“Sempre fui vidrada por doces de todos os tipos, principalmente, brigadeiros. Aprendi a fazer em casa ainda bem novinha e vivia preparando pra mim mesma. Nunca pensei que, um dia, viveria de adoçar a vida das pessoas. Venho de uma família humilde e muito simples, portanto, precisei correr atrás da minha grana desde sempre. Fui crescendo e sempre lutando muito pela minha independência financeira. Já trabalhei de tudo que se possa imaginar: fui vendedora em loja de shopping, fiz bijuterias, bordei roupas. Até que, um dia, vesti uma fantasia de uma amiga que tem uma empresa de personagens vivos e ambas gostamos do resultado. Em 2012, como estava desempregada e com uma filha pequena, decidi encarar o desafio e comecei trabalhar animando festas infantis. E, de tanto frequentar esses eventos, vi ali um nicho de mercado. Se tem alguém que gosta de gastar são as mães nos aniversários dos filhos. 

Em 2014, ainda trabalhando como animadora de festas, avistei, durante um aniversário, uma mesa de guloseimas e nela tinha um prato grande com brigadeiro de colher. Foi quando rabisquei meu primeiro carrinho de brigadeiros, e levei o desenho para um marceneiro do meu bairro. Paralelo a isso, comecei a vender doces na rua onde moro e notei que todos ficavam fascinados pelos brigadeiros, receita caseira que incrementei à minha moda.

Era o que eu precisava para investir de verdade na história do carrinho, coisa que ainda não existia no Rio. Assim, dei início ao meu negócio. No início, ninguém levava fé em mim. Meus familiares diziam que poderia não dar certo, que estava investindo errado e que me arriscaria demais com esse novo negócio. Mas meu sexto sentido nunca falhou e não me deixava desistir. Sozinha, eu fazia e vendia os doces. Estava praticamente desempregada, ganhava muito pouco como animadora de festas. Não achava que ia crescer horrores, mas precisava aumentar minha renda.

Atualmente, pago todas as contas com o dinheiro das festas. Escola da filha, cursos, plano de saúde, supermercado, roupas e as outras despesas da casa. Quando as coisas foram melhorando, de novo a contragosto de todos, comprei uma kombi rosa supercharmosa, que passou a ser minha loja móvel. Comecei a sair pelas ruas do meu bairro, Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, vendendo não só meus brigadeiros que já faziam o maior sucesso, como também bolos de pote e outros docinhos.

E sabe o que me deixa mais feliz? É receber mais de 100 mensagens por dia nas redes sociais de outras mulheres que se inspiram na minha história e seguem meu exemplo para botar comida em casa e se encontrar num ofício. Por causa disso, criei um canal no YouTube. Ali, compartilho minhas receitas de sucesso e dou dicas de como empreender com o que se tem dentro de casa. Quando comecei, não tinha recursos para investir em quase nada, muito menos em mão de obra ou matéria-prima caras. Assim, o brigadeiro foi perfeito.

Com o passar dos anos, passei a ter várias clientes famosas, como as atrizes Juliana Paes, Flávia Alessandra, Fernanda Rodrigues, entre outras. Levo os meus carrinhos móveis de brigadeiros para as festas de aniversários de seus filhos e todos ficam encantados. Hoje, tenho dez modelos de carrinhos, que podem se tornar temáticos, seis funcionários fixos e faço 20 festas por mês. Este ano, pretendo abrir minha primeira loja física. Com a mesma garra do começo, quando ninguém acreditou em mim – fato que ainda me deu mais força para seguir adiante.”

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