A fama cobra caro: o marketplace que fatura milhões vendendo vídeos de celebridades

Na plataforma Cameo, que já recebeu US$ 50 milhões em aportes, os usuários pagam para receber mensagens de atores, músicos, atletas e influenciadores digitais. E o negócio pode vir para o Brasil

Receber uma mensagem de aniversário do ator Brian Austin Green ou um recado do apresentador do Shark Tank, Kevin O’Leary, não é mais privilégio para amigos ou poderosos. O americano Steven Galanis, 31 anos, percebeu a obsessão dos “simples mortais” pelas celebridades e subcelebridades e resolveu faturar alto com isso, usando a tecnologia.

Galanis criou o Cameo, um marketplace de talentos no qual qualquer pessoa pode contratar uma celebridade, atleta ou personalidade para gravar um vídeo personalizado, com um script de 250 caracteres. “Em tempos digitais, uma selfie é o novo autógrafo”, diz Galanis, fundador e CEO do Cameo, ao NeoFeed.

Nascido e criado em Chicago, Galanis, formado em marketing e management pela Duke University, começou sua carreira no mercado financeiro, mas depois entrou no setor de entretenimento, trabalhando com filmes e séries. Seu debut no mundo da tecnologia aconteceu no Linkedin, quando se uniu ao time de vendas da empresa.

Todas as experiências adquiridas nesses mercados tão distintos foram condensadas três anos atrás, quando o Cameo foi ao ar. “A primeira celebridade a confiar na nossa iniciativa foi o atleta de futebol americano Cassius Marsh. Vendemos o primeiro vídeo em março de 2017”, afirma.

A memória fresca ajuda a colocar tudo em perspectiva. Desde o lançamento, o marketplace já comercializou cerca de 400 mil vídeos e a celebridade que protagoniza o filme de poucos segundos ganha uma porcentagem em cima de cada “produção” vendida.

Quem acompanhou o crescimento dos contratados e contratantes foi a receita da empresa, cujo aumento fica na casa dos 600% e permitiu à startup captar US$ 50 milhões numa rodada série B, liderada pela Kleiner Perkins e com participação da Spark Capital e Bain Capital. No total, a empresa já levantou US$ 65,2 milhões, e não esconde o desejo de, num futuro talvez não muito distante, abrir o capital no mercado americano.

Para manter o sonho vivo, Galanis trabalha com um modelo de negócios simples e eficiente. “Retemos 25% do agendamento de cada vídeo, de cada celebridade em nossa plataforma”, afirma. Os cachês são definidos pelos próprios talentos, e variam de US$ 20 a US$ 2,5 mil.

O mais caro é cobrado pela estrela Caitlyn Jenner, que já foi conhecida como o ex-atleta olímpico Bruce Jenner, ex-marido da mãe de Kim Kardashian. Ele fez uma operação de mudança de sexo e se transformou em uma personalidade da TV americana.

Os usuários podem selecionar a celebridade a ser contratada pelo nome, faixa de preço ou área de atuação: atores, atletas, músicos, personagens de reality show e Youtubers.

Quem estranha a categoria à parte para a mídia social talvez nem imagine que, de todos os famosos ali, o mais popular seja justamente um instagrammer. No caso, é o comediante Evan Breen, que cobra US$ 25 por vídeo.

O influencer tem 1647 avaliações e 4,9 estrelas na plataforma – essa forma de validar o trabalho dos contratados garante a qualidade da entrega e a manutenção da plataforma, que está sendo cada vez mais dominada por personalidades das mídias sociais.

“Acho que essas redes democratizaram o sucesso. Se você parar para pensar, o Justin Bieber começou sua carreira no Youtube. Ele era, portanto, um youtuber em si”, conta Galanis.

Qualquer usuário do Instagram com mais de 200 mil seguidores pode fazer sua inscrição pelo app; mas também é possível entrar para o seleto clube por meio do convite de quem já faz parte do marketplace ou submetendo seu perfil para avaliação da própria equipe do Cameo.

