Celebrar a riqueza da música feminina produzida em Minas Gerais foi o convite feito à banda Dolores 602, pela Fundação Clóvis Salgado, por meio do projeto Palco de Encontro, que chega a sua quarta edição. A banda, com muitas convidadas, se apresenta nesta segunda-feira (24) à noite, no Grande Teatro do Palácio das Artes. “Uma noite feita pelas mulheres da música mineira, e tivemos a sorte de ter uma relação muito direta e horizontal com a Fundação para construir esse show”, garante Camila Menezes, baixista e vocalista da Dolores 602.

Segundo a artista, embora o momento seja de celebração do encontro entre mulheres tão diversas e repletas de talento e lugar de fala, é importante lembrar do passado das mulheres na música brasileira, quando os maridos assinavam as composições de suas companheiras, por conta de uma sociedade ainda não preparada para acolher suas compositoras. “É inegável que a gente herda as lutas das mulheres pela conquista de espaço. Se o momento atual é um pouco mais favorável, não podemos esquecer as mulheres que vieram antes. Esse palco é nossa celebração coletiva, vamos comemorar e seguir lutando”, assegura Camila.

O show, dirigido por Bia Nogueira, traz cantoras e musicistas de vários estilos musicais. No palco, o público poderá conferir as parcerias da Dolores 602 com Tamara Franklin, Marina Machado, Josi Lopes, Bia Ferreira, Aline Calixto e a própria Bia Nogueira. “Fomos buscar referências para nós e para a cena da cidade, que dialogassem com a gente, mas não necessariamente”, pontua Camila.

Na apresentação, além da versatilidade da Dolores 602, o público poderá conferir arranjos feitos especialmente para a apresentação e uma rima nova feita por Tamara Franklin. Outro ponto destacado da apresentação desta noite é a decisão de contar com mulheres em todas as funções ligadas ao show. Desde as elaborações e as criações artísticas, até as funções técnicas e de bastidores.

A baixista pondera que a Dolores 602 se encontra numa fase diferente, bem demarcada com o lançamento do álbum “Cartografia”, neste ano. “O disco novo nos permitiu abrir para um público diferente, maior. Estar no palco do Palácio das Artes é uma boa oportunidade para chegar a um novo público e mostrar nossa diversidade musical”, pontua.