Um dos principais nomes da literatura capixaba, Bernadette Lyra foi eleita Pesquisadora do Ano pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine). A professora e escritora será homenageada durante o XXII Encontro da Sociedade, que acontece entre os dias 23 e 26 de outubro, em Goiânia. Aproveitando a ocasião, Bernadette lançará na cidade seu novo livro, “Jogo dos Filmes”, no dia 24 de outubro.

“No livro eu mostro o conceito de que cada pessoa que assiste a um filme, assiste de uma forma. A experiência de vida influencia na maneira como a pessoa assiste ao filme, criando um filme particular só seu, da mesma forma que ocorre com um jogo de tabuleiro, por exemplo. Cada partida de um jogo é única, da mesma forma que cada visão de cada pessoa sobre um filme é única. É um modo diferente de ver o cinema”, comenta.

A escritora destaca ainda que há capítulos no livro dedicados a artistas como Andrei Tarkovsky e Pedro Almodóvar. “A obra é mais indicada a professores, pesquisadores e alunos de audiovisual, mas foi escrito de uma forma simples e clara, de modo que qualquer pessoa que queira ler vai se divertir com o conteúdo”, afirma.

Formada em Letras pela Ufes e especializada em Artes/Cinema pela ECA/USP, Bernadette conta que seu interesse pela literatura e pelo cinema são oriundos de sua infância vivida em Conceição da Barra, no Norte do Estado. “Meu avô era autodidata, tinha vários livros que ele gostava de ler e também possuía um pequeno cinema local, onde eram exibidos filmes mudos e antigos. Eu adorava ir na estante do meu avô pegar um livro para ler e também amava quando me levavam para o cinema. Eu era fascinada desde criança com essa ideia de criar histórias”, revela.

A decisão de se dedicar à escrita profissionalmente veio após o apoio de um professor, durante o ensino fundamental. “Eu havia escrito um texto e o meu professor adorou. Ele disse que eu era uma escritora nata e publicou meu texto numa revista da época. Ver meu texto publicado, meu nome na revista, tudo isso foi um incentivo muito grande, eu vi que tinha talento e poderia trabalhar com isso. Daí para o curso de Letras da Ufes foi um pulo”, relembra Bernadette, que além de se formar na Ufes, atuou como professora da universidade até 1991, quando se aposentou.

Uma das fundadoras da Socine, a escritora fala com muita felicidade sobre a entidade. “A Socine é uma pioneira, serviu para criar um contato e ajudar no desenvolvimento do audiovisual brasileiro. Ela existe desde 1996, e desde então os cursos de audiovisual pipocaram no país inteiro. O número de pessoas que tem se interessado pelo cinema em especial cresceu bastante”, diz. “O contato que eu tive na Socine com produtores regionais, que têm pouco recurso mas produzem conteúdo, foi algo que me incentivou a conceituar o cinema de bordas (cinema feito à margem do convencional), e me ajudou na pesquisa sobre o tema”, acrescenta.

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