Essa forma de estruturação tem feito sucesso, e não apenas nos Estados Unidos. “Cerca de 30% do nosso negócio vem de outros países”, revela Galanis, cuja estratégia prevê rápida expansão do negócio. E o Brasil faz parte dela. “Já estamos recrutando talentos no Brasil e estamos negociando com o rei Pelé”, conta.

Para desbravar novos mercados com força total, o Cameo está apostando pesado na formação da própria equipe, cujos membros já se espalham por países como Inglaterra, Austrália e Argentina.

Uma das últimas contratações robustas da empresa foi o CMO Stefan Heinrich Henriquez, que entrou para o time em agosto deste ano. Antes, ele atuava como head global de marketing da empresa chinesa TikTok, outro fenômeno como uma rede social de vídeos.

Enquanto contratam novos talentos para fazer a plataforma, e outros para usá-la, o Cameo vai crescendo na base da emoção. “Essas celebridades são basicamente pagas para ficarem ainda mais famosas. Quando alguém que você já gosta faz algo legal para você, então a sua lealdade e carinho para com aquela pessoa se potencializa”, diz Galanis, que revela que seu público mais recorrente são mulheres de 24 a 34 anos.

Mas antes que pensemos que “apenas” elas se deixam seduzir pelas estrelas hollywoodianas (ou subcelebridades), vale lembrar que a maioria dos contratos funciona como um presente: as celebridades são pagas para mandarem vídeos endereçados a outras pessoas. O “autógrafo digital”, quem diria, já é um negócio. E bem-sucedido.

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Entre executivos de bancos, profissionais de tecnologia e reguladores do mercado, é unânime a visão de que o setor financeiro é o mais impactado pelas disrupções tecnológicas.

Se antigamente a briga era banco contra banco, hoje é banco contra fintech, banco contra varejista, banco contra empresa de tecnologia… É quase um banco contra todos…

No primeiro Investor Day, do Santander, que reuniu analistas e investidores de todo o Brasil, no Teatro Santander, em São Paulo, Sergio Rial, o presidente do banco, disse como está enxergando esse cenário.

Ele afirmou que 2020 será um ano de inflexão no mercado financeiro, com o aumento da concorrência. Mas, curiosamente, mesmo com o avanço de novos players, nos últimos quatro anos os resultados do banco melhoraram.

Desde 2015, a rentabilidade média sobre o patrimônio do banco (ROE) saltou de 12,8% para 21,3% no fim de junho deste ano. Em fato relevante, o banco divulgou que o ROE deverá permanecer no patamar de 21% até 2022.

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E Rial disse que, mesmo com o aumento da competição, o banco tem muito espaço para crescer, sobretudo, nas áreas de crédito e de adquirência. Hoje com uma carteira de crédito de R$ 317 bilhões, o banco espera crescer 10% ao ano até 2022. No caso da adquirência, projeta vender 1 milhão de maquininhas para pessoas físicas.

Empresas que falam que têm mesa ágil, a metodologia ágil, é porque elas não são ágeis. Se você é ágil, não precisa disso. A mesa ágil foi, num primeiro momento na história do Santander, a primeira reação orgânica a um organismo que se movia de forma lentamente. Em vez de o presidente falar com 20 talentos, agora falamos com 25 mil pessoas ao mesmo tempo.

Se as pessoas não são capazes de entender como elas impactam a conta de resultado do banco, não vale a pena você acreditar que está transformando qualquer organização. Isso independe de modelinho ou desenho organizacional, todo mundo toca a conta de resultado do banco de alguma forma – até não fazendo nada. O imobilismo e a inércia organizacional têm de ser combatidos. E isso é permanente, dado o tecido que compõe uma organização como a nossa.

