Categorias
Música

Charanga Talismã celebra cultura cigana em desfile por Vila Kosmos

RIO – Em seu quarto carnaval não oficial, o terceiro em Vila Kosmos, na Zona Norte do Rio, o bloco Charanga Talismã celebrou a cultura cigana e exaltou a luta contra preconceitos em emocionantes performances com interação do público. O cortejo, que mistura ritmos como maracatu, frevo, samba, pagode baiano e funk, tem como objetivo fazer a integração das zonas Norte e Sul por meio da cultura.

Os foliões chegaram na Praça 2, ponto de encontro do bloco, subindo as ladeiras do bairro. Os moradores observaram o movimento atentos de suas janelas. Após distribuição de glitter por parte de alguns frequentadores e o esquenta da banda, o cortejo começou quando o relógio marcava 9h. Tayson Pio, de 25 anos, contou que este é o segundo ano que frequenta o bloco:

– Ocupar as ruas e centralizar o carnaval na Zona Norte é muito importante. Dançar no Charanga Ã© trazer essa mistura de gerações e culturas – disse. Às 10h40 começou a chover, mas mesmo assim a animação dos foliões continuou. Aos gritos de “ê, molhou”, os frequentadores do cortejo continuaram dançando. Quem também participou do bloco foram moradores de Kosmos, que ofereciam banho de mangueira para espantar o calor. 

A sensibilidade do bloco não estava somente nos sons. Incensos e essências de Kumbaya fizeram parte do trajeto. A porta bandeira do Charanga Talismã, Fabi Vieira, comentou a tradição de utilizar o estímulo olfativo:  

Um dos momentos altos do bloco foi quando tocou a música “Banho de Folhas”, de Luedji Luna. Aos gritos de ‘Oxalá quem guia’, os foliões pulavam e se abraçavam, celebrando a religiosidade.  

Às 11h23, uma performance antirracista aconteceu. Pelo microfone, um jogral foi anunciado pedindo que pessoas brancas se sentassem, para que os negros fossem ouvidos. Logo após o manifesto, foi o momento de tocar “Histórias para Ninar Gente Grande”, samba enredo cantado pela Mangueira no carnaval de 2019. Os frequentadores do bloco se emocionaram, cantando cada sílaba da música. 

Em seguida, um ato contra a homofobia começou. Por meio da música “Não recomendado”, de Liniker, um grupo de cantores refletiu sobre o respeito a toda forma de amor.   Outra performance marcou a manhã do Charanga Talismã. Às 11h45, foi a vez de todos os homens do bloco se sentarem para ouvirem as mulheres do cortejo cigano. Um microfone ficou à disposição das moças, que desabafaram sobre suas experiências com o machismo e seus desejos para um mundo mais igualitário. Cantando a música “Lata d’Água”, de Elza Soares, as folionas se abraçaram compartilhando a irmandade feminina.

No final do bloco, os frequentadores voltaram lentamente para a Praça 2, em Kosmos. O sol, que voltou a brilhar, reluziu a purpurina nos rostos místicos, que já esperam o desfile do próximo carnaval. A moradora de Ipanema Lara de Oliveira, de 29 anos, conta que participa do bloco desde o primeiro desfile, em 2017: 

– Descobri o bloco de repente, mas foi a melhor coisa. As músicas e performances são impressionantes.  Desde o início, me encantei pela proposta do cortejo, o que me faz sair do meu bairro. O clima Ã© de família, tanto dos frequentadores quanto dos moradores de Kosmos. Já estou ansiosa para 2021.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não
representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de
uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é
impróprio ou ilegal

© 1996 – 2020. Todos direitos reservados a Editora Globo S/A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Comentários