Músicas de artistas como Dadá Boladão e Felipe Original serão muito ouvidas durante os dias de folia em todo o País, especialmente em Pernambuco, onde o brega funk surgiu e ganhou força

Por: Daniel Medeiros em 10/02/20 às 08h10, atualizado em 07/02/20 às 20h00

Ao que tudo indica, o som predominante do Carnaval que se aproxima será o brega funk. Desde que MC Loma e as Gêmeas Lacração – agora só Loma e as Gêmeas – alcançaram o posto de hit da folia com o amador “Envolvimento”, em 2018, o ritmo de origem pernambucana vem conquistando todo o Brasil. Não por acaso, artistas de peso nacional, como Pabllo Vittar, Léo Santana e Kevinho estão apostando no estilo para o período momesco. Ao mesmo tempo, nomes em ascensão da cena local têm emplacado mais e mais sucessos nas listas de músicas mais executadas do país.”O brega funk já vem sendo o ritmo do Carnaval há alguns anos e continuará assim em 2020, dividindo espaço com outros ritmos que já são tradicionais da festa no Recife e em Olinda”, defende GG Albuquerque, jornalista e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ele afirma ainda que, enquanto o frevo e o maracatu ocupam espaços institucionais e de maior visibilidade na folia, o brega funk é ouvido em polos não oficiais. “Nas ruas de Olinda, por exemplo, você tem todas as orquestras de frevo nos blocos e também o pessoal nas casas, que colocam suas caixinhas de som de bluetooth tocando os MCs”, aponta. Entre as canções que o pesquisador aponta como fortes candidatas a virarem hits da folia momesca, duas têm a assinatura de Felipe Original. “Hit contagiante” – remix de “Evoluiu”, de Kevin O Chris – e “Sentadão” – parceria com o DJ carioca Pedro Sampaio e o produtor pernambucano JS O Mão de Ouro – já contam com milhares de acessos nas plataformas digitais de vídeo e música. Como novidade, ele prepara para os próximos dias o lançamento de “Beat envolvente”, com Jerry Smith, MC Anônimo e Ruxell. Leia também:[Entrevista] ‘O brega funk representa a favela’, diz Shevchenko Quem é o pernambucano JS Mão de Ouro, do hit ‘Tudo Ok’Com 28 anos de idade, Felipe Original é natural de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, e começou a trabalhar com música ainda adolescente. Curiosamente, sua estreia foi cantando rap. “Eu gostava muito de Facção Central e Racionais, mas por aqui isso não era tão valorizado. Quando vi gente como MC Metal e Cego fazendo brega funk, vi uma brecha para entrar na cena musical de Pernambuco”, conta o artista. Em paralelo à carreira musical, ele teve outros empregos e cursou faculdade de logística. Só após a explosão de “Hit contagiante”, resolveu largar o trabalho como auxiliar de almoxarifado e se dedicar totalmente à música.Outro pernambucano que promete estar em todas as playlists deste Carnaval é Dadá Boladão. Contratado pela renomada produtora paulista KondZilla Records, o músico aparece como um dos principais nomes do bregafunk em plataformas de streaming como o Spotify e o Deezer. Um dos responsáveis por esse sucesso é “Surtada”, gravada com Tati Zak e OIK, que “bombou” no ano passado e deve seguir em alta durante os dias de folia. Em dezembro, Dadá participou de “Paredão”, com Kevinho e MC JottaPê. “É um momento único esse que estou vivendo. Sou muito feliz com tudo o que está acontecendo na minha vida, mas tenho certeza que isso aqui é só o começo. Muitas coisas grandiosas ainda estão para acontecer não só comigo, mas para o brega funk. Nosso movimento está só começando a se espalhar no país”, comenta Dadá, que em janeiro teve a oportunidade de cantar pela primeira vez em Portugal. Apesar de todo o sucesso, o músico ainda percebe preconceito com o ritmo que representa. “Por ser um ritmo periférico, sempre vai existir um pouco de preconceito, mas eu creio que 80% das pessoas já aceitaram. Quem criticou um dia, hoje já curte e dança. É o fator da informação, tá ligado? Quando você não conhece algo de fato, fica difícil de gostar daquilo. A partir do momento que você começa a escutar e vê outras pessoas fazendo o mesmo, acaba se envolvendo também. O brega funk tem um swing dançante que as pessoas gostam bastante”, diz. Não dá para falar de hit carnavalesco sem citar “Tudo OK”. A música de JS O Mão de Ouro, Thiaguinho MT e Mila é a mais provável vencedora dessa disputa. Com mais de 50 milhões de visualizações no YouTube, a canção só reforça o sucesso em nível nacional do pernambucano JS, responsável por quatro das 50 músicas mais executadas no Spotify Brasil. Mas será que a popularidade do ritmo pernambucano sobreviverá depois do Carnaval? Para GG Albuquerque, a resposta é positiva. “Acredito que o brega funk continuará em expansão ao longo do ano. Historicamente, a força do movimento já foi provada. Passou por momentos de crise, no sentido de perseguição policial, mas sempre continuou vivo, por dois motivos: a capacidade de inventiva dos artistas e seu poder comercial. Há um lastro econômico que foi sendo criado há quase uma década, uma mentalidade empresarial e um profissionalismo que dão uma perenidade ao ritmo”, explica.

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