O bancário tradicional deixou de valorizar isso, continuar aprendendo. ‘Aquilo que você sabia, cara, não vai funcionar mais. Saber TED e DOC não vai te levar a uma carreira promissora. A fábrica de TED e DOC vai desaparecer.’ Então o seu posicionamento tem de ser outro, ‘como a abertura do mercado de meio de pagamentos vai falar com a minha experiência? Eu sou do tempo que existia telex. Bacana! Irrelevante.’ Tem muito telex na vida de cada um de nós, dentro da indústria financeira. Tem uma dicotomia interessante.

Há novos talentos chegando, principalmente nas plataformas digitais, que entendem de tecnologia, mas não sabem nada de negócios, nunca aprenderam a ganhar dinheiro. Então, a combinação desse agente híbrido capaz de entender como se pode ganhar dinheiro de forma sustentável, com tecnologia, passa pela academia Santander. Quem treina são os melhores da empresa.

Muito antes da tecnologia, a gente realmente acredita que vem o humano. A tecnologia não vai substituir o humano. Vai substituir o humano desnecessário, e existem em grandes quantidades.

Então, o humano desnecessário, que tomou a decisão de não entender o ambiente onde se inseria, será redirecionado para outras atividades. A tecnologia não vai fazer isso. Isso seria, na minha opinião, uma grande falácia.

Isso não tem nada a ver com o politicamente correto. Isso tem a ver com organização, com inovação; organização com coragem de tomar decisões; organização que a ponta começa a decidir e não um grupo de iluminados no topo da pirâmide; organização que tem que ter um grupo de pessoas diferentes. Mas não abrimos mão da meritocracia.

Ser diverso não é necessariamente qualidade, aliás não é. Ser bom, trabalhar e ter performance, é o maior equalizador que você pode ter como funcionário. Agora, sem uma intenção clara de avançar, também não vai funcionar. Num País como o nosso, tínhamos uma participação de 19% de negros na organização, hoje temos 24% e vamos rumo a 30%. Isso é compromisso porque isso é a sociedade.

A organização não pode ser uma organização de pessoas que representam uma parcela da sociedade. Dado que somos uma plataforma universal, tem que representar a sociedade de forma mais inclusiva. E nunca abrindo mão de performance, é o que guia as decisões. Nos últimos três anos, distribuímos R$ 1 bilhão em participação em lucros e bônus. Isso é premissa, importantíssimo que cada um dos 48 mil funcionários perceba que a sua vida está sendo transformada.

O banco faz uma coisa que os bancos têm dificuldade em fazer, que é aceitar ser varejista. O nosso modelo não é diferente de outras empresas varejistas. Ele tem implicações regulatórias, mas enxergamos as agências como lojas. Vamos ter muita coragem de redesenhar tudo o que nós temos. Vemos o mundo de uma maneira muito simples.

O canal físico, que chamamos de lojas, vão continuar existindo, vamos continuar crescendo no interior e eles serão estruturalmente vocacionados. Lojas vocacionadas para o agro, lojas vocacionadas a investimentos, lojas vocacionadas a sua microrregião… A mesma loja clássica, de fábrica, vai desaparecer.

Vamos construir uma empresa em que nas lojas não exista papel, em que o trabalho é o de absolutamente fazer negócio, de ouvir, promover, conversar e estruturar. Não há essa ideia de canal físico e digital, essas coisas têm de estar muito mais interligadas do que no passado. Temos provas e evidências matemáticas de que um cliente que usa os dois canais é muito mais rentável do que aquele usa um ou outro canal.

O futuro é crescer cada vez mais e dar um salto na experiência. Vamos fazer tudo o que pudermos para desconstruir todo o legado que não mais conversa com a sociedade moderna.

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Você se acostumou a ouvir plim-plim na sua tevê, mas esse som estará cada vez mais presente em um grupo de startups brasileiras que estão recebendo investimentos do grupo Globo, maior conglomerado de mídia e de comunicação da América Latina, com uma receita líquida de R$ 14,7 bilhões em 2018.

Sem alarde, a empresa da família Marinho está construindo um portfólio de startups de fazer inveja a alguns dos principais fundos de venture capital presentes no mercado brasileiro. Desde 2017, o grupo de comunicação já investiu em pelo menos oito startups.

