Cinema | 43a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A largada foi dada!

Começou a mais tradicional Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No seu 43o ano, a Mostra se destaca do calendário cultural do país por sua importância e tamanho. Muitos temiam por um esvaziamento, devido aos cortes de verbas de estatais federais que tradicionalmente apoiavam o evento. Surpreendentemente, a seleção veio robusta, com mais de 300 filmes e com a programação brasileira fortalecida, em um momento em que a produção nacional está ameaçada pelas incertezas em relação à continuidade das políticas públicas no setor. A Mostra, criada nos anos 1970 por Leon Cakoff, falecido em 2011, conseguiu superar o impacto de sua ausência e carisma, a partir do trabalho dedicado de Renata de Almeida, que já construía o evento com Leon como co-diretora, e agora diretora.

Cinéfilos mais inveterados costumam tirar férias de seus trabalhos para acompanhar a Mostra. Grande parte dos filmes que são exibidos não entram no circuito comercial. A variedade constrói um grande panorama do que está sendo produzido pelo mundo, permitindo identificar tendências, descobrir pérolas e ver também alguns filmes de qualidade duvidosa, pois nem tudo o que é incensado em festivais vale à pena.

Separamos aqui pequenos comentários sobre 10 filmes já vistos e mais 10 apostas para o Festival. Nas próximas 3 colunas falaremos sobre os principais filmes, apontaremos quais entrarão em cartaz e quais poderão ser vistos online (para quem está fora de São Paulo). Falaremos também das sessões especiais, homenageados e sobre o lançamento de alguns livros importantes.

Uma pequena pérola que talvez passe desapercebida no meio de tantos filmes. Neste documentário, o diretor argentino Fernando Spiner viaja para uma cidade litorânea onde viveu seu pai, um farmacêutico que tinha vocação para a poesia. Spiner encontra ali Aníbal, amigo de infância e poeta que seguiu na pequena cidade, escrevendo e organizando oficinas de literatura onde o mar era tematizado. O amigo fora adotado afetivamente pelo pai do diretor por compartilhar com ele o culto à poesia. O filme é uma ode à amizade, ao mar e uma reflexão sobre o tempo. Obra de um intelectual maduro, com um grande domínio de seu ofício.

Grande vencedor do Festival de Cannes deste ano, ‘Parasita’ é o melhor filme deste grande diretor, que é o coreano Bong Joon-Ho, e seu trabalho mais crítico. No filme, Ki-woo é um jovem desempregado que é indicado por um amigo para dar aulas particulares para a filha de um milionário. Aos poucos ele consegue empregar na mansão em que dá aulas seu pai, sua mãe e sua irmã, sem, no entanto, dizer que são parte da sua família. Para isso ele precisa causar a demissão dos antigos funcionários. As poucos eles ocupam a mansão e passam a controlar clandestinamente o cotidiano daquele espaço. Parasita é uma comédia trágica que discute de forma sagaz a pobreza, a luta de classes e a sociedade concorrencial contemporânea. Sem dúvida um dos melhores filmes do ano.

A cinefilia brasileira deve à Mostra a descoberta do cinema iraniano. Todos os anos novos filmes do país podem ser assistidos na Mostra, alguns conseguindo adentrar depois o circuito comercial. A família Makhmalbaf faz parte destas revelações da Mostra. Mohsen já foi homenageado e celebrado com uma retrospectiva. Perseguido no Irã, o diretor, que foi preso político no regime do Xá da Pérsia, antes da Revolução Iraniana, hoje vive no exílio na Europa. Segue, porém, sua longa trajetória de filmes e escritos críticos a regimes autoritários.

