Perder peso é o objetivo de muita gente e a indústria não para de oferecer alternativas para facilitar a árdua tarefa. Uma opção para quem quer emagrecer é a cápsula anticarboidrato, apelidada “cápsula do pãozinho”. Feita a partir de duas algas marinhas, Ascophylium nodosum e Fucus vesiculosus, além de faseolamina (substância retirada do feijão branco), o produto promete agir como um bloqueador de carboidratos e açúcares. Isso impediria o corpo de digerir amido em excesso, facilitando a perda de peso.

A ação do medicamento seria capaz de fazer os carboidratos não digeridos seguirem direto para o intestino, onde seriam eliminados sem se acumularem no organismo. Menos açúcar no sangue seria proveitoso não só para quem quer emagrecer, mas para diabéticos e pacientes com necessidade de manter a quantidade de açúcar sob controle. Mas será que o medicamento realmente funciona?

Medicamentos prometem aumentar a queima de gordura, reduzir apetite e diminuir retenção de líquido, mas riscos à saúde devem ser ponderados

Sem hábitos saudáveis no dia a dia, suplementos não fazem efeito a longo prazo. Devem ser usados somente com prescrição e acompanhamento de nutricionista ou médico

Segundo o nutricionista Fernando Castro, a cápsula do pãozinho pode sim ajudar no processo de emagrecimento, uma vez que, com menos absorção de carboidratos, a quantidade de calorias no corpo também diminui. O produto, entretanto, não deve ser encarado como uma solução milagrosa. “De nada adianta tomar o suplemento e manter um consumo calórico muito elevado ou ter uma dieta com altas taxas de lipídios, que não sofrem nenhuma influência com o suplemento”, detalha.

Mas será possível emagrecer somente tomando a pílula, ou seja, sem exercícios físicos e sem diminuir a quantidade de carboidratos da dieta? De acordo com o nutricionista, a possibilidade é remota, mas tudo vai depender da quantidade de carboidratos da dieta. “Correta significa não ter demais, mas também não ter menos que o necessário”, alerta. O ideal para perder peso, segundo o especialista, é seguir a velha receita: alimentação equilibrada e exercícios físicos regulares.

Apesar de ser um medicamento feito a partir de ingredientes naturais, a cápsula anticarboidrato pode ter efeitos colaterais. Segundo Fernando Castro, ao diminuir a absorção de parte dos carboidratos, a pílula pode induzir a baixa quantidade de glicose no sangue. “Isso pode parecer benéfico para quem deseja emagrecer, mas pode ser prejudicial para quem precisa de uma contagem correta de carboidratos na alimentação, como diabéticos e atletas”, exemplifica. O produto pode, ainda, soltar o intestino, provocando episódios de diarreia.

De modo geral, a cápsula não tem contraindicações. Para pessoas que necessitam de um cálculo mais preciso da quantidade de carboidratos na dieta (e em que a absorção também é importante), a dica é sempre procurar um especialista antes de investir no produto. “Isso ajudará o profissional a calcular de maneira correta o impacto de uma menor quantidade de absorção de carboidratos”, explica Fernando.

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