Três delas são fintechs. São elas a Órama, uma plataforma de investimentos que concorre com a XP, a Bom Pra Crédito, um marketplace de crédito, além de ter anunciado uma joint venture com a Stone, para criar uma nova empresa com o objetivo de entrar diretamente na guerra das maquininhas com o PagSeguro, do UOL.

O Grupo Globo apostou ainda no site de comércio eletrônico Enjoei e no aplicativo de logística Rappi, que se tornou um unicórnio, como são chamadas as empresas que valem mais de US$ 1 bilhão. A tech.fit, empresa que desenvolve aplicativos relacionados a bem estar, saúde e dietas, também recebeu recursos. Soma-se a esses investimentos o portal de imóveis online ZAP, que fez uma fusão com a Viva Real, em novembro de 2017.

O mais recente aporte do grupo Globo foi na Buser, uma espécie de Uber dos ônibus, realizado em conjunto com o Softbank, na segunda-feira, 7 de outubro. Sem revelar valores, a startup disse que vai investir R$ 300 milhões para expandir suas operações nos próximos 12 meses.

Em quase todos esses investimentos, o grupo Globo está usando uma estratégia conhecida como media for equity. Funciona assim: a empresa da família Marinho investe recursos na startup que se compromete a usar o dinheiro em publicidade nas mídias do grupo, que incluem jornais, revistas, canais de tevê por assinatura, sites de internet e, principalmente, a TV Globo.

Esse modelo de investir em startups aconteceu na Órama, na Bom pra Crédito, na tech.fit, na Buser e na joint venture com a Stone, segundo apurou o NeoFeed. “A nossa questão é como aproveitar um negócio existente, quando a força está na venda da publicidade tradicional”, disse Jorge Nóbrega, presidente executivo do Grupo Globo, durante o evento Lide Next, em setembro deste ano.

Observe o exemplo da joint venture com a Stone, cuja empresa será lançada no quarto trimestre de 2019. O grupo Globo deterá uma fatia de 33% da nova companhia e entrará com um investimento de R$ 461 milhões. Esses recursos voltarão aos cofres das empresas da família Marinho via publicidade ao longo dos próximos cinco anos.

“Essa nova empresa vai atender aos profissionais autônomos e a forma de chegar até eles é usando a grande mídia”, afirma Caio Fiuza, diretor de operações da Stone e presidente da nova companhia em formação com a Globo. “Temos conhecimento da operação e a Globo, da mídia.”

De certa forma, a união Stone/Globo emula a dobradinha PagSeguro/UOL. A mídia massiva da empresa da família Frias, dona dos dois negócios, foi determinante para alavancar o PagSeguro, que abriu o capital na Bosa de Nova York e hoje vale US$ 14,5 bilhões. “Posso dizer que é parecido”, diz Fiuza. “Mas a forma de executar o investimento é diferente.”

O caso da Órama ilustra também a estratégia por trás dos aportes do grupo Globo. O Valor Investe, site de investimentos lançado neste ano pelo jornal Valor Econômico, que pertence à família Marinho, exibe apenas publicidade da plataforma de investimentos (o NeoFeed navegou durante muito tempo no Valor Investe e não viu nenhum banner que não fosse os da Órama).

“Essa estratégia depende de quanto eles têm de mídia disponível, quanto estão dando de desconto na veiculação para os clientes atuais e por quanto estão conseguindo vender essa mídia para poder entrar nas rodadas de investimentos”, diz um gestor de um fundo de venture capital. “Mas, pela minha opinião, vale muito a pena para a Globo.”

Mas não é qualquer startup que pode aceitar um acordo deste tipo. Em geral, as empresas que recebem investimento da Globo atendem consumidores finais e precisam de mídia de massa para atingir um grande público. É o caso da Bom pra Crédito, fundada por Ricardo Kalichsztein, que recebeu um aporte de R$ 35 milhões, no fim de setembro deste ano.

