Dando continuidade a uma longa tradição iniciada pelo cineasta Humberto Mauro, ainda na década de 1920, em Cataguases, na Zona da Mata, o audiovisual mineiro segue inventivo e gerando bons negócios. Belo Horizonte sedia entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro dois dos eventos mais representativos da cadeia produtiva do cinema brasileiro da atualidade.

A Max 2018 – Minas Gerais Audiovisual Expo, que vai até o dia primeiro de setembro, chega à sua terceira edição com o objetivo de fomentar e qualificar o setor, reunindo empresas nacionais e estrangeiras compradoras, coprodutoras e investidoras, interessadas no estabelecimento de parcerias para aquisição, coproduções e licenciamentos de conteúdo audiovisual. No ano passado, o evento registrou uma expectativa de negócios da ordem de R$ 380 milhões, volume 45% maior ao contabilizado em 2016, ano de lançamento do festival mineiro.

Para as Rodadas de Negócio da próxima edição, o evento recebeu 429 inscrições de projetos audiovisuais vindos de 11 estados brasileiros, onde destacam-se Minas Gerais (55,94%), Rio de Janeiro (15,31%) e Bahia (7,23%) com o maior número de projetos.
De acordo com a diretora de Fomento à Indústria Criativa da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), Fernanda Machado, a Max é a ponta da cadeia produtiva que tem como missão fazer com que a produção mineira ganhe potencial de mercado. “O audiovisual conquistou uma política pública de apoio e tem recebido investimentos constantes. A Max é a hora de fechar negócio. Sempre tivemos reconhecimento artístico mas ainda precisamos fortalecer o lado comercial. Trabalhamos com parceiros no intuito de tratar a indústria por um panorama 360 graus”, explica.

Voltada para os negócios e também para a exibição, a Mostra CineBH chega à 12ª edição e tem na sua programação o Brasil CineMundi – 9th International Coproduction Meeting, que reúne dezenas de profissionais do audiovisual quem vem ao Brasil exclusivamente para participar do evento, associarem-se a futuros projetos de cinema brasileiro em longa-metragem e conhecer parte da produção mineira. São 23 convidados da indústria audiovisual de 12 países: Cuba, Espanha, Chile, Argentina, Noruega, Suíça, França, Estados Unidos, Uruguai, Alemanha, Itália, além do Brasil.

Segundo a coordenadora-geral da CineBH, Raquel Hallak, 20 projetos foram selecionados para encontros com coprodutores durante o Brasil CineMundi, distribuídos em três categorias: CineMudi, 10; DocBrasil Meeting, cinco; e Foco Minas, cinco. Os projetos são oriundos de sete estados brasileiros: Minas Gerais, oito; São Paulo, quatro; Rio de Janeiro, três; Bahia, dois; Espírito Santo, Goias e Pernambuco, um cada.

“Minas não tem uma indústria do audiovisual instalada. Hoje para finalizar um filme ainda é preciso ir para o Rio de Janeiro ou São Paulo. Trazer esses profissionais aqui é uma oportunidade de apresentar a eles nossas paisagens, nossos profissionais, vender o Estado para futuras produções. Hoje o cinema brasileiro está ancorado nas leis de incentivo. Apresentamos a coprodução como uma oportunidade de receber um investimento direto de produtores e investidores estrangeiros e aumentar a possibilidade de exibição das obras fora do Brasil”, pontua Raquel Hallak.

Antecipação – A Mostra CineBH, que tem o tema “Pontes latino-americanas”, foi antecipada de outubro para agosto justamente para acontecer ao mesmo tempo que a Max. A clara sinergia entre os dois eventos transforma Belo Horizonte na capital da indústria do audiovisual nos próximos dias.

“Não temos que fechar negócios dentro do Meeting. Esse é um processo de namoro, primeiro um despertar de interesse e depois vamos acompanhando os projetos. Observamos como o CineMundi tem sido uma plataforma que estabelece uma abertura para as produções nacionais no exterior, especialmente de filmes que levam uma assinatura cinematográfica brasileira e que não teriam como chegar a esses mercados.

Enquanto a Max tem as rodadas de negócios mais voltada para TV, nós (CineBH) temos o fomento a coprodução. Além disso, realizamos atividades de formação profissional, porque sem mão de obra não existe indústria. É um desafio conjugar arte e indústria e, por isso, escolhemos debater o nosso tema sob muitos aspectos como o econômico, o político e o estético”, completa a coordenadora-geral da CineBH.