NITERÓI – Com tatuagens de Santo Antônio e São Miguel Arcanjo nos braços e chinelos nos pés, o ex-delegado da Divisão Anti-sequestro (DAS) da Polícia Civil José Luiz Magalhães anda pelas ruas de Itacoatiara, como os habitués surfistas veteranos do bairro, sem levantar qualquer suspeita. Mas está longe de ser um disfarce para despistar possíveis alvos a discrição do ex-policial, de 60 anos, que estuda física quântica, adotou o veganismo há seis meses e estreia no cinema em janeiro como roteirista do filme “A divisão” — com Marcos Palmeira e Natália Lage no elenco. Afastado das investigações desde 2010, ele está sempre à procura de um lugar sossegado para meditar, motivo que o levou a escolher aquele cantinho da Região Oceânica pra levar uma vida zen.

— Em 2004, vim morar em Camboinhas. Mas, com o tempo, o bairro foi ficando muito hi tech e perdendo as características de contato mais intenso com a natureza. Aí, em 2014, vim para Itacoatiara — conta Magalhães.

O ex-policial teve atuação direta nas investigações que desarticularam a quadrilha responsável pela onda de sequestros que tomou conta do Rio de Janeiro no fim dos anos 1990. A experiência na função e a formação como roteirista o credenciaram a colaborar no roteiro de “A divisão” e na preparação dos atores. A trama conta como foi a atuação da DAS no período de turbulência e estreou em julho em formato de série, com cinco episódios, no Globoplay. Agora, vai para as telas do cinema em formato de filme, com estreia prevista para o próximo dia 23.

Além de “A divisão”, Magalhães colaborou com o roteiro de “Arcanjo renegado”, série que aborda as ações do Bope, com estreia prevista para este ano, no Globoplay, e do filme “A suspeita”, que conta a história de uma policial civil vivida por Gloria Pires e que também deverá ser lançado em 2020. A guinada artística, segundo Magalhães, aconteceu em 2010, depois de participar do projeto da Polícia Civil “Papo de responsa”, que promove a interlocução dos agentes com adolescentes e jovens em escolas sobre drogas, violência e a polícia. Pelas mãos do Grupo Cultural AfroReggae, o projeto se tornou o programa de TV “Papo de polícia”, exibido em 2011 no Multishow.

— A partir dali, pude ver as coisas por outros ângulos e isso abriu minha cabeça para as muitas possibilidades do audiovisual. Foi então que mergulhei de vez no estudo de roteiro — lembra.

Casado há 25 anos, Magalhães tem um filho de 20 e é o único em casa que optou pelo vegetarianismo. Para ele, é uma escolha em busca de maior equilíbrio.

— Como fiz a mudança há uns seis meses, eles estão malucos comigo. Mas não sou radical, lá em casa tem bastante carne para eles, mas eu prefiro ficar longe — brinca.

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