cerca de 15% das entregas feitas pela plataforma. Até o fim do ano, a meta é chegar a uma participação de 30%.

Os investimentos em marketing digital e offline, com destaque para a adesivação de carros com a marca da companhia, estão entre os principais movimentos para ampliar a presença no B2C. “É um mercado de potencial gigantesco”, diz Rambaud. “Com poucos cliques, qualquer um pode ter um caminhão em casa.”

O executivo francês conheceu a Lalamove quando trabalhava na área de operações da Foodpanda, app de delivery, em Hong Kong. Na época, ele precisou recorrer ao serviço da startup para mudar de residência. Seu novo endereço ficava em um bairro a 50 quilômetros de distância.

Na empresa há dois anos, Rambaud iniciou a operação em países como Filipinas e Indonésia. Na América Latina, seu passo mais recente foi a abertura, em dezembro, do escritório no México. Entre o fim de 2020 e início de 2021, ele prevê a chegada da companhia na Colômbia, no Peru e no Chile.

Enquanto isso, a Lalamove projeta ampliar a estrutura no Brasil, hoje composta por unidades em São Paulo e no Rio de Janeiro, praças nas quais a empresa já atua. Além da possibilidade de novos escritórios, a previsão é dobrar a equipe atual, de cerca de 50 profissionais, até o fim de 2020. De olho na oferta para empresas de grande porte, uma das prioridades é reforçar o departamento de vendas.

A expansão também envolve a chegada em novas capitais, como Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Fortaleza (CE). Ao mesmo tempo, o plano inclui aumentar as frotas em outras cidades nas quais a Lalamove já marca presença, porém, ainda de forma tímida. Entre elas, Santos, Campinas e São José dos Campos.

A maior prova, porém, do apetite para endurecer a disputa nas ruas do País é a estratégia inicial de atração dos entregadores adotada pela empresa. Desde que chegou ao Brasil, a Lalamove não tem incluído a taxa normalmente cobrada desses parceiros em cada pedido. Em seu modelo de negócios original, as receitas vêm dessa fonte e também dos percentuais pagos pelos clientes.

Rambaud reforça que a isenção de taxas é uma estratégia temporária adotada pela companhia em todo os mercados nos quais desembarca. Ele não revela quando essa tática será encerrada no Brasil. Mas frisa que o fato de ter fôlego em caixa não significa que a operação tem um cheque em branco para queimar dinheiro no País.

“Somos diferentes de outras startups. Não recebemos milhões para gastar. Tanto que antes de diversificar, tivemos que escolher um foco inicial para avançar no Brasil”, afirma. “Mas temos dinheiro suficiente para crescer de forma sustentável no País. E à medida que mostramos resultado, estamos atraindo mais recursos da matriz.”

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O paulistano Vinícius Pernia, de 23 anos, era um criador de conteúdo para redes sociais desde os 11 anos de idade. Ao longo do tempo, ele testou diversas plataformas, do YouTube ao Instagram, conseguindo relativo sucesso. Mas nada comparável ao que aconteceu em dezembro de 2019, quando publicou um vídeo de 15 segundos no TikTok com uma música de sua criação.

Chamada de “Respondendo perguntas”, a canção se tornou um sucesso instantâneo. Em apenas uma semana, ela foi visualizada 10 milhões de vezes. “O TikTok mudou a minha vida”, disse Pernia, ao NeoFeed. “Hoje, eu vivo da internet.”

Pernia, que é conhecido como @vincynite no TikTok, se tornou personagem de um dos maiores sucessos da rede social no Brasil. Sua música de 15 segundos virou uma febre no aplicativo e milhares de pessoas fizeram suas próprias versões, incluindo famosos como a atriz Cinthia Cruz e influenciadores digitais como Camila Loures, Valentina Schulz, Klebio Damas e Luis Mariz.

O TikTok, que pertence à chinesa ByteDance, pode não ser conhecido do grande público. Em especial, daqueles que têm mais de 30 anos. Mas exatamente por atingir um público jovem com vídeos curtos sobre temas que vão de comédia, arte, maquiagem até muita música com adolescentes saltando para todos os lados, ele está ganhando tração no Brasil e no mundo e transformando-se no pior pesadelo do YouTube, do Google, e do Instagram, do Facebook.

