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Campanha acende alerta para luta contra feminicídio e violência contra a mulher em MG

Um estúdio de Poços de Caldas (MG) lançou a campanha “Nenhuma a Menos” contra o feminicídio. O projeto produziu um vídeo, no qual o tema é retratado com música autoral e ainda uma encenação. O Brasil é o quinto país em taxas de feminicídio no ranking mundial, segundo levantamento usado no material.

A ideia do projeto surgiu a partir da insatisfação com o aumento de casos de feminicídio no país e na cidade de Poços de Caldas (MG). Em uma conversa, um grupo de artistas teve a ideia de expor a temática de forma didática e que pudesse ser facilmente repercutida.

“Nós pensamos no formato de vídeo por conta da forma como as pessoas têm assimilado a informação via internet. Além da música, há o impacto visual, que é importante. E fizemos em um minuto para que a atenção fosse total, no tempo em que geralmente as pessoas param para assistir algo no celular ”, conta Gilson Ghigiarelli, produtor musical e também um dos cocriadores.

O projeto levou mais de dois meses para ser produzido e contou com uma equipe de 25 pessoas envolvidas, entre músicos, atrizes, produtores, maquiadores, editores e organizadores.

“Todas as pessoas convidadas foram pensadas com muito carinho, todos abraçaram o projeto e se doaram de verdade. Eu acho que é por isso que o vídeo teve um resultado tão bonito, por conta da união e entrega desses artistas”, relembrou Letícia de Jesus Rossi, diretora de casting e cocriadora.

A ideia do vídeo é dar voz às mulheres que não têm, como forma de conscientização e alerta para relacionamentos abusivos. Todos os dados citados no vídeo estão atualizados e refletem através dos números a difícil realidade de muitas mulheres no Brasil.

“Foi um desafio grande fazer uma música de forma que fosse poética e ao mesmo tempo fosse direta. Além disso é uma música curta, precisei sintetizar todo assunto em um minuto, falando sobre o empoderamento e a resistência da mulher na sociedade”, explicou Rodrigo Augusto, o compositor da música.

Em Poços de Caldas, casos recentes de feminicídio acenderam um alerta sobre a importância da discussão do tema. Em janeiro de 2020, o inquérito a Polícia Civil concluiu que a maquiadora Daniele Aparecida Capelari Plachi, de 33 anos, foi morta pelo então noivo, Cássio Ribeiro, em uma cachoeira de Bandeira do Sul (MG), em 2016.

Cássio e Daniele, que eram de Poços de Caldas (MG), estavam a passeio na cidade quando ela se afogou. Na época, o noivo chegou a dizer que ele escorregou primeiro e que quando conseguiu sair de dentro da água, a noiva já havia desaparecido na cachoeira.

No mês de fevereiro, a jovem Ágatha Soares de Brito, de 13 anos, foi morta a facadas. O corpo dela foi encontrado em uma tapeçaria, dias após desaparecer. Segundo a Polícia Civil, o homem de 61 anos deixou uma carta confessando o crime. O motivo seria ciúmes.

Os casos mais recentes motivaram um manifesto nas ruas da cidade, pedindo o fim da violência contra a mulher. Dezenas de pessoas foram às ruas com cartazes e reforçando a frase “Nenhuma mulher a menos”.

Tais casos também motivaram a produção do vídeo e de um documentário sobre a produção dele, com relatos de toda equipe colaboradora. “É importante que esse vídeo cumpra com o nosso objetivo que é levar um pouco de informação . Despertar uma mudança de atitude nas pessoas e promover a reflexão daqueles que desconhecem o assunto”, detalhou Gilson.

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