Um prédio histórico que abriga um dos poucos cinemas de rua que ainda resistem em Porto Alegre. A Cinemateca Capitólio completa 90 anos nesta sexta-feira (12), combinando sala de exibição, café e espaço de preservação da memória do cinema gaúcho. Para comemorar o aniversário, uma programação especial foi montada (confira abaixo).

O cinema, que já chegou a comportar mais de mil pessoas, hoje oferece 164 cadeiras, já que foi transformado em um centro cultural. Grande parte do prédio foi destinada à biblioteca e ao acervo documental, que guarda raridades ligadas a produções e cineastas locais e nacionais.

Inaugurado na década de 1920, quando ainda era chamado de Cine Theatro Capitólio, o luxuoso espaço de estilo eclético chegou a fechar as portas em 1994, mas, graças à união de cineastas que defenderam sua reabertura, começou a ser restaurado em 2004. Foi reaberto após 10 longos anos de espera e, desde então, segue atraindo porto-alegrenses e turistas de todas as idades em busca de estreias e clássicos.

Os frequentadores são amantes do cinema. Por vezes, jovens conhecendo filmes clássicos, por outras, idosos que estão revendo e já possuem outra relação com o imponente espaço na esquina da Borges de Medeiros com a Demétrio Ribeiro, no Centro da capital.

A cabine de projeção do Capitólio é equipada com um projetor 35mm e um Digital Cinema Package 2k. Há um ano e meio, o cinema exibe além de película, filmes no formato digital. Essa possibilidade aumentou o leque de opções para a programação. “Nos permite uma variedade muito maior”, garante o programador.

A sala mistura estreias a filmes clássicos e premiados, que acabam não tendo espaço na maior parte dos cinemas da capital. “Porto Alegre é uma cidade muito cinéfila, tem muito público querendo ver os filmes e havia filmes que não chegavam na cidade”, explica o programador.

Para construir a programação do Capitólio, Leonardo garante que há uma preocupação e um compromisso muito grande com a diversidade. Por isso, abre-se espaço para filmes experimentais e de outros países, como Burkina Faso, considerada a capital das produções audiovisuais africanas.

Leonardo aponta o racismo como um dos motivos pelos quais produções feitas e protagonizadas por pessoas negras acabam não entrando no circuito convencional. “Mostrar que esses rostos são lindos também e que essas pessoas são incríveis. O cinema é muito poderoso nesse sentido”, defende.

Para o mês de aniversário do Capitólio, uma programação especial foi preparada. A mostra Obras-Primas de 1928 vai exibir 10 filmes realizados no ano da abertura do Cine Theatro Capitólio. Entre eles, A Paixão de Joana d’Arc, de Carl Theodor, O Circo, de Charles Chaplin, e A Montanha do Tesouro, de Aleksandr Dovjenko. O valor do ingresso é R$ 10, com meia-entrada para estudantes e idosos.