A participação do Iron Maiden no Rock in Rio ganhou destaque nos principais jornais do país, muito em torno do grandioso espetáculo montado no palco, com cenografia digna de grandes teatros.

A banda inglesa de heavy metal é famosa por suas letras inspiradas em fatos históricos, como Where Eagles Dare, que aborda as batalhas nos Alpes; The Clansman que conta as lutas de independência da Escócia; Flight of Icarus na lendária história de Ícaro; e ainda Aces High, inspirada nas batalhas aéreas entre britânicos e alemães na Segunda Guerra.

Aliás, muitos se surpreendem com a presença de um avião que “voa” sobre o palco, que ocorre justamente em Aces High. O avião é uma réplica do Spitfire, o caça britânico da Royal Air Force que bravamente ajudou o Reino Unido evitar uma invasão nazista. O avião é amado por seus pilotos e entusiastas, e ainda hoje é reverenciado na Inglaterra como um herói de guerra, algo pouco usual para uma máquina.

Os mais de 20.000 aviões produzidos entre 1948 e 1948, lutaram um sem fim de batalhas e realizaram as mais distintas missões desde interceptador, que foi seu papel mais importante ao enfrentar os Messerschmitt Bf 109 e Focke-Wulf Fw 190, até serviços de  foto-reconhecimento, caça-bombardeiro e treinador.

Durante a Batalha da Grã-Bretanha entre julho e outubro de 1940, o Spitfire se tornou célebre por suas vitórias em combate, seu desempenho e manobrabilidade o tornaram um algoz para os Bf 109. Ainda que os Hawker Hurricane tenham tido um papel incontestável na defesa da Inglaterra, foi o Spitfire que começou a mudar o jogo.

Durante seu desenvolvimento no início da década de 1930, os engenheiros ingleses tinham a difícil missão de construir um novo caça capaz de fazer frente a aeronaves bastante avançadas que estavam surgindo em diversas partes do mundo. Uma das soluções mais famosas, que se tornou a marca registrada do Spitfire, são as asas elípticas. O conceito surgiu da necessidade de construir uma asa que tinha de ser fina o bastante para evitar um grande arrasto e ao mesmo tempo deveria ser capaz de receber o conjunto do trem de pouso, o armamento e sua munição. Na prática era como se tivesse que criar uma asa fina e ao mesmo tempo grossa. A solução para esse paradoxo foi utilizar o perfil aerodinâmico 2200 criado pela NACA (a agência predecessora da Nasa), que permitiu uma asa com uma proporção entre sua espessura e largura (corda) de 13% na raiz da asa (onde ela se junta a fuselagem e recebe a baia do trem de pouso) que reduz de forma bastante suave para uma relação de 9,4% na ponta. Para os anos 1930, menos de trinta anos após o primeiro voo, era uma solução que beirava a perfeição.

O motor escolhido foi o Rolls-Royce Merlin, um V12 de 27 litros de refrigeração liquida, que chegou a superar os 1.400 hp em algumas versões. O motor era uma usina de força, quando estava com máxima aceleração o volume de ar consumido por seus 12 cilindros em um minuto era equivalente ao volume de um ônibus londrino de dois andares. Os gases de exaustão saiam de seus escapamentos com uma velocidade impressionante de 2.100 km/h. Os engenheiros então mudaram o formato dos dutos posicionando os escapamentos para trás, rente a fuselagem, o que gerou uma tração extra de aproximadamente 70 hp apenas com os gases gerados pela queima do combustível. Não era a primeira vez que um motor a pistão usava a “fumaça” a seu favor, mas era a primeira que se tornava um diferencial considerável. Posteriormente ainda usou o ar quente dos gases de exaustão para prevenir o congelamento do armamento montado nas asas.

Sua excepcional folha de serviço em combate levou os engenheiros da Supermarine a utilizar o Spitfire em uma série de estudos ainda durante a Guerra. Em 1943 conduziram uma pesquisa sobre as características de voo das aeronaves voando próximo a velocidade do som. Em um desses testes o avião atingiu a incrível marca de Mach 0,891 (89,1% da velocidade do som, algo próximo a 975 km/h) em um mergulho de 45°.

Além de defender Londres dos pesados ataques alemães, o Spitfire ainda serviu na Frente Oriental com a força aérea da União Soviética, com mais de 1.000 aviões combatendo do lado comunista. Se não fosse o bastante, o modelo ainda foi enviado para o a Batalha do Pacífico, onde encarou os Mitsubishi A6M Zero, os famosos caças japoneses que eram um pesadelo para as forças aliadas. Ainda que o Spitfire fosse tecnologicamente superior, no início se mostrou uma presa fácil para o Zero. Em combates que a perseguição se estendia para uma subida vertical o Zero mostrava sua superioridade, podendo manter uma ascensão por quase 3 vezes mais tempo. A solução dos pilotos britânicos foi apostar em vencer no mergulho, onde o Spitfire levava clara vantagem.