‘Marghe e sua mãe’ é uma comédia social, ambientada na Itália e com personagens italianos. Conta a história de Claudia, uma mãe solteira de 22 anos e sem perspectiva de trabalho, e sua relação com a cativante Marghe, sua filha. Claudia deixa Marghe com uma beata mais velha e passa a cometer pequenos delitos, buscando assim conseguir o sustento familiar. Bem-humorado, sensível, leve e ao mesmo tempo ácido em sua crítica social, o filme nos mostra um Mohsen Makhmalbaf em forma. É divertido pensar em como o diretor transpõe seu olhar iraniano para a realidade italiana: sem falar diretamente sobre a pobreza, nos revela com uma abordagem delicada a falta de perspectiva de uma parcela empobrecida da sociedade européia. É bonito também ver o trabalho em família que se revela nos créditos: sua esposa, Marziyeh Meshkiny, é co-roteirista. Seu filho, Maysam Makhmalbaf, assina a fotografia, produção e a montagem. As outras duas filhas de Mohsen, Hana Makhmalbaf e Samira Makhmalbaf são diretoras reconhecidas, tendo participado de outras edições da Mostra.

O iraniano Ali Jaberansari é uma boa surpresa desta Mostra, continuando sua tradição de revelar novos talentos iranianos. ‘Teerã, Cidade do Amor’ nos mostra personagens desencantados, num Irã moderno e hedonista. Uma visão muito particular deste país que conhecemos pelas mãos de diretores talentosos como Abbas Kiarostami, Samira Makhmalbaf, Jafar Panahi, NargesAbyar e Asgar Farhadi. Os personagens centrais do filme são um personal trainer, ex-campeão de fisiculturismo, que sente uma atração proibida por um jovem que ele treina, uma atendente obesa de uma clínica de beleza e um cantor de velórios. Todos eles buscam em amores impossíveis saídas para o vazio de seu cotidiano. São personagens desagregados, sem vínculo cultural com seus espaços, sem ambições, retrato de uma Teerã moderna e nada acolhedora.

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Um filme muitas vezes pode ser um campo de batalhas. Profissão das mais belas, mas também das mais desgastantes, a direção de cinema leva a glórias e fracassos, numa rapidez estonteante. De origem húngara, mas estabelecido no Reino Unido, Peter Medak era um diretor em ascensão em 1973. Após o sucesso de sua comédia de humor negro ‘A classe dominante’ (1972), se firmava como um dos grandes nomes da nova geração. Encontrava-se então pronto para um novo salto, que se daria com a produção de ‘O fantasma do Sol do meio-dia’, uma comédia estrelada por Peter Sellers. ‘O fantasma de Peter Sellers’ conta o fracasso desta experiência, que quase arruinou o diretor. O filme jamais foi lançado. São os bastidores desta produção que nos são revelados neste documentário. Peter Sellers boicotou o filme, que por sua vez sofreu toda classe de azar possível. O filme é acima de tudo um acerto de contas de Medak com um passado traumático, retrato da louca roda da fortuna do mundo do cinema.

‘Nossas Derrotas’ é um documentário que divide opiniões. Em sua primeira sessão em São Paulo, metade da sala abandonou a projeção. Não é à toa: o filme escolhe um único dispositivo de filmagem e o leva às últimas consequências. Pèriot reencena com um grupo de alunos de um colégio secundário francês sequências de filmes políticos de 1968. Eles encenam trechos de filmes e depois são questionados sobre os conceitos que foram trabalhados nos diálogos. O resultado é interessantíssimo e surpreendente e explicita como a despolitização e alienação correm juntas com a construção de horizontes rebaixados. Pèriot se destacou nas duas últimas décadas por seu trabalho como curta-metragista: seu curta de maior destaque pode ser visto na página do diretor no vimeo com legendas em inglês: ‘Eût-Elle Été Criminelle…’ (Mesmo se ela fosse uma criminosa), de 2006: https://vimeo.com/11712366. É um diretor para se prestar atenção.

Apesar de jovem, o argentino Iván Fund é um diretor experiente, com alguns longas no currículo. ‘Chuvas Suaves Virão’ é surpreendente por sua inteligência e leveza. Em uma pequena cidade da Argentina um grupo de crianças se junta ao notar que os adultos misteriosamente não acordam mais de seu sono. Restam despertos só os pequenos e os cães. Aos poucos percebemos um pouco da vida de suas famílias por vestígios, cartas e retratos, enquanto as crianças buscam sobreviver sem os pais que não acordam. Filme simples e elegante, remete, com menos pretensão, ao clássico ‘O anjo exterminador’ (1962) de Luis Buñuel.