O número de usuários brasileiros que acessam o TikTok cresceu 316% em 2019, de acordo com dados obtidos com exclusividade pelo NeoFeed com a comScore, empresa que mede a audiência da internet. Em dezembro do ano passado, foram 7,3 milhões de visitantes únicos. Um ano antes, eram 1,7 milhão.

É verdade que YouTube e Instagram contam com muito mais usuários. Mas crescem bem menos no Brasil. O serviço de vídeos do Google, por exemplo, avançou 1% em 2019, segundo dados da comScore, quando atingiu 116,4 milhões de visitantes únicos. O Instagram, do Facebook, por sua vez, avançou 11% e teve uma audiência única de 91 milhões.

Globalmente, o TikTok tem mostrado sua musculatura. Em 2019, ele foi o segundo aplicativo mais baixado do mundo, segundo a consultoria Sensor Tower. Foram 738 milhões de downloads no ano passado. Está atrás apenas do WhatsApp, mas à frente de Messenger e Facebook, que ficaram na terceira e na quarta posições deste ranking.

“Nosso objetivo é estimular o conteúdo local”, afirmou Rodrigo Barbosa, gerente de comunidade do TikTok Brasil, ao NeoFeed. “Notamos o que funciona, entendemos porque funciona e adaptamos para o aplicativo.”

A subsidiária brasileira está em operação desde agosto de 2018. O escritório fica na região da Avenida Faria Lima, onde estão localizados os principais bancos e gestoras de investimentos do Brasil. No mesmo prédio do TikTok estão empresas como XP, Uber e Embraer.

O número de funcionários locais não é revelado. “Temos crescido bastante”, limita-se a dizer Barbosa. Dois estúdios de tevê foram montados para apoiar os criadores de conteúdo. A equipe local dá ainda suporte aos criadores de conteúdos com cursos online e presenciais.

“O que o Instagram fez com as imagens, o TikTok está fazendo com os vídeos”, afirma André Miceli, coordenador do MBA de marketing e negócios digitais da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Não sei se vai ser um pesadelo ou representar o fim e a derrocada de serviços como YouTube ou Instagram, mas o TikTok vai incomodar bastante.”

Outra tarefa da operação local do TikTok é buscar parcerias com empresas. A Sony, por exemplo, divulgou com exclusividade a música #CarnavalChegando, do DJ Rennan da Penha, antes do lançamento oficial. Um trecho de 15 segundos da música ficou disponível na plataforma por dois dias.

O Guaraná Antarctica, da Ambev, também fez um acordo com a plataforma e lançou uma série de 27 latas temáticas. As latas traziam uma espécie de QR Code que ao ser escaneado redirecionava os usuários para o perfil da marca no TikTok.

A maneira mais surpreendente de uso do TikTok, até agora, veio da suíça Nestlé, que resolveu usar a rede social para recrutar internamente dois profissionais para a sua área de marketing do achocolatado Nescau.

“A ferramenta é muito utilizada pelos jovens e Nescau é uma marca que conversa fortemente com essa geração”, afirmou Abner Bezerra, head de marketing de Nescau e bebidas da Nestlé Brasil, ao NeoFeed. “Buscamos o perfil de uma pessoa curiosa, criativa e aberta ao novo.”

A Nestlé já recebeu 20 vídeos de interessados às duas vagas. A análise vai levar em conta a forma como os candidatos exploram a ferramenta para contar a história e justificar o porquê do interesse pela vaga, o quanto souberam usar os recursos do TikTok, observando as facilidades e dificuldades que encontraram para lidar com um novo aplicativo. O resultado deve ser divulgado em breve.

Essa proximidade com grandes marcas até agora não tem gerado recursos à operação brasileira. No Brasil, ainda não há nenhum modelo de negócio. As empresas não pagam para impulsionar os posts, nem há publicidade na plataforma. Produtores de conteúdos também não são remunerados.

Pernia, por exemplo, está aproveitando sua popularidade no TikTok – são mais de 700 mil seguidores – para prestar serviços a marcas, como o Guaraná Antarctica e o chiclete Trident. “As visualizações geram interesse das marcas”, afirma ele. “Consigo inserir as marcas dentro do conteúdo.”

Fora do Brasil, no entanto, o TikTok tem um modelo baseado em publicidade e na venda de emojis e stickers para seus usuários. A Sensor Tower estima que isso gerou US$ 176,9 milhões em 2019. Mas a receita vem crescendo de forma acelerada. No quarto trimestre do ano passado, foram US$ 88 milhões, o dobro do trimestre anterior e seis vezes mais do que o mesmo período de 2018.

