Hoje o Entaovah vai rumo a