Atualmente, a fintech conta com mais de 6 milhões de usuários e já intermediou cerca de R$ 500 milhões em empréstimos para cerca de 34 parceiros que integram a plataforma. Com a Globo, poderá chegar um número muito maior. Só na TV aberta, a emissora atinge mais de 100 milhões de pessoas.

“O negócio principal da Globo está sob ataque e corre o risco de virar uma máquina de datilografia do futuro”, diz David Kallás, professor de estratégia e coordenado do Centro de Estudo em Negócios do Insper. “Enquanto ela gera caixa e tem capacidade de investimento faz sentido apostar em startups.”

O professor de estratégia de marketing da Fundação Álvares Penteado (Faap), José Sarkis Arakelian, concorda. “É, ao que tudo indica, uma estratégia de diversificação para além do negócio principal”, diz ele.

O NeoFeed apurou que a Allen & Co, uma influente boutique de investimento americana especializada em real estate, tecnologia, mídia e entretenimento, está assessorando a Globo na formatação desses acordos e na escolha das startups nas quais investir. Novos aportes, em breve, devem ser anunciados.

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A Allen & Co organiza também o Sun Valley Conference, evento anual que reúne, desde 1983, os principais executivos e empresários do mundo da mídia, finanças, entretenimento e tecnologia. Já participaram do festival que dura uma semana o megainvestidor Warren Buffett, os fundadores do Google Larry Page e Sergey Brin e o magnata da mídia Rupert Murdoch, entre muitas outras personalidades do mundo dos negócios.

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E as críticas não são feitas por um “socialista” ou esquerdista. Quem está batendo no capitalismo são alguns dos mais bem-sucedidos empresários e das mais bilionárias empresas do mundo.

O mais recente empresário a criticar o modelo econômico é o bilionário Marc Benioff, fundador da Salesforce e acionista da revista americana Time, dono de uma fortuna estimada em US$ 6,2 bilhões.

“Eu fortemente acredito que o capitalismo, como conhecemos, está morto”, disse ele. “Vamos ver surgir um novo tipo de capitalismo e o que vai emergir não é o capitalismo de Milton Friedman, que é só sobre ganhar dinheiro.”

O grupo Business RoundTable, que inclui JP Morgan, GM, Apple, IBM, American Airlines, Accenture, AT&T, Bank of America, Boeing e BlackRock, divulgou uma nova declaração de propósitos que colocou uma pá de cal em um dos grandes ensinamentos de Friedman.

Na década de 1970, Friedman escreveu: “Existe uma e apenas uma responsabilidade social dos negócios: se envolver em atividades destinadas a aumentar seus lucros.”

Agora, os objetivos são mais nobres, como criar valor para os clientes, investir nos funcionários, promover a diversidade e inclusão, lidar com os fornecedores de maneira ética, apoiar as comunidades em que trabalham e de proteger o meio ambiente.

O lucro, claro, faz parte do jogo. Mas o novo texto usa palavras mais amenas, como gerar valor de longo prazo para os acionistas. “Eles fornecem o capital que permite às empresas investir, crescer e inovar”, diz parte da declaração.

Nesta semana, Ricardo Voltolini, um dos primeiros consultores de sustentabilidade empresarial brasileiros, escreveu um artigo para o NeoFeed, em sua coluna Liderança Sustentável, em que defendia que a sustentabilidade iria fazer o capitalismo repensar os seus vícios.

“A sustentabilidade prega um novo jeito de pensar e fazer negócios, mais ético, íntegro, transparente, responsável, respeitoso ao ser humano e cuidadoso em relação ao planeta”, diz um trecho do texto.

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Em 2007, o site argentino Mercado Livre se preparava para abrir o seu capital na Nasdaq, a bolsa eletrônica dos Estados Unidos. O fundo americano General Atlantic seria o investidor âncora do IPO e mandou o jovem colombiano David Vélez para fazer o due dillegence da startup latino-americana.

