A Favorita foi dirigido pelo grego Yórgos Lánthimos. Ele tem no currículo alguns longas que são estranhos ao mesmo tempo que divertidos, como O Lagosta, já disponível na Netflix. Quem conhece à fundo o trabalho dele diz que A Favorita é o filme mais ‘acessível’. Talvez por contar uma história verídica – com devidas liberdades poéticas – ou então por abordar temas universais tais como amor, sexo, poder, ambição.

Frank Underwood, protagonista de House Of Cards, se apropriou de uma frase de Oscar Wilde que, por sua vez, se adequa perfeitamente para descrever A Favorita. “Tudo é sobre sexo. Menos sexo. Sexo é sobre poder”. Em síntese: intrigas para alcançar o poder não faltam em A Favorita. Todas incluem sexo.

A trama se passa no século XVIII quando a rainha Ana (Olívial Colman) comandava a Grã-Bretanha. Ela reinou entre 1702 e 1713. Isso é relativo pois, já bastante debilitada por muitas doenças, quem mandava mesmo era a amiga, Lady Sarah (Rachel Weiz), Duquesa de Marlborough.

Como está registrado na história oficial do País, a Rainha Ana vivia uma depressão fortíssima. Ela engravidou 17 vezes e nenhum filho vingou. Foi depois que marido – nem mencionado no longa de Lánthimos – morreu que ela engatou uma amizade com direitos extras com Lady Sara.  Dessa forma, era uma relação bastante intensa e cheia de interesses. Tanto que despertou a atenção da jovem e ambiciosa Abigail (Emma Stone).

Vários aspectos técnicos chamam a atenção no longa. Antes de comentá-los, vale lembrar um dado histórico: a luz elétrica foi inventada no século XIX. É uma informação que interfere na estética da fotografia, de Robbie Ryan também indicado ao Oscar. As cenas são muito escuras.

Ryan usou muito pouco equipamento para alcançar o clima do filme. A iluminação valoriza os contrastes da luz do dia, assim como era na época. Em resumo: a máxima do filme era usar a iluminação disponível, seja a do dia, a de velas. O diretor manteve o equipamento de iluminação de reserva em stand-by, mas usou muito pouca luz adicional.

Além disso, o claro e o escuro tem relação com os humores das personagens. O uso de lentes grande-angulares também cria distorções. Aliás, distorção é o que não falta no comportamento de quem convive com aquela corte inglesa do século XVIII.

Apesar de ser um filme dirigido por um homem, elas dominam. São todas personagens muito fortes, cada uma à sua maneira. É uma escolha do diretor contar essa trama pelo ponto de vista das mulheres. Cabe a elas as decisões políticas, não as domésticas.

Yórgos Lánthimos faz um cinema provocador. Muitas vezes distópico, mas que sempre desperta algum tipo de reflexão. O que parece interessar ao diretor grego são as misérias humanas. Tanto quando fala mais diretamente sobre amor (A Lagosta) ou sobre política (A Favorita).

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