O crescimento acelerado do TikTok não aconteceu por acaso. O serviço de vídeos curtos pertence a chinesa ByteDance, avaliada em US$ 78 bilhões e com investimentos de fundos de venture capital como Sequoia Capital e Softbank.

A ByteDance ganhou projeção com a plataforma Toutiao, um agregador de notícias que usa inteligência artificial para adaptar seus conteúdos aos usuários. Mas seu fundador, Zhang Yiming, resolveu adaptar o conteúdo apostando em vídeos. Em 2016, ele lançou o Douyin, um aplicativo de vídeos curtos que alcançou 100 milhões de usuários na China,

No fim de 2017, a ByteDance comprou o Musical.ly, um aplicativo de vídeo de Xangai com boa penetração fora da China, por aproximadamente US$ 900 milhões. Um ano depois, surgia o TikTok, que só pode ser acessado no exterior. O Douyin não desapareceu e segue sendo usado na China.

O TikTok nasceu da costela do Musical.ly e com mais de 200 milhões de usuários globais. Hoje, estima-se que mais de 500 milhões de pessoas usem o aplicativo de origem chinesa, que está em mais de 150 países. Acredita-se que dois terços de seus usuários tenham menos de 30 anos. Só o Snapchat atinge público semelhante.

O maior mercado do TikTok é a Índia, onde estão aproximadamente 30% de seus usuários. Mas o aplicativo vem crescendo em diversos mercados, não só nos países emergentes.

Um desses mercados é os Estados Unidos, onde a companhia fez um anúncio durante o Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano – vencido pelo Kansas City Chiefs, no início de fevereiro. A ideia é promover a marca por lá em eventos esportivos, segundo uma reportagem do The Wall Street Journal.

O sucesso do TikTok é apoiado numa fórmula simples. Ele tem nativamente uma ferramenta de edição de vídeos cheia de recursos e de fácil manuseio. Além disso, o serviço conta com trilhas de diversas músicas, de apenas 15 segundos, para serem acrescentadas às imagens. Os usuários podem criar suas próprias canções, que, por sua vez, podem ser usadas nos vídeos de outras pessoas na própria rede social.

Uma pesquisa da comScore com jovens de 18 anos a 24 anos no Brasil descobriu que eles gastam, em média, oito minutos por dia no aplicativo. De janeiro a junho de 2019, quando foi feita a pesquisa, a média de minutos diários aumentou 161%.

“O TikTok é mais uma plataforma que estimula o efêmero, não oferecendo sustentação das informações”, diz Beth Saad, professora titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). “É boa para o jovem que tem pressa, mas não contribui para ele estar mais informado. Contribui apenas para ele estar conectado e sentir-se pertencente a um grupo.”

A rápida expansão do TikTok não passou despercebida, principalmente, pelo Facebook, dono do Instagram. No ano passado, Mark Zuckerberg resolveu colocar em prática uma estratégia que deu muito certo para brecar o avanço do Snapchat: copiar recursos.

Explica-se: o Snapchat era uma rede social que crescia de forma acelerada nos Estados Unidos, principalmente entre o público jovem. O Facebook, por sua vez, via seu público envelhecer e temia perder usuários no Instagram para a rede social fundada por Evan Spiegel.

O recurso de maior sucesso do Snapchat era o “Stories”, vídeos que eram publicados pelos usuários, mas que desapareciam depois de 24 horas, sem deixar registros na rede social.

Zuckerberg fez a sua própria versão do “Stories” e o disseminou para o Facebook, para o WhatsApp e, claro, para o Instagram. A estratégia deu certo e o Snapchat segue estagnado nos Estados Unidos. O Instagram, ao contrário, decolou.

Parece que Zuckerberg usará da mesma estratégia para tentar combater o TikTok. No ano passado, o Facebook lançou sem grande alarde o aplicativo Lasso, que traz uma experiência similar ao TikTok, permitindo ao usuário fazer vídeos curtos, dublar e utilizar ferramentas de criação, incluindo filtros de imagem e efeitos de edição.

Será que dessa vez vai funcionar? “Eu temo que eles tenham perdido o timing por achar que os Stories, do Instagram, eram parecidos e suficientes para barrar as funcionalidades de vídeo do TikTok”, diz Miceli, da FGV. “Não sei se dará tempo de frear a ponto de acontecer o que aconteceu com o Snapchat.”