Foi a primeira vez que os argentinos Nicolas Szekasy e Hernan Kazah, dois cofundadores do Mercado Livre ao lado de Marcos Galperin (que ainda prossegue na empresa como CEO), tiveram contato com Vélez, um jovem executivo do mercado financeiro. Desde então, a dupla nunca perdeu contato com Vélez.

Os dois deixaram o Mercado Livre e criaram o Kaszek Ventures, um fundo de venture capital para investir em startups latino-americanas em 2011. Três anos depois, Szekasy e Kazah foram os primeiros investidores do Nubank, a fintech fundada por Vélez que hoje vale US$ 10 bilhões, quando o projeto estava ainda no PowerPoint.

“Eles me conheciam há muito tempo e tínhamos um relacionamento muito rico”, disse Vélez ao NeoFeed. “Eles participaram de um dos maiores sucessos da América Latina como empreendedores. Esse é um diferencial deles.”

O Nubank é a startup mais reluzente do portfólio do Kaszek. Mas ela não é a única bilionária. Desde 2011, quando captou seu primeiro fundo de US$ 95 milhões, o Kaszek é a gestora de venture capital latino-americana que descobriu a maior quantidade de unicórnios na regão, como são chamadas as empresas de capital fechado que valem mais de US$ 1 bilhão.

A América Latina conta atualmente com sete unicórnios. O Kaszek até agora encontrou quatro. Além do Nubank, o fundo investiu também nos estágios iniciais da rede de academias Gympass, do serviço de aluguel de apartamentos e casas QuintoAndar e da empresa de logística de última milha Loggi. Só 99, Rappi e iFood, entre as startups bilionárias, não têm investimentos do fundo que nasceu na Argentina.

“Não gostamos do termo unicórnio. Esse é um objetivo que não é saudável”, diz Santiago Fossatti, um dos cinco sócios do Kaszek Ventures, em entrevista exclusiva ao NeoFeed – os outros são Szekasy e Kazah (já citados) e Nicolas Berman e Andy Young. “O nosso propósito é ajudar aos empreendedores a construir empresas muitos grandes”

Nessa corrida, o Kaszek já tem outros unicórnios em gestação. Segundo fontes ouvidas pelo NeoFeed, a fintech brasileira Creditas e a chilena NotCo, que produz alimentos à base de plantas, caminham para valerem mais de US$ 1 bilhão.

O portfólio atual do fundo conta 72 empresas investidas desde 2011, uma média de nove a cada ano. Desse total, mais de 50% são de startups no Brasil. “Eles têm um dos melhores portfólios de startups do Brasil”, diz um gestor de venture capital, que não quer se identificar.

A tarefa de criar empresas gigantes ganhou o impulso de dois novos fundos que somados captaram US$ 600 milhões, o maior já levantado por uma gestora de venture capital da região latino-americana. Desde sua origem, o Kaszek já captou US$ 1 bilhão em cinco fundos.

O primeiro fundo, de US$ 375 milhões, será usado para investir em startups em estágios iniciais nas séries A e B, bem como na fase de seed money (o dinheiro semente). Os cheques começam em US$ 500 mil e podem chegar a US$ 10 milhões. “É o que temos feito até hoje”, afirma Fossatti, o único dos sócios que reside no Brasil.

O outro fundo, chamado de Kaszek Ventures Opportunity 1, tem caráter diferente. São US$ 225 milhões para investir em empresas que já fazem parte do portfólio. “São empresas nas quais já colocamos vários cheques, mas ainda acreditamos no potencial e que há muita oportunidade em continuar aportando recursos”, diz Fossatti. Neste caso, os cheques podem chegar até US$ 50 milhões.

O NeoFeed apurou que o Softbank, que anunciou um fundo de US$ 5 bilhões para startups da América Latina neste ano, é um dos investidores do fundo para investir em startups em estágio inicial do Kaszek. Questionado sobre essa informação, Santiago disse que não poderia revelar os nomes dos investidores.