Luiz Rosemberg faleceu em maio deste ano e esta homenagem chega em hora oportuna, pois sua obra ainda não foi discutida pela crítica com a atenção que merece. Serão exibidos três filmes de fases diferentes de sua trajetória: o clássico ‘O jardim das espumas’ (1970), um dos filmes mais radicais de seu tempo (que também será projetado este mês na Vienalle – Festival Internacional de Veneza); ‘Crônica de um industrial’ (1978), talvez o trabalho mais aclamado do diretor; e sua obra derradeira, o ainda inédito ‘Bobo da Corte’ (2019), um monólogo que é também um intenso testamento de um de nossos mais inventivos diretores. Escreverei com mais calma sobre Rosemberg nestes dias de Mostra. Seu legado é imenso, com mais de 60 filmes realizados. A radicalidade com que construiu seu cinema e a forma intempestiva com que defendia sua liberdade de criação rendeu-lhe incompreensão e desafetos. Seus últimos filmes não foram selecionados para nenhum dos festivais brasileiros mais importantes. Triste país que não valoriza seus mais graduados diretores. O esforço de reflexão da Mostra faz justiça a um dos mitos do cinema de invenção brasileiro.

‘Honeyland’ é um filme maduro feito de forma surpreendente por dois diretores iniciantes. Surpreende porque é belo, preciso, cuidadoso, e não sucumbe a nenhum maneirismo ou modismo do cinema contemporâneo. Apesar de se apresentar como um documentário, é um trabalho que caminha na fronteira com o cinema ficcional. Na obra acompanhamos o cotidiano de Hatidze, uma mulher de mais de 50 anos, que vive junto à mãe, uma senhora com cerca de 80 anos e com mobilidade limitada. Sua casa fica em um lugar isolado da Macedônia do Norte, onde Hatidze cria abelhas para seu sustento. Vivem numa relação de equilíbrio com a natureza, em condições muito duras de sobrevivência. Esse equilíbrio é colocado em risco com a chegada de uma nova família ao local. Hatidze encanta-se com as crianças, mas entra em choque com o pai, Hussein, que tem uma relação destrutiva com aquele espaço. O filme recebeu o prêmio de melhor documentário em Sundance.

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Hálito azul é um belo trabalho sobre uma comunidade de pescadores portugueses da Ilha de São Miguel, que vivem no cotidiano a crescente escassez de peixes. Trilhando também um espaço entre o documentário e a ficção (tendência que tem gerado resultados cinematográficos do maior interesse), ele oscila temporalmente entre o passado e o presente da ilha, a partir de passagens encenadas com os pescadores de um livro de Raul Brandão, escrito há 100 anos sobre aquela comunidade. O escritor afirmava que cultivar o mar é uma coisa, assunto de pescadores, explorar o mar é outra coisa, assunto de industriais. Essa industrialização da pesca gerou a situação presente. Rodrigo Areias constrói de um modo delicado essa circunstância, trabalhando entre o registro da poesia do cotidiano e da materialidade da escassez. O diretor está presente na mostra com outros trabalhos: ‘Surdina’, ficção que dirigiu, com roteiro de Valter Hugo Mãe; e outros dois filmes como produtor: ‘Ambulatório através da poesia de Augusto dos Anjos e António Nobre’, de Pedro Bastos, e ‘Declive’, de Eduardo Brito.

O controverso diretor palestino está de volta com seu novo filme ‘O Paraíso deve ser aqui’, que recebeu menção especial em Cannes. Se nos filmes anteriores de Suleiman o que era tematizado era a volta à Palestina, agora é a Palestina que o persegue na experiência de exílio, obrigando-o a sempre lembrar de sua condição. Como nos trabalhos anteriores, o filme é protagonizado pelo próprio cineasta. Suleiman criou um personagem de si próprio, uma espécie de Buster Keaton palestino, silencioso e com expressão perplexa diante da violência de Israel. De Suleiman, também serão exibidos os filmes ‘Crônica de um desaparecimento’ (1996) e ‘Intervenção divina’ (2002).

