Gênio da luz, premiado com o Oscar pelos cults O Último Imperador (1987), Reds (1981) e Apocalypse Now (1979), o diretor de fotografia Vittorio Storaro tem um filme inédito – e polêmico, graças a problemas familiares de seu diretor, Woody Allen – para entregar: A Rainy Day in New York. Aos 77 anos, ele também já está escalado já para dar uma força ao seu recorrente e parceiro, o espanhol Carlos Saura, no projeto Picasso y el Guernica. Mas antes, Storaro tem um encontro com os cinéfilos cariocas: entre os dias 10 de junho e 8 de julho, o Museu de Arte Moderna (MAM-RJ) receberá, em seu Espaço Monumental, a exposição fotográfica “Escrever com a Luz, assinada pelo renomado profissional. A abertura para convidados está marcada para o dia 09, das 15h às 18h.

Em uma parceria com a Associação Brasileira de Cinematógrafos, a Cinemateca do MAM sediará, no dia 11, às 17h, no auditório Cosme Alves Netto, uma palestra do artista italiano. Nesta quinta (7), às 20h30, o fotógrafo tem um compromisso no terraço do Consulado Geral da Itália no Rio de Janeiro: abrir a mostra Cinema Belvedere, que começa com uma projeção de O Céu Que Nos Protege, pelo qual o visual criado por ele junto com o diretor Bernardo Bertolucci ganhou o BAFTA, maior prêmio de cinema dos ingleses.

“Quando jovem, eu passei anos estudando e acumulando conhecimento tecnológico, mas pouco senso estético, até que resolvi levar reflexões sobre os grandes pensadores da arte, como Platão e Wittgenstein para campo. E, nele, em ação, você vai descobrindo o que pode se adequar melhor a cada história. Diretores como Woody Allen, por exemplo, entregam o roteiro nas minhas mãos e dizem: ‘Leia e você vai encontrar um caminho para a imagem’. Se você dominar os princípios básicos da luz, que funcionam, não importam se for fotografar na película ou no digital, o trabalho encontra um caminho”, disse Storaro em Cannes, ao abrir o festival francês, em 2016, com Café Society, com o qual ele iniciou uma parceria com o cineasta nova-iorquino. “Meu trabalho é traduzir em imagens a maneira como os cineastas compreendem o mundo”.

Com A Batalha Que Salvou um Império (1962), Storaro, filho de um projecionista, fez sua estreia em longas-metragens, mas como parte de uma equipe de câmeras. Foi há 50 anos, com Giovinezza Giovinezza, que ele assumiu o posto de direção de fotografia. Dali foi fotografar filmes de Dario Argento (O Pássaro das Plumas de Cristal), B. Bertolucci (O Conformista; Último Tango em Paris), Francis Ford Coppola (O Fundo do Coração), Warren Beatty (Dick Tracy). Clicou estrelas como Elizabeth Taylor (O Ocaso de uma Vida), Alida Valli (A Estratégia da Aranha), Michelle Pfeiffer (O Feitiço de Áquila) e astros como Franco Nero (Um Dia Negro), Gérard Depardieu (1900), Dustin Hoffman (Ishtar) e Justin Timberlake (Roda Gigante).

“Storaro consegue dar à cor o gesto da narrativa. Se ele tivesse nascido na Renascença, seria um pintor, porque ele consegue construir com matizes, com contrastes uma linguagem pictórica. Ele trabalha o colorido nos enquadramentos de maneira pictórica, com movimento”, diz Walter Carvalho, um dos maiores fotógrafos do cinema brasileiro, fã do artesão italiano. “Storaro não está a serviço da beleza, está a serviço da narrativa. O compromisso dele é a convergência do gesto narrativo com a construção imagética. O Belo na obra dele é consequência dessa convergência. Ele construiu em filmes díspares como ‘O fundo do coração’ e ‘Apocalypse Now’ uma luz à frente de seu tempo”.

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