O cantor Claudio Lima
retorna aos palcos “causando”. Em uma nova fase, Claudio Lima que sempre fugiu
de rótulos para a música que faz, mostra-se ousado em trazer para o palco o
combate a homofobia por meio da arte. O assunto ainda é considerado tabu para
os mais conservadores nos dias de hoje. O show acontece nesta sexta-feira (17),
Dia Internacional do Combate a Homofobia, na Pequena Companhia de Teatro, Praia
Grande, e reúne 15 canções que buscam uma representatividade homoafetiva.

Acompanhado por Toti
Moreira e Luís Cruz (violão, guitarra, percussão e bateria), Claudio Lima reúne
um conjunto de canções da música popular brasileira que abordam o tema
homoafetivo. Composições de Johnny Alf, Renato Russo, Milton Nascimento, Chico
Buarque, Gilberto Gil, Cazuza, Ângela Rorô, Caio Prado, etc. “Algumas dessas
canções fizeram parte da minha vida e formação. Ninguém fala sobre esse
assunto, mas a música popular fala. É um show com a história da minha
qualhiragem, 46 anos de qualhiragem”, afirma o intérprete que tem três discos
lançados.

A lira no título do
espetáculo está representada pelo violão, instrumento dos trovadores modernos,
e pelo lirismo das letras. O título faz também uma brincadeira com o termo
pejorativo local “qualhira” atribuído a homens afeminados, delicados ou gays. A
direção do espetáculo é do teatrólogo Marcelo Flexa.

Claudio com a Lira é mais uma faceta de uma carreira marcada pela diversidade. Em seus três discos, o intérprete cantou clássicos da música americana, como My Funny Valentine, grandes compositores brasileiros, como TomZé e Tom Jobim e canções dos maranhenses Josias Sobrinho, Cesar Teixeira e Bruno Batista, entre outros. Vale aqui ressaltar que os discos de Cláudio Lima tem como características o flerte com a música eletrônica e com uma criteriosa seleção de repertório.

Outra marca do cantor é a versatilidade de ritmos e sons que também estão presentes em cada trabalho, como por exemplo, no seu primeiro lançado em 2001, onde cantou Chico Buarque, Antonio Vieira, Sandra de Sá, Dori Caymmi, Nelson Monta, Gilberto Gil, Carlos Lyra e muitos outros. A versão que Cláudio Lima deu a Olhos Coloridos, de Sandra de Sá, fundindo as batidas de tambor de crioula ao som eletrônico até hoje faz sucesso nas pistas de dança do país. Na época ele ousou com a inclusão da percussão de Henrique Duailibe, voz do Mestre Leonardo e mixagem do DJ paulista Eduardo Corelli no melhor estilo house.

Em Claudio com a Lira, o cantor mexeu o seu baú musical para presentar o público com músicas que fazem parte de sua carreira e como ele próprio diz, e de sua “qualhiragem”.