Assayas é um diretor importante no cinema francês contemporâneo, querido por alguns, odiado por outros. Seu cinema nem sempre mantêm a regularidade, mas busca correr riscos e discutir questões prementes na sociedade moderna francesa. Sua retrospectiva permitirá ao público revisitar a sua obra e construir uma visão mais abrangente sobre seu trabalho. Os filmes de Assayas que serão exibidos são ‘Desordem’ (1986), ‘A criança do inverno’ (1989), ‘Água fria’ (1994), ‘Irma Vep’ (1996), ‘Espionagem na rede’ (2002), ‘Clean’ (2004), ‘Noise’ (2005), ‘Stockhausen’ (2007), ‘Eldorado’ (2008), ‘Horas de verão’ (2008), ‘Carlos, o Chacal’ (2010), ‘Depois de maio’ (2012), ‘Acima das nuvens'(2014), ‘Personal shopper’ (2016), ‘Vidas duplas’ (2018) e seu último filme, que abriu a Mostra, ‘Wasp Network’ (2019), co-produzido com o Brasil, adaptação do livro ‘Os últimos soldados da Guerra Fria’, de Fernando Morais.

Há diretores que são obrigatórios para o cinéfilo empedernido. Werner Herzog é um deles. Dono de uma obra perturbadora, que deixou contribuições de peso tanto no campo da ficção como no documentário, o diretor chega à Mostra com uma proposta curiosa. Um documentário sobre a ‘Family Romance, Ltda’, uma empresa 2.200 funcionários que se propõe a alugar pessoas ‘substitutas’ para situações cotidianas: levar broncas no trabalho, substituir o marido desaparecido em uma conversa íntima ou fazer o papel de alguém em um evento familiar.

Muitos filmes brasileiros premiados em festivais internacionais e de diretores respeitados terão sua estreia na Mostra: entre os destaques estão o novo filme do cearense Karim Aïnouz, ‘A vida invisível’, premiado em Cannes na sessão Um Certo Olhar e indicado pelo Brasil ao Oscar de melhor filme estrangeiro; ‘Diz a ela que me viu chorar’ da paulistana Maíra Bühler, exibido no Cinéma du Réel na França; ‘Sete Dias em Maio’ do mineiro Affonso Uchoa, exibido no Festival Visions du Réel na Suíça e premiado no IndieLisboa em Portugal; ‘Três verões’ da carioca Sandra Kogut, exibido no Festival de Toronto; ‘Breve miragem de Sol’ de Erik Rocha, exibido no 63o BFI London Film Festival; ‘Babenco – alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou’ de Bárbara Paz, premiado como melhor documentário em Veneza; ‘Pacarrete’ de Allan Deberton, vencedor do Festival de Gramado; ‘Enquanto Estamos Aqui’  de Clarissa Campolina e Luiz Pretti; ‘Beco’ do pernambucano Camilo Cavalcante; ‘Chão’ de Camila Freitas, exibido no Festival de Berlim, entre outros.

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Outro diretor veterano obrigatório que passará pela Mostra é Abel Ferrara, com ‘O Projecionista’, obra sobre um dono de cinema de Nova York que migrou de Chipre nos anos 1970 e mantêm até hoje sua paixão e compromisso com o cinema independente. Ferrara dirigiu clássicos do cinema norte-americano como ‘O assassino da furadeira’ (1979), ‘O rei de Nova York’ (1990), ‘Blackout’ (1997), ‘Enigma do poder’ (1998) e ‘Vício frenético’ (1992). É um diretor de olhar arguto, que sempre tem algo a dizer.