“O TikTok é uma rede social baseada em talento e não em status”, afirmou Spiegel, durante o Digital Life Design, que aconteceu na Alemanha, em meados de janeiro. “As pessoas passam algum tempo na rede tentando aprender uma nova dança ou uma nova maneira de contar uma história, estão fazendo conteúdo para entreter.”

Ao contrário de outros competidores, o TikTok usa de uma estratégia engenhosa. Ele permite que todo o seu conteúdo possa ser compartilhado em outras redes sociais, do YouTube ao Instagram, do Twitter ao WhatsApp. E quando isso acontece, a marca sempre fica em evidência. “Tudo é fácil de ser copiado”, diz Barbosa, do TikTok Brasil. “Mas todo mundo que associa vídeos curtos, memes, criatividade e comédia, pensa no TikTok.”

Mas mesmo com vida tão curta, o TikTok já coleciona polêmicas. No Brasil e lá fora. Por aqui, a criação de um perfil do ator pornô Kid Bengala causou controvérsia, pois o aplicativo é bastante popular entre o público mais jovem – muitos menores de idade. Na ocasião, a empresa respondeu, por meio de nota, que “usamos aprendizados como esse para lapidar nossos filtros e esforços de moderação.”

Ao NeoFeed, Barbosa, do TikTok Brasil, disse que existem diversos filtros, automáticos e manuais, que controlam o conteúdo. E que as equipes que fazem essa avaliação são regionais. “É uma equipe que segue as regras do Brasil”, afirmou.

Nos Estados Unidos, a preocupação é outra. Em dezembro do ano passado, o exército americano proibiu o uso do aplicativo. A alegação era que seu uso poderia representar uma ameaça à segurança nacional.

Dois senadores, o democrata Tom Cotton e o republicano Chuck Summer, também se preocuparam com o TikTok e chamaram os serviços de inteligência para avaliar as atividades da rede social. O receio era de que ele poderia ser obrigado a apoiar e colaborar com operações de inteligência controladas pelo governo chinês.

Nada disso, até agora, parece impedir o avanço do TikTok no Brasil e no mundo. É cedo ainda para saber se a rede social chinesa deixará de ser um pesadelo para Instagram ou YouTube e se tornará, de fato, uma realidade assustadora.

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Em fevereiro do ano passado, o anúncio veio por meio de um tweet. “See you soon Brazil!”, escreveu o banco digital alemão N26 na rede social. Era oficial, a fintech com presença em mais de 20 países desembarcaria no concorrido mercado brasileiro.

O escritório foi montado e o general manager da operação local foi escolhido. Eduardo Prota, experiente executivo que trabalhou no Santander, na Cielo e na startup de mobilidade Tripda, assumiu o comando do negócio por aqui e começou a montar o time.

Não demorou para o banco se pronunciar sobre a atuação no mercado local. Em abril, Prota concedeu entrevista ao Infomoney, site de propriedade da XP Inc., e disse que iniciaria as operações ainda em 2019. O ano terminou e nada.

No site do N26 consta a seguinte mensagem: “A conta digital que o mundo ama está chegando”. E um ícone para quem pretende se cadastrar na “Lista de Espera”. Segundo fontes do mercado, ouvidas pelo NeoFeed, a tal espera pode não ter fim.

Profissionais que conhecem a empresa disseram que a matriz desistiu de operar no Brasil. Os funcionários já teriam sido avisados pelo board da companhia que o País já não faz mais parte do plano de crescimento da fintech. Pelo menos, agora.

Procurado pelo NeoFeed, Prota afirmou que o N26 continuará operando no Brasil. Sobre o início da operação, o executivo afirma que “a data está bastante aberta” e que vai iniciar “quando tiver um produto bom e competitivo”.

Indagado sobre funcionários do banco que estariam deixando a operação no Brasil, ele também diz que “como em qualquer empresa, há um ajuste de rota”. Mas preferiu não comentar sobre o número atual de funcionários.

Executivos que conhecem a operação do N26, entretanto, disseram ao NeoFeed que o que teria feito a fintech repensar a sua presença no Brasil foi, principalmente, o tamanho de seus rivais já estabelecidos por aqui.

O Nubank, cujo modelo mais se assemelha ao N26, por exemplo, já conta com mais de 20 milhões de clientes. O Inter tem mais de 4,5 milhões, o Original ultrapassou os 3 milhões, o Neon está com 2 milhões e o C6 conta com 1 milhão de clientes. Detalhe: à exceção do Nubank, que ainda está em fase inicial de internacionalização, todos são focados no mercado brasileiro.

