Drama da vida real no cinema

Acostumada a integrar o elenco de novelas e peças teatrais e contracenar com grandes astros das artes cênicas nacionais, a atriz londrinense Juliana Mesquita viveu uma experiência inédita em sua trajetória de 23 anos de atuação. No filme “Onde quer que você esteja”, que estreou em todo o país há duas semanas e ainda está em cartaz em Londrina (Cine Royal Plaza 2), ela contracena pela primeira vez com a filha Luiza Mesquita Maia, de 10 anos. Dirigido pelos paulistanos Bel Bechara e Sandro Serpa, o longa-metragem retrata o drama vivido por familiares de pessoas desaparecidas.

“Foi uma emoção muito grande contracenar com a minha filha neste filme. Eu interpreto a mãe de uma menina que tem o pai desaparecido. Minha personagem já se cansou de procurar por ele, mas a filha ainda tem esperanças de encontrá-lo. Ela convence a mãe a procurar ajuda numa rádio da cidade especializada neste tipo de ocorrência”, relata Juliana.

A atriz comenta que o convite para que as duas participassem da produção partiu dos próprios diretores. “Conheci a Bel e o Sandro em 2001, no Festival de Cinema de Tiradentes. Ganhei vários prêmios naquela edição com o curta Dois em Um. Eles gostaram da minha atuação e me convidaram para participar de alguns projetos. Após dois curtas-metragens, fui convidada para fazer esse filme e como se trata de personagens muito densos, acharam que a Luiza poderia se sair bem por ser minha filha e já estar acostumada com esse tipo de ambiente”.

Juliana afirma que o filme “Onde quer que você esteja” tem sido muito bem recebido pelo público. “A repercussão está sendo maravilhosa. Tivemos um encontro emocionante com as Mães da Sé, que passaram na vida real o mesmo drama vivido pelos personagens e elas ficaram muito tocadas ao perceber que o filme trata do tema dos desaparecidos de forma muito poética, mostrando – sobretudo, a solidão dos personagens que tiveram pessoas desaparecidas em São Paulo. E ao procurar ajuda numa rádio da cidade as histórias acabam se cruzando e novos relacionamentos vão surgindo. Incluindo cenas muito engraçadas também”.

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A atriz comentou ainda que muitas histórias acabaram chegando até o elenco após o filme ter sido concluído. “Uma delas nos chocou profundamente. Ficamos sabendo que não existe uma lista unificada com o nome de todos os desaparecidos no país. No entanto, existe um cadastro unificado de carros roubados. É uma situação revoltante”.

Além do filme recém-lançado, Juliana integra o elenco de dois grupos teatrais em São Paulo. “Faço parte do grupo A Musa Heroica, formado por 12 mulheres e dedicado ao teatro de improviso. E também participo do Grupo de Risco, formado por cinco atores. Além disso, trabalho como assessora do atual secretário municipal de Cultura de São Paulo, Alê Youssef, que tem feito uma gestão linda da cidade”.

Mesmo morando fora de Londrina desde os oito anos de idade, a atriz conta que visita a cidade com frequência. “Nasci em Londrina quando meus pais estavam no primeiro ano do curso de Medicina da UEL. Não tenho parentes de sangue aí, mas meus pais fizeram muitos amigos da vida toda e que considero como avós, tios, primos. Então a gente acaba sempre voltando”.

O universo das artes cênicas surgiu na vida da londrinense durante a adolescência. “Comecei a me dedicar ao teatro após participar de um workshop que o diretor Antunes Filho ministrou em Santos, onde eu morava. Aos 16 anos me mudei para a São Paulo e nunca mais parei, fiz cinema, novelas e várias peças teatrais”, comenta Juliana. A atriz já participou dos folhetins “Mulheres Apaixonadas”, “Da Cor do Pecado” e da minissérie J.K., entre outros trabalhos que realizou na Rede Globo, além de ter atuado em produções da TV Record, Band e TV Cultura.