Aos 34 anos, Hannes Halldórsson anda nas bocas no Mundo. E não será caso para menos, afinal conseguiu defender um penálti de Lionel Messi. Uma defesa preciosa que garantiu um precioso ponto no jogo de estreia, o jogo mais importante da vida da pequena Islândia em Campeonatos do Mundo. Mas só há poucos anos, o guarda-redes que divide o futebol com o cinema conseguiu tornar-se profissional, ao serviço de equipas norueguesas e dinamarquesas. “Diria que o meu emprego a tempo inteiro é como realizador, e é aí que ganho a maior parte do meu dinheiro, mas tento equilibrar as coisas. Ser realizador é exigente, e depois treino às 5 da tarde”, afirmava numa altura em que a Islândia tentava o apuramento para o Campeonto do Mundo de 2014 no Brasil.

Halldórsson rumou depois ao Sandes Ulf, da Noruega, teve uma breve passagem pelo NEC, da Holanda, e pelo Bodo Glimt, da Noruega, assinando, então, pelo Randers, da Dinamarca, onde se encontra há duas temporadas. O futebol passou, assim, a ocupar mais tempo na vida do guardião, que nunca colocou de parte a paixão pelo cinema.

O camisola 1 da Islândia começou a fazer vídeos ainda no secundário, mas especializou-se em cinema e já realizou alguns vídeos com expressão como, por exemplo, o vídeo para a Eurovisão que serviu de apresentação à Islândia na competição, em 2012. O começo da carreira de realizador foi sobretudo dedicado a clipes de bandas locais, mas mais tarde, foi o responsável pelo clipe de “Never Forget”, da dupla islandesa Greta Salome & Jonsi, que chegou a representar a Islândia no Festival da Eurovisão em 2012. Halldórsson comandou também a série documental “Our Professional Players”, que tinha por objetivo apresentar os jogadores de futebol da Islândia. E é ele o responsável pela realização do anúncio da Coca-Cola, patrocinadora da equipa, tendo em vista este Campeonato do Mundo.

A paixão por futebol e cinema é tamanha que o guarda-redes conseguiu convencer o grupo de trabalho islandês a fazer “sessões de cinema” nas concentrações. Com o objetivo de distrair os jogadores, mas também de acentuar o espírito de equipa, Halldórsson exibe filmes com dois ou três dias de antecedência dos jogos, procurando adequar os temas ao momento e às necessidades da equipa.

A motivação parece ter resultado, pelo menos, tendo em conta o histórico empate averbado frente à poderosa Argentina e a majestosa defesa na sequência do penálti marcado por Messi. “Para mim, como guarda-redes, jogar pela Islândia na estreia em Mundiais e enfrentar o melhor jogador do mundo num penálti, é um grande momento. É um sonho realizado ter defendido o penálti, especialmente porque nos ajudou a conquistar um grande ponto, que espero seja importante para nos qualificarmos”, afirmou, sublinhando que ganhou algum tempo ao ver a forma como o astro argentino cobra os castigos máximos. “Fiz algum trabalho de casa. Foi uma situação que sabia que podia acontecer. Vi muitos penáltis de Messi. Tentei entrar na cabeça dele e adivinhar o que estava a pensar sobre mim. Tinha a forte sensação de que ele ia marcar desta forma.”

Entusiasmado, Halldársson lembrou o sucedido na estreia no último Europeu em que a Islândia igualou a um golo frente a Portugal. “É um empate importante para nós. Vimos no último Europeu o quanto é importante começar a pontuar. Defrontámos uma das melhores equipas do mundo e o melhor jogador do mundo e estávamo-nos a estrear num Mundial, pelo que, como celebrámos há dois anos o empate contra Portugal e Cristiano Ronaldo, celebrámos agora o empate contra a Argentina e Lionel Messi.”

Palavras de um guarda-redes que em 2004 viveu momentos difíceis ao ponto de nem conseguir arranjar espaço num plantel de uma pequena equipa chamada Numi. “Apenas eu acreditava que conseguia vingar no futebol. Só eu acreditava que o podia fazer”. Halldórson acreditou, de facto, soube contornar as dificuldades e vive agora um momento único na carreira.

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