Patrick Brion é um dos mais notáveis historiadores e divulgadores públicos do cinema em França. É o autor de uma vastíssima bibliografia em que se destaca a fabulosa Encyclopédie du Western em dois volumes, bem como os livros dedicados aos grandes clássicos do cinema de Hollywood, tais como John Ford, Alfred Hitchcock, Billy Wilder, Joseph L. Mankiewicz e John Huston. É notável a atenção que dispensa a realizadores considerados menores ou que acabaram simplesmente esquecidos, tais como o realizador de westerns Hugo Fregonese, o cineasta da animação Tex Avery ou, a quem dedicou um livro inteiro, o mestre do cinema de aventuras Albert Lewin.

Para este nosso dossier, Hollywood Clássica: Outros Heróis, quisemos fazer chegar aos leitores portugueses um extracto relevante do seu mais recente livro, Cinéma de minuit: 40 ans – 2 000 films (Éditions Télémaque). Trata-se de uma antologia de pequenos textos associados às sessões televisivas da rubrica Cinéma de minuit do canal France 3. Brion – que tem “serviço público” como nomes do meio – programa e anima o Cinéma de minuit há 40 anos, oferecendo aos telespectadores preciosidades do cinema europeu e sobretudo americano. Em 1987, Brion programou um ciclo dedicado ao subestimado realizador americano Richard Thorpe. Com a devida anuência da parte de Brion, a quem endereçamos o nosso sentido agradecimento, publicamos aqui, em primeira mão, uma tradução desse pequeno excerto de Cinéma de minuit: 40 ans – 2 000 films, para que o leitor possa fazer, por sua conta e risco, o seu próprio “cinema da meia-noite” de um herói esquecido da Hollywood clássica.

A meio caminho entre o drama de espionagem – a acção passa-se em 1939 -, a comédia e a aventura, este sedutor cocktail de géneros faz pensar em The Lady Vanishes (Desaparecida!, 1938) e Foreign Correspondent (Correspondente de Guerra, 1940). A interpretação (Joan Crawford, Fred MacMurray, Basil Rathbone, Conrad Veidt) é perfeita e a mise en scène de Thorpe esconde múltiplas surpresas.

Filme romanesco fascinante, deslumbrante filme de capa e espada, esta versão cinematográfica do muito belo romance de Anthony Hope é um esplendor. À imagem da interpretação, o cinema hollywoodiano da idade de ouro brilha aqui nos seus mil fogos. O filme é paradoxalmente mais bem sucedido que a versão anterior de que é um remake fiel e que foi realizado por John Cromwell com Ronald Colman, Madeleine Carroll e Douglas Fairbanks Jr. O duelo final entre Stewart Granger e James Mason é um dos grandes modelos do género. Não perca.

O romanesco mistura-se com a música (Le Trouvère, La Tosca, Rigoletto, Cavalleria Rusticana) tudo ao longo desta cintilante reconstituição. A ver e a escutar por causa da voz admirável e esmagadora de Mario Lanza, que pensou ser a reencarnação de Caruso em pessoa.

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