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Coronavírus afeta Hollywood com 007 adiado e gravações canceladas

A estreia da novo filme de James Bond adiada, estúdios cancelando presença em festivais, produções de grandes filmes adiadas… o coronavírus representa um desafio sem precedentes para Hollywood. A indústria projeta grandes perdas financeiras, por exemplo, no mercado asiático, já estimadas em $2 milhões de doláres.

A decisão de atrasar o novo longa do 007 “Sem tempo para morrer”, de 31 de março para novembro, nos Estados Unidos e na Europa ressalta que o impacto do vírus não tem fronteiras. Grandes empresas como Netflix, Amazon e Apple já anunciaram a ausência no festival SXSW no Texas. O evento reúne cinema, música e tecnologia e está marcado para 13 de março. Mais de 50 mil pessoas assinaram uma petição online solicitando o seu cancelamento.

Embora os organizadores do SXSW insistam em seguir adiante, as notícias sobre cancelamentos de participantes importantes, como Warner Bros e CNN, levantam mais questões. Outros encontros cinematográficos como o CinemaCon, em Las Vegas, e o festival de cinema de Cannes estão sendo analisados.

A estreia de “Mulan”, prevista para dia 26 de março, foi mantida, mas há dúvidas de como será o lançamento. O esperado live action da Disney é ambientado na China, país epicento da doença. Lá, praticamente todas as 70 mil salas de cinemas foram fechadas. Nos Estados Unidos, novos surtos de coronavírus na Califórnia e em Nova York e as mortes registradas no estado de Washington poderiam também afetar a bilheteria.

— Nunca vi nada em que tantos filmes fossem afetados ao mesmo tempo — disse Jeff Bock, analista da Exhibitor Relations, empresa especializada em pesquisa e dados de entretenimento: — Há incidentes ou tragédias isoladas que acontecem e podem afetar determinado filme. Mas isso realmente afeta toda a indústria.

As produções de filmes também foram afetadas. Uma gravação de três semanas do novo “Missão Impossível” na Itália, um dos países mais afetados, foi suspensa no mês passado. Os estudos da Paramount tomaram essa decisão como uma precaução para a segurança e o bem-estar de nosso elenco e equipe, segundo eles. A Netflix está procurando alternativas para as gravações do novo filme de Dwayne Johnson, “Red Notice”, que estavam planejadas para serem feitas no país.

O produtor Stephen Nemeth afirma que, independentemente do local, a logística para filmar faz com que pareça uma proposta arriscada no momento, especialmente em produções que exigem centenas de atores e figurantes.

— Eu entenderia se um ator não quisesse continuar gravando. Cada filme se torna uma cidade pequena: todos comendo juntos, você tem muitas pessoas numa área confinada.

— Quanto mais o tempo passa, menos filmes teremos em 2021, 2022 — disse Bock, que completa: — O vírus tem o potencial de paralisar a indústria cinematográfica.

A indústria do cinema indiano anunciou nesta sexta-feira o adiamento de sua cerimônia anual de premiação, equivalente ao “Oscar” para Bollywood, devido à epidemia de coronavírus. Os organizadores da International Indian Film Academy (IIFA), prevista para 27 de março em Indore (centro da Índia), informaram num comunicado que a premiação foi adiada “em consequência das crescentes preocupações com a propagação da covid-19 e para preservar a saúde e segurança dos fãs da IIFA”.

Grandes estrelas de Bollywood eram aguardadas na premiação, incluindo Shah Rukh Khan, Salman Khan e Katrina Kaif. Com quase 1.800 filmes lançados em 2018, em vários idiomas, a Índia é o maior produtor cinematográfico do mundo.

De acordo com números oficiais, o país está relativamente a salvo da epidemia de coronavírus, que surgiu na China no fim de dezembro. Até o momento, o país tem apenas 31 casos de infecção, metade deles um grupo de turistas italianos.

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