RIO — Risos se misturaram a lágrimas, logo substituídas por palmas. Vinte e cinco crianças e adolescentes com câncer que são tratados em instituições como o INCA, o Hospital Federal dos Servidores do Estado, no Hemorio, e seus familiares assistiram na manhã desta terça-feira a uma sessão especial do filme “O que de verdade importa” no espaço Itaú de Cinema, em Botafogo. A renda líquida da produção americana, que estreia nesta quinta-feira no Brasil e conta a história de um engenheiro que pode ter o dom da cura, será revertida para sete instituições brasileiras que apoiam o tratamento contra o câncer infantojuvenil.

— É sempre emocionante tirar esses pacientes do dia a dia do tratamento. Esse respiro sempre pode minimizar o impacto do que eles estão sofrento – destavaca Roberta Costa Marques, diretora do instituto Desiderata, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que contribui para o fortalecimento da rede pública de atenção ao câncer infantojuvenil e será a beneficiária no Rio de Janeiro.

A operadora de caixa Maria Adeneci da Silva, mãe de Gustavo Lopes, de 10 anos, era das mais emocionadas ao fim da sessão. Há 7 meses, o menino foi diagnosticado com um tipo raro de leucemia e, desde então, a família se mudou de Macaé, onde morava, para o Instituto Ronald McDonald, no Maracanã, onde está abrigada durante o tratamento, no Hospital do Fundão. Ela conta que os médicos disseram que a quimioterapia estava correndo bem, mas que Gustavo, que é filho único, teve uma recaída e vai precisar de um transplante de medula óssea.

— Ele está na fila de espera. Sempre foi muito ativo, fazia natação, capoeira. É muito difícil mudar a rotina. Acordar, ver seu filho, sem saber se, de noite ele vai estar ali. Eu vivo com medo. O filme é uma lição de vida. O mais importante é a confiança em Deus e o amor da família, é preciso dar valor — ensinava Maria Adeneci, sem conseguir conter as lágrimas.

A estudante Tamires Ferreira, de 19 anos, contava que também gostou do longa, porque fala sobre a realidade da vida dela. Há 4 anos, Tamires, que mora em queimados com a mãe, a dona de casa Cristiane Ferreira e três irmãos, descobriu que tinha um tumor maligno no cérebro. Já fez duas cirurgias cerebrais e segue fazendo quimioterapia no Instituto Nacional de Câncer (Inca) e cursando o ensino médio pela internet:

Até a próxima quinta-feira, segundo o Inca, Tamires e os demais pacientes da Pediatria que fazem quimioterapia ficarão sem atendimento, devido a uma contaminação na água do Hospital do Câncer I, na Praçada Cruz Vermelha, ocorrida neste domingo: a caixa de gordura do prédio transbordou e contaminou a cisterna. O instituto afirma ainda que as consultas ambulatoriais pediátricas estão sendo remarcadas e que as medidas tomadas foram preventivas, até que o abastecimento de água seja regularizado.

Em nota, a direção do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) informa que o setor de oncologia pediátrica permanece em pleno funcionamento e mantém o total atendimento aos pacientes internados e encaminhados pelo sistema de regulação estadual (SER), dentro da capacidade instalada do serviço. A farmácia da unidade encontra-se abastecida e não recebe medicamentos através de ONGs.