Fundado em 2013 pelos empreendedores austríacos Valentin Stalf e Maximilian Tayenthal, o N26, de acordo com o site CrunchBase, já recebeu US$ 682,2 milhões em sete rodadas de investimentos. Isso fez com que seu valor de mercado atingisse os atuais US$ 3,5 bilhões.

Entre os principais investidores do N26 estão a chinesa Tencent, que também já aportou US$ 400 milhões no Nubank; a Horizon Ventures; o fundo GIC de Cingapura; e o Valar Ventures, do empresário americano Peter Thiel – o cofundador do PayPal e da Palantir.

A fintech alemã tem muito funding, é verdade, mas não o suficiente para engatar uma operação robusta no Brasil ao mesmo tempo em que opera em mais de duas dezenas de países.

O N26 está em 26 países, sobretudo na Europa, e desembarcou nos Estados Unidos em julho do ano passado para tirar clientes de bancões como Citibank, Chase Bank, Bank of America e Wells Fargo. Desde então, conquistou 250 mil clientes nos EUA, atingindo um total de 5 milhões de clientes no mundo.

A avaliação é a de que seria muito difícil ganhar tração no País. Some-se a isso, a dificuldade de obter licenças para atuar aqui. A regulação é muito grande e complexa. “O mercado brasileiro não é fácil. Para se dar bem aqui, tem de ter foco”, diz um banqueiro que atua no segmento digital.

Há também uma competição cada vez mais crescente no universo de contas digitais. Empresas como Mercado Pago, do Mercado Livre; Ame Digital, da B2W; BanQi, da Via Varejo; Magazine Luiza e Lojas Pernambucanas são alguns exemplos de varejistas que estão pisando no acelerador para capturar os clientes dos bancos tradicionais.

Há quem enxergue uma bolha neste segmento. “Muitas vão morrer. Será sangue para todo lado”, diz um executivo do setor. Na visão desse profissional com vasta experiência no mercado financeiro, vai ganhar a competição quem apostar em uma oferta completa. “O próprio Nubank, que começou com cartão de crédito, acordou para isso e está oferecendo mais serviços”, diz ele.

Estima-se que para botar um banco completo de pé seria necessário R$ 1 bilhão em investimento. E isso não é garantia de sucesso. O N26 teria de competir com os bancos digitais que já estão estabelecidos e conhecidos por aqui e também se preparar para as respostas dos bancos tradicionais que estão investindo em marcas digitais.

A reportagem foi publicada na terça-feira, 11 de fevereiro, às 12h12 com a versão de Eduardo Prota, o general manager do N26 no Brasil. Na quarta-feira, 12 de fevereiro, às 15h35, ele enviou a seguinte carta ao NeoFeed.

“O N26 segue 100% comprometido em lançar suas operações no Brasil, conforme anunciado previamente, e continua confiante que a presença no mercado brasileiro será um importante passo em direção ao seu crescimento sustentável globalmente.

Recentemente optamos por operar no mercado brasileiro com uma licença própria, de Sociedade de Crédito Direto (SCD). O pedido já foi submetido ao Banco Central.

Em função desta decisão, o desenvolvimento do produto levará mais tempo do que se optássemos por trabalhar com um banco parceiro. No entanto, acreditamos que nos dará maior independência e flexibilidade para oferecer um produto mais relevante, competitivo e adequado às necessidades do consumidor brasileiro.

Nossa equipe local – em São Paulo – está no momento totalmente focada nos aspectos regulatórios desse processo, enquanto demais colaboradores nas áreas de Negócios estão apoiando nosso time Global em outros projetos prioritários, que suportam o crescimento do N26. Os poucos membros da equipe com sede em São Paulo que foram afetados por essa mudança em nossa estratégia de entrada no mercado receberam a opção de assumir posições alternativas dentro da empresa em nossa sede em Berlim. Voltaremos a expandir nossa equipe local no Brasil no tempo certo, antes do lançamento do produto ao público.

O atual o foco da companhia é continuar crescendo na União Europeia, construir nossa presença nos Estados Unidos, e construir produtos que possamos levar aos consumidores ao redor do mundo, incluindo o Brasil.

