Em quase 20 anos de carreira, Paulo Verlings tem acumulado trabalhos no teatro, na TV e no cinema que lhe dão cada vez mais notoriedade no meio artístico. E, depois de tanto empenho, vive agora seu primeiro protagonista no audiovisual. O ator está em Brasília nas gravações do filme ‘Capitão Astúcia’, em que interpreta um jovem prodígio que, ao crescer, percebe-se perdido em uma realidade da qual não quer mais fazer parte.

O convite para protagonizar o longa veio devido ao trabalho na televisão. Foi depois de assistir às suas cenas como o atrapalhado bandido Romildo, de Rock Story, que esteve no ar até o meio do ano passado, que o diretor Filipe Gontijo o escolheu para o papel. “Foi bem curioso, porque a produtora de elenco, Daniela Vasconcelos, me apresentou para o Filipe e ele disse que teve que assinar o Globoplay para conhecer o meu trabalho”, lembra.

Quando recebeu o roteiro, Paulo logo se encantou pela história. “Li em duas horas e respondi logo depois, que é uma coisa que eu não faço muito. Geralmente amadureço a ideia para decidir o que vou fazer, mas o filme é muito bem escrito. Eles conseguem sair dos clichês dos conflitos familiares cotidianos e fazem com que eles criem uma vida, quase um ineditismo”, conta.

Na trama, livremente adaptada do romance ‘Dom Quixote’, Santiago foi uma criança prodígio do piano e, vinte anos depois, continua sofrendo com a rígida rotina de treinamento imposta por seu pai. Para escapar da pressão familiar, decide passar um tempo com o avô, um cartunista aposentado com quem antes não tinha contato. Ao chegar ao asilo, descobre ele está tentando se tornar super-herói e precisa aprender a sonhar junto. “Quando passa a viver com o avô, meu personagem começa a ganhar gosto pela fantasia, a ter prazer por estar vivo. No início, o Santiago é um depressivo, enquanto o avô é cheio de aventuras. Mas ele decide que vai fazer parte disso e sofre uma transformação muito grande ao longo do filme”, conta.

As sequências de seu personagem com o avô, interpretado pelo ator Fernando Teixeira, fizeram Paulo lembrar de sua avó materna, Gilda Verlings. “Ela morou comigo a minha vida inteira e sempre tivemos essa coisa de carinho e cuidado. Minha mãe faleceu quando eu tinha 15 anos e cuidei da minha avó depois disso. Ela morreu com 91 anos, era uma figuraça”, lembra.

Apesar da cansativa agenda de gravações, Paulo vive intensamente a experiência de protagonizar seu primeiro filme. “É uma responsabilidade, porque é o protagonista que dá o ritmo do trabalho e conduz o espectador”, acredita ele, que completa: “É um outro tipo de construção, bem mais milimétrica, e o volume de texto também é muito grande. Estou em 90% das cenas do filme, gravando feito louco desde que cheguei. Isso é muito novo para mim”. A satisfação com o trabalho, no entanto, compensa todo o sacrifício:

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