Conhecida como “anjo bom da Bahia”, Irmã Dulce será a primeira santa nascida no Brasil. A partir de sua canonização, neste domingo, a religiosa será conhecida como Santa Dulce dos Pobres. A cerimônia acontecerá no Vaticano, a partir das 5h15, no horário de Brasília (10h15 no horário de Roma).

A baiana, cujo nome de batismo era Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, manifestou desde cedo seu amor aos pobres e doentes. Aos 13 anos, ela começou a acolher mendigos em casa. Dulce também era fã de futebol e só dormia sentada. A religiosa fundou três cinemas e um deles foi palco do primeiro show de Roberto Carlos na Bahia.

O pai de Irmã Dulce costumava levar os cinco filhos, todos os domingos, para o Campo da Graça, principal estádio da Bahia na época. Dulce se tornou torcedora ferrenha do Esporte Clube Ypiranga, clube que conquistou cinco campeonatos estaduais na década de 1920.

Em 1955, quando uma irmã da religiosa teve complicações na gestação, Dulce fez a promessa de dormir em uma cadeira se o bebê nascesse bem. Ela só voltou a dormir em uma cama 30 anos depois, convencida pelos médicos de que poderia prejudicar sua saúde

Admiradora das artes, Irmã Dulce fundou o Cine Roma, em 1948, que, além de exibir filmes, recebia shows. Foi lá que Roberto Carlos fez sua primeira apresentação na Bahia, em 1965. O local também foi palco de artistas como Raul Seixas e Waldick Soriano.

Além do Cine Roma, ela fundou também o Cine Plataforma e o Cine São Caetano. A arrecadação dos cinemas ajudava a manter a União Operária São Francisco, criada pela religiosa em 1936, que depois deu origem ao Círculo Operário da Bahia.

O nome de Irmã Dulce foi indicado para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, em 1988, pelo então presidente José Sarney, com apoio da Rainha Sílvia, da Suécia. A religiosa não foi laureada, mas a indicação deu reconhecimento internacional à sua obra social.

Responsáveis por 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano, as Obras Sociais Irmã Dulce nasceram em um galinheiro. Em 1949, na falta de um espaço para tratar 70 doentes, a religiosa os abrigou no aviário do Convento de Santo Antônio.’Telefone vermelho’

Dulce se tornou tão próxima de José Sarney que era a única pessoa fora do governo a ter o telefone do então presidente. Ela se referia ao número como o “telefone vermelho”, em referência à linha direta entre os governos dos EUA e da URSS durante a Guerra Fria.

Por causa de um enfisema pulmonar, Irmã Dulce viveu os últimos 30 anos da sua vida com 70% de sua capacidade respiratória comprometida. A religiosa, que media 1,48m, chegou a pesar 38 quilos. Ela morreu no dia 13 de março de 1992, pouco antes de completar 78 anos.

Aos 13 anos, a religiosa começou a acolher mendigos e doentes em casa. O local ficou conhecido como “A Portaria de São Francisco”. Ao entrar no convento, a santa, que se chamava Maria Rita, adotou o nome Dulce em homenagem à mãe, que perdeu aos 7 anos.

Em julho de 1979, Madre Teresa de Calcutá foi a Salvador fundar uma casa da Ordem Missionária da Caridade. Irmã Dulce foi ao encontro da religiosa. Com dificuldades para manter as Obras Sociais, devido à sua frágil saúde, Dulce chegou a oferecê-las para Madre Teresa.