Apesar de significar que o lançamento no Brasil deve acontecer depois do que o inicialmente planejado, temos confiança de que esta estratégia vai compensar no longo prazo. A nossa expectativa é lançar a operação brasileira em 2021.”

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Em outubro de 2019, a empresa japonesa Rakuten vendeu sua divisão de plataformas de comércio eletrônico no Brasil. O negócio foi fechado com a Tog Brazil Holding, companhia com sede no estado americano de Delaware, que passou a ser única sócia da brasileira NexGenexis na operação, rebatizada de GenComm. Concluída sem um anúncio oficial, a transação em nada lembrou o barulho feito com o desembarque oficial da gigante asiática no País, em 2011, por meio da compra da também brasileira Ikeda.

Passados pouco mais de três meses, o acordo firmado sem qualquer alarde está deixando dezenas de varejistas na mão. Na segunda-feira 3, a holding NexGenesis, responsável pela GenComm, entrou com um pedido de recuperação judicial na 1ª Vara de Recuperações Judiciais e Falências, em São Paulo.

No processo, conduzido pelo escritório Boccuzzi Advogados, o grupo cita uma dívida de R$ 46,3 milhões. E elenca uma lista de quase 1,5 mil credores. A relação inclui fornecedores e, em sua maioria, clientes da plataforma.

Assim como a aquisição, divulgada em um breve e-mail aos parceiros, o pedido de recuperação judicial foi recebido com um misto de surpresa e preocupação pelos lojistas virtuais hospedados na plataforma. E só reforçou os questionamentos que esses clientes vinham alimentando sobre a saída repentina da Rakuten da operação.

Desde então, conforme apurou o NeoFeed, boa parte desses lojistas tem enfrentado problemas com pagamentos retidos pela agora nomeada GenComm. Entre outras ofertas, o portfólio da empresa inclui o RakutenPay, operação que gerencia e repassa os valores referentes às vendas realizadas por meio da plataforma.

Agora, sob a possibilidade de uma recuperação judicial, as perspectivas desses varejistas ganharam contornos ainda mais críticos. “Muitos lojistas, especialmente os pequenos, estão correndo o risco de quebrar”, afirma Leonardo Mei, proprietário da loja de joias Piuka, de Catanduva, interior de São Paulo, cujas vendas online na plataforma respondem por 60% da receita.

Com um valor retido de R$ 964 mil, o empreendedor não consegue estimar os prejuízos adicionais nesse cenário. Desde que a plataforma deixou de repassar os pagamentos, a Piuka, suspendeu suas vendas pelo canal, que está funcionando apenas como um catálogo de seu portfólio.

Diante do que classifica como “os piores dias de toda a sua operação”, Mei decidiu concentrar o atendimento via WhatsApp e montou uma operação de guerra para acelerar o desenvolvimento do projeto de um novo canal online para retomar as atividades.

Cliente da Rakuten desde 2014, ele não isenta a responsabilidade da companhia nesse processo. “Queremos um pronunciamento global do grupo”, afirma. “Como pode, em três meses, uma empresa ser vendida e, na sequência, pedir recuperação judicial?”, questiona.

Procurada, a Rakuten não retornou o pedido de entrevista do NeoFeed até o fechamento dessa reportagem. Por meio de sua assessoria de imprensa, o escritório Boccuzi Advogados, disse que não poderia comentar o tema.

A GenComm afirmou, por meio de comunicado enviado ao NeoFeed, que “está passando por dificuldades financeiras, em razão disso, buscou a recuperação judicial”. A empresa acrescentou que prefere não fazer outras declarações, em virtude de o processo estar sendo apreciado pela Justiça.

Diante da ausência de informações e da velocidade dos acontecimentos, outros clientes levantam dúvidas nesse contexto. “Como todo o processo foi muito rápido, muitos lojistas acham que fomos vítimas de um golpe, de uma fraude”, diz Raquel Pires Portugal, dona do e-commerce carioca de fitness e de moda praia Habiller.

Ela já vinha identificando o repasse de valores inferiores desde novembro. E, estima um prejuízo de cerca de R$ 40 mil com os pagamentos bloqueados e as vendas que está perdendo, em função do problema. Especialmente em um período no qual a procura por seus produtos cresce.

“Estou migrando o mais rápido possível para outra plataforma para aproveitar o que resta do verão e fazer promoções para girar rápido meu estoque”, afirma Raquel. “Mas outros lojistas estão em dúvida se mudam, porque, além de tudo, isso poderia configurar quebra de contrato.”

