Houve uma época, não tããããããooo distante assim, em que TVs de tubo, projetores de luz, máquinas de rebobinar fitas cassete eram equipamentos eletrônicos comuns nos lares do mundo inteiro. No século XXI, no entanto, tais objetos são considerados “lixos analógicos”. Acontece que para a banda japonesa Open Reel Ensemble [“Conjunto de Bobinas Abertas”, em tradução livre], esse material descartável serve de matéria prima para a criação musical.

Liderado pelo programador e compositor Ei Wada, o projeto faz um som com utensílios aparentemente incapazes de produzir melodias. Fortemente inspirada no movimento francês “musique concrète” [“música concreta”, em português], — dos anos 1940, que se tornou conhecido pelas composições eletroacústicas com “instrumentos não-musicais”, como gravadores, fonógrafos e microfones, por exemplo, a banda cria canções que transitam entre a clássica dance music experimental e os sofisticados sons ambiente de galerias de arte.

De um jeito ou de outro, ao fazer canções a partir de equipamentos ultrapassados, o Open Reel Ensemble resgata os primórdios da música eletrônica, ou seja, antes do surgimento dos sintetizadores. Em conversa com o site Open Culture, Wada também explica que a iniciativa presta um tributo ao firmamento do Japão como potencial mundial. “Esses objetos tecnológicos são um símbolo do crescimento econômico do Japão, mas também são descartados em grande quantidade”, disse.

Outra performance emblemática da banda é a música “Exhaust Fancillator” [“Vventilador de Exaustão”, em tradução livre]. Para colocar esse bloco na rua, a turma projetou ventiladores com “cortadores a laser e impressoras 3D”. No fim das contas, o trabalho do   Open Reel Ensemble é uma lição de como improvisar, inventar, reciclar e promover inovação musical.