É o mesmo caso de Arturo Ripstein, um dos grandes mestres do cinema mexicano, autor de pérolas como ‘ La tía Alejandra’ (1979), ‘Profundo carmesí’ (1996), ‘Ninguém escreve ao coronel’ (1999), ‘A perdição dos homens’ (2000) e ‘Carnaval de Sodoma’ (2006). Foi assistente de Buñuel, de quem herdou a proximidade com as imagens surrealistas, embora seja muitas vezes mais sombrio e cruel do que seu mestre. Neste novo filme, ele aborda a relação doentia entre um casal de idosos.

Os irmãos Dardenne apresentam seu novo trabalho, que levou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes deste ano. Trata-se de um filme discutindo o fundamentalismo e terrorismo na França contemporânea a partir de um jovem de 13 anos que resolve matar sua professora.

Não é propriamente uma surpresa um filme longuíssimo de Lav Diaz. E quase sempre vale a pena, pela experiência imersiva que nos proporciona. É como se o tempo estendido nos levasse a uma ampliação sensorial da relação com os espaços e personagens apresentados. Este novo trabalho, de 278 minutos de duração, parece ainda mais atraente: trata-se de uma obra de ficção científica que se passa em 2034, onde há três anos as pessoas não veem mais a luz do dia, e homens loucos controlam a vida no escuro.

‘Até logo meu filho’ é, também, um filme longo (185 minutos), que propõe narrar, a partir da história de duas famílias, três décadas de transformações na China. Wang Xiaoshuai é um diretor talentoso, com filmes importantes em sua trajetória como ‘Bicicletas de Pequim’ (2000), ‘Drifters – à deriva’ (2003), ‘Sonhos com Shangai’ (2005), e ‘Chongqing Blues’ (2010). ‘Até logo meu filho’ estreou no Festival de Berlim, onde foi bem recebido pelo público e discute com as relações familiares chinesas se modificaram com as grandes transformações econômicas dos últimos anos.

Bruno Dumont é outro dos grandes diretores do cinema francês contemporâneo a participar da Mostra. Sua fama veio com filmes como ‘A Vida de Jesus’ (1993), ‘A humanidade’ (1999), ‘O pecado de Hadewijch’ (2009) e ‘O pequeno Quinquin’ (2014). Neste novo trabalho ele faz sua segunda incursão no universo da mítica Joana D’Arc. Já havia realizado há dois anos o instigante musical ‘Jeannette: A Infância de Joana D`Arc’ (2017). Nesta nova incursão, Dumont tenta construir uma imagem particular desta personagem que já foi retratada no cinema por mestres, como o dinamarquês Carl Theodor Dreyer, o americano Victor Fleming, o italiano Roberto Rosselini, o francês Robert Bresson e o austríaco radicado nos Estados Unidos Otto Preminger.

Há diversos filmes premiados em festivais internacionais que serão apresentados na Mostra, tanto de diretores consagrados, quanto de desconhecidos. Nem sempre o reconhecimento é um sinal de qualidade, mas é quase sempre um indício de que há algo no filme para se observar: ‘Sinônimos’, do diretor israelense Nadav Lapid, foi premiado com o Urso de Ouro em Berlim; ‘O farol’ do norte-americano Robert Eggers (do ótimo terror ‘A bruxa’ – 2015), foi vencedor do prêmio FIPRESCI em Cannes; ‘Heróis nunca morrem’ da francesa Aude Léa Rapin, foi indicada à Câmera de Ouro em Cannes; ‘Lillian’ do autríaco André Horvath, também foi indicado à Câmera de Ouro; ‘Frankie’ do americano Ira Sachs, foi indicado à Palma de Ouro; ‘Os tubarões’, da uruguaia Lucía Garibaldi, foi premiado em Sundance.

Há muitos outros filmes do grande interesse a serem vistos. A Mostra é feita para enlouquecer por duas semanas os amantes do cinema, e pode ter efeitos colaterais: acabar com casamentos, criar brigas entre tribos de cinéfilos, rixas entre diretores e críticos, mas também promover novos amores, principalmente platônicos, por criadores radicais, que nunca deixam de ocupar as telas.