A falta de interlocução com a empresa é outro problema apontado. “Não tivemos nenhum suporte deles, a não ser a orientação para procurar a Justiça”, diz Roberto Rios, sócio do site Regina Rios, de calçados femininos. “E só ficamos sabendo da recuperação judicial por terceiros”, acrescenta.

Rios conta que está controlando o estoque com um volume mínimo de ofertas para manter o site no ar. As vendas, no entanto, estão suspensas desde ontem. Já os pagamentos, deixaram de ser repassados pela GenComm a partir de meados de janeiro.

O pedido protocolado pela GenComm e as demais empresas da holding traz mais detalhes sobre a operação da Rakuten, a aquisição e os desdobramentos do acordo. Segundo o documento, o negócio no País nunca foi lucrativo.

Nos 12 meses anteriores à aquisição, o prejuízo contabilizado ficou em cerca de R$ 40 milhões. Além das perdas, o montante inclui um investimento de R$ 12 milhões em pesquisa e desenvolvimento.

Mesmo sob esse contexto, o grupo ressalta que decidiu assumir o controle do negócio, no qual já tinha uma pequena participação, pois entendia que seria capaz de reestruturar a operação e tirá-la do vermelho. Especialmente por conta das boas perspectivas do e-commerce no País.

A companhia observa, porém, que, ao assumir a operação, percebeu que as dificuldades eram ainda maiores. Entre os fatos novos que vieram à tona, estava um contrato com a XiaomiBRZ, uma revendedora não autorizada de produtos da fabricante chinesa de smartphones Xiaomi, que comercializava os produtos da marca a preços inferiores da média do mercado.

A empresa em questão chegou a responder por 50% das vendas realizadas na plataforma da Rakuten, com um faturamento médio mensal de R$ 10 milhões entre fevereiro e setembro de 2019. A GenComm alega, no entanto, que a revendedora deixou de entregar 60% dos pedidos realizados nesse intervalo, o que gerou uma série de contestações de consumidores.

Segundo a companhia, houve diversas tentativas de resolução do caso junto a XiaomiBRZ. Sem sucesso nessa frente, a GenComm afirma ter sido obrigada a assumir o passivo gerado, com um saldo de R$ 5,5 milhões.

Outro fator apontado pela empresa que contribuiu para ampliar as dificuldades financeiras e o fluxo de caixa para tocar a operação foi o corte de uma linha de crédito que a Rakuten mantinha com o banco Itaú Unibanco, no valor de R$ 65 milhões. Além do bloqueio, a GenComm afirma que a instituição passou a recolher qualquer valor recebido pelo grupo como forma de amortizar a dívida contraída, incluindo os pagamentos das vendas realizadas pelos lojistas.

No documento, a empresa também relata algumas medidas que está implantando para reestruturar o negócio. A primeira delas é a redução do portfólio de dez para três produtos. Acompanhada por uma nova política de preços, em decorrência da percepção que os valores cobrados estavam defasados.

Outra iniciativa foi a redução no quadro de funcionários, de cerca de 200 para 68. Bem como uma negociação para reduzir em 50% o valor de locação do imóvel que abriga a sede da empresa, na zona oeste de São Paulo.

Fundada em 1997, a Rakuten está presente em mais de 30 países, por meio de mais de 70 diferentes linhas de negócio. Famosa por sua atuação no comércio eletrônico global, a empresa marca presença ainda em segmentos como mídia, energia, finanças, investimentos e esportes, setor pelo qual ganhou ainda mais fama, como patrocinadora do Barcelona.

Com cerca de 1,3 bilhão de usuários de seus serviços em todo o mundo, a empresa tem um valor de mercado de US$ 10,9 bilhões e apurou uma receita líquida de US$ 8,3 bilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2019. O faturamento consolidado de 2018 ficou em US$ 9,9 bilhões.

No Brasil, a presença atual da empresa está restrita a Rakuten Marketing, divisão de negócios de publicidade digital. Antes de se desfazer de seus negócios de comércio eletrônico no País, o grupo investiu em algumas mudanças de rota na estratégia para o setor.

A operação deu seus primeiros passos no mercado local com uma oferta no modelo de marketplaces. Entretanto, com os resultados pouco animadores nesse formato, ainda pouco em voga na época no País, o grupo decidiu focar seu portfólio nos produtos e serviços de tecnologia para as lojas virtuais de terceiros.

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