Pepita assume sua pansexualidade: “Gosto de pessoas”

Dona do hit Tô a Procura de um Homem, Pepita revela à Marie Claire que é pansexual, ou seja, gosta de se relacionar com pessoas, independentemente de seu sexo ou identidade de gênero. Solteira, ela dá as dicas para quem quiser conquistar o seu coração e quais são os dois adjetivos que a fazem encher os olhos.

“Eu ainda estou à procura de um par. Posso dizer as qualidades que uma pessoa precisa ter para estar ao meu lado, eu gosto de pessoas, meninos, meninas, homem trans, mulher trans, gay, bi, afeminados. Eu gosto de pessoas que respeitem ao próximo, sejam educadas e que espalhem o amor. Isso me encanta em primeiro lugar”, comenta.

A cantora prefere não ser chamada de mulher transexual, mas de travesti e diz que é um orgulho representa-las por poder expor esta bandeira e mostrar que elas podem ter uma trajetória de sucesso, com apoio familiar e se sentirem amadas.

“Sou uma travesti que fala sobre amor e autoestima em uma sociedade em que os transexuais ainda são marginalizados e nem sempre se sentem amados, mas também é uma responsabilidade muito grande. Muitas vezes garotas trans vêm me contar que estão em relacionamentos abusivos, mas que amam aquele homem que as maltratam, pois ele as aceitou. Como fazer essas garotas enxergarem que elas não precisam ser aceitas, precisam ser respeitadas e que elas por si só se bastam?! Mostrar para elas que infelizmente vivemos em uma sociedade que não sabe respeitar a diversidade, mas que nós temos que mudar isso, nos impor. Uma mulher trans pode ser o que ela quiser, precisamos ter travesti coach, travesti advogada, empresária, etc. A letra ‘T’ ainda assusta, mas as pessoas precisam saber que temos o maior coração e a maior garra do mundo”, discursa.

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Adepta do movimento feminista, a funkeira acredita que ele seja mais do que necessário. Ela fala que é preciso empoderar essas meninas para que elas cresçam sabendo de seus direitos e de seu poder, e que não mais viveremos em uma sociedade patriarcal.

“Os homens precisam do feminino também, para mostrar que eles não precisam ser mais aqueles machões da época das cavernas. O setembro amarelo mostrou que a maior taxa de suicídio é entre os homens. Precisamos mudar essa sociedade que diz que homem não chora e que a mulher precisa de um macho para ser feliz. Precisamos nos acolher mais, nos unir.”

Marie Claire: Este mesmo movimento deu forças para as mulheres denunciarem casos de abusos e assédios sexuais. Você já passou por isso em algum momento da vida?Pepita: Infelizmente vivemos em uma sociedade que ou você viveu uma situação de abuso ou conhece alguém próximo que sofreu assédio. Por isso, movimentos como esse são cada vez mais importantes para mulheres e comunidade LGBTQIA+ saberem que não estão sozinhas. Para terem forças e apoio para denunciar o abusador e procurar ajuda para superar. Sempre falo, é superimportante prestarmos atenção nas pessoas ao nosso redor, mandar uma mensagem só para saber se uma amiga ou amigo está bem, se precisa de algo, se quer desabafar. Mais do que nunca vivemos em um momento que não soltar a mão de ninguém é fundamental.

MC: O que você sente quando o público te chama de “rainha” e “diva”?P: Sei que é um carinho do público, mas não me atento a isso. Não sou diva, não sou rainha, sei que tem pessoas que gostam desse título e espero que elas façam por merecer, mas eu prefiro dizer que sou militante, luto pelos direitos e igualdade. Infelizmente é até vergonhoso ter que lutar por uma coisa que é sua por direito, mas estou aqui para sempre lembrar a sociedade quando ela esquecer: somos todos somos iguais e merecemos respeito.

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MC: Como foi a ideia de criar os episódios do Cartas para Pepita? Qual história que mais te assustou ou surpreendeu? Como foi aconselhar esta pessoa que mandou a mensagem?P: As pessoas sempre gostaram de compartilhar comigo suas histórias, frustrações, experiências. Acho que meu jeito espontâneo de lidar com as situações da vida e a forma leve com que mostro isso, atrai as pessoas. Minha agência, a Mynd, já tinha conhecimento sobre essa interação dos seguidores, que mandavam mensagens compartilhando histórias e pedindo meus conselhos, e ficaram sabendo que o Instagram ia investir em conteúdos para o  IGTV no Brasil, e criaram o programa que, além de entreter, teria o propósito de contribuir com os internautas. Gravamos o piloto e foi um sucesso, graças a Deus. No “Cartas pra Pepita”, por meio das cartas que recebo com diversas dúvidas, questionamentos e histórias, eu aconselho a galera e tento ajuda-los em seus anseios e medos. O público abraçou o programa, já recebemos mais de 2 mil cartas e estreamos uma nova temporada. É difícil separar somente uma história, pois a partir do momento em que alguém escolhe compartilhar uma história comigo, seja uma angustia ou alegria, isso já me marca, pois ela confiou em mim para dividir sua história. Isso é muito especial, além de uma responsabilidade muito grande, por isso faço o programa com muito carinho e dedicação e me entrego de corpo e alma para aquele momento.

MC: Como surgiu o livro que leva o mesmo nome? Já era um plano seu?P: Tanto sucesso e retorno positivo do público acabou virando livro. Muitas pessoas pediram e encontrei os parceiros certos para mais essa empreitada na minha vida: o livro “Cartas pra Pepita”. O convite veio da editora Editora Arole Cultural, que está lançando o selo Monocó, focado em publicações de títulos e autores da comunidade LGBTQIA+ e sobre a diversidade sexual. Eles acompanharam a repercussão do programa no Instagram e embarcaram nesse projeto comigo.  Eu fiquei extremamente feliz, e o livro veio para somar forças e dar mais voz para a comunidade trans.

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MC: Como foi participar de uma mesa na Bienal do Livro no Rio?P: Ainda não tenho palavras para descrever esse dia. Foi muito especial ver o espaço cheio e o carinho do público para nos escutar. Além disso, estávamos celebrando um momento importante para comunidade LGBTQIA+, este ano, pela primeira vez, a Bienal do Livro teve uma mesa para abordar a “Literatura Trans”, em um evento que celebrou a pluralidade. Estamos conquistando nosso espaço, estamos ganhando voz na internet, televisão e na literatura, no país em que mais se mata transexuais no mundo. Ainda temos um longo caminho, mas, a cada dia, conquistamos um novo espaço.