100 anos de Clarice Lispector: curiosidades sobre A hora da estrela

Foto: Maureen Bisilliat

Clarice Lispector é a autora do Brasil mais traduzida no mundo. Ao todo, os livros já foram publicados em mais de 32 idiomas. E mais: publicados em 40 países. Ela nasceu em 10 de dezembro de 1920 na Ucrânia, mas imigrou para cá ainda criança. Viveu no Nordeste e Sudeste. Aos 16 anos, publicou o primeiro conto e a partir daí não parou mais. Entre as grandes obras da carreira estão Perto do coração selvagem (1944), vencedor do Prêmio Graça Aranha, Laços de Família (1960), Água viva (1973) e A hora da estrela (1977). Este último foi o derradeiro, publicado poucos meses antes da morte da escritora.

A hora da estrela foi o livro vencedor do Mata-mata Literário que fizemos no Instagram. A primeira edição foi cinematográfica e quem venceu foi o filme O alto da compadecida. Dessa vez, perguntamos aos nossos seguidores qual o livro mais aclamado de Clarice Lispector. A hora da estrela foi o campeão. Sendo assim, destacamos aqui algumas curiosidades e informações interessantes sobre o título. Se quiser participar das próximas competições artísticas é só nos seguir no @culturadoria.

Estilo

Em primeiro lugar, é importante falar sobre o estilo de Clarice Lispector. Tanto os romances quanto os contos carregam uma temática psicológica e existencial. Ou seja, a essência das narrativas busca a investigação do interior de cada personagem. Destaque para as figuras femininas. Para isso, não se preocupou em medir ou demarcar o tempo. Ou seja, o foco está nas memórias, pensamentos e sensações dos personagens.

Essas características estão presentes desde o primeiro livro, Perto do coração selvagem e se desenvolveram até A hora da estrela. O livro em questão narra a história de Macabéa, uma alagoana de 19 anos que vive no Rio de Janeiro. Órfã ainda criança, foi criada por uma tia linha dura que, além disso, ainda a castigava muitas vezes sem motivos.

Coincidência entre Macabéa e Clarice

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Pouco tempo depois de publicar A hora da estrela, Clarice Lispector foi internada e diagnosticada com um câncer de ovário. Infelizmente, a detecção foi tardia, sem possibilidade para cirurgia ou tratamento. A característica da autora de explorar questões existenciais e psicológicas muitas vezes esbarrou com a própria vida pessoal, mesmo que inconscientemente. No livro, uma passagem diz que Macabéa “tinha ovários murchos”, não podia ter filhos. Clarice teve dois em vida, mas a coincidência é que o mal que acometeu a escritora foi justamente nos ovários. 

Clarice Lispector. Foto: Badaró Braga / A Cigarra / Arquivo EM

Metalinguagem no narrador

Clarice dá a voz da narrativa de A hora da Estrela para Rodrigo S. M., o escritor que, ao mesmo tempo, observa e escreve a história. É personagem e narrador. Ao longo da história reflete sobre o ato de escrever. Sobre como é se preocupar em contar uma história que seja tão profunda como o ser humano e a sua natureza. Em suma, é uma espécie de representação da própria Clarice, que passou a responsabilidade de contar a história para outra pessoa. Além disso, transferiu os desejos de explorar assuntos complexos. 

Virou filme

A última obra de Clarice também foi para as telonas com o mesmo nome, em 1985. Além disso, faz parte da lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Não para por aí! Ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim na categoria Melhor Atriz para Marcélia Cartaxo, que interpretou Macabéa. Suzana Amaral foi indicada ao Urso de ouro e ganhou o Prêmio da Crítica. Ainda em 1986, a diretora recebeu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Havana, em Cuba. Teve ainda seis categorias no Festival de Brasília. 

O filme está disponível no YouTube.