Coincidência ou não, o Softbank fez aportes em uma série de startups nas quais o Kaszek investiu. A Gympass, a Loggi e o QuintoAndar se transformaram em unicórnios graças aportes recentes do fundo do japonês Masayoshi Son.

Três outras startups também ganharam recursos do Softbank. A Creditas recebeu, em julho, US$ 231 milhões e o marketplace de produtos para casa MadeiraMadeira, US$ 110 milhões, em setembro. Em conjunto, os dois fundos colideraram aporte de R$ 70 milhões na operação de venda de carros usados Volanty, em agosto.

O que fazer para receber um investimento do Kaszek? Em primeiro lugar, é preciso resolver uma dor de algum setor com tecnologia. Depois, estar em um mercado grande capaz de impactar milhões de pessoas. Na sequência, a solução precisa ser escalável e original. Mas nada, nada mesmo, é mais importante do que o empreendedor.

“O valor é a pessoa que teve a ideia. Não somos uma firma de investimento ou que só administra recursos”, diz Fossatti. “O nosso objetivo é apoiar empreendedores com capital, mas principalmente com o nosso tempo.”

Vamos voltar ao começo dessa reportagem. Vélez não recebeu recursos do Kaszek apenas porque teve um insight genial que poderia chacoalhar o mercado financeiro brasileiro. Sim, ele teve uma ideia original. Sim, ele iria atuar em um mercado gigante. E sim, o smartphone iria se transformar em um banco digital. Mas o Kaszek investiu no Nubank porque acreditava que Vélez seria capaz de tirar aquela ideia do papel.

Apesar de o empreendedor ser o centro da estratégia de investimento do Kaszek, a empresa tem alguns mercados nos quais gosta de investir. Em primeiro lugar, o fundo aposta em plataformas, por conta da experiência dos fundadores, que criaram o Mercado Livre.

Outro setor é o de startups financeiras. O fundo investe no Konfio, no México, além das já citadas Nubank e Creditas. Saúde e de educação são também áreas de interesse do Kaszek. No primeiro caso, o Dr. Consulta e a Cuidas são algumas das startups do portfólio. No segundo, a Camino, fundada por profissionais da rede de ensino básico Somos (comprada pela Kroton), como o ex-CEO Fernando Shayer, acaba de receber aporte, em uma rodada de seed money.

Por fim, o Kaszek está investindo em um setor que Fossatti chama de direct consumer, no qual o intermediário é eliminado. A Liv Up, de comidas saudáveis, é citada como um exemplo. A empresa produz pratos prontos e os entrega diretamente na casa do consumidor.

O trabalho do Kaszek não termina com o aporte. Na verdade, ele começa depois que o cheque é assinado. Os fundadores do fundo participam ativamente dos conselhos e tentam ajudar em diversas áreas. Fossatti, por exemplo, está no board da Liv Up, entre outros nos quais tem assento.

“Eles são vistos como uma das primeiras opções aos empreendedores quando querem captar uma série A e até mesmo B”, diz um investidor, que já fez negócios em conjunto com o Kaszek. “Além disso, eles são reconhecidos como empreendedores, por conta do histórico do Mercado Livre.”

Observe o exemplo da Contabilizei, startup de contabilidade que recebeu o primeiro aporte do Kaszek em 2014. “Eles são os fundadores do Mercado Livre e montaram um negócio do zero e foram até o IPO”, diz Vitor Torres, CEO e fundador da Contabilizei. “Poucos fundos possuem essa experiência operacional.”

De acordo com Torres, o Kaszek é muito ativo e conta com uma equipe comandada pelo americano Andy Young, que os ajuda em diversas situações, desde a operação, passando por marketing e tecnologia.

Recentemente, a Contabilizei precisava contratar um vice-presidente de tecnologia e o Kaszek não só ajudou a selecionar, como entrevistou os candidatos. O escolhido foi Giulliano Carvalho, que era da Vivo. Um novo vice-presidente de growth, Guilherme Soares, com passagens em Cielo e Latam, foi treinado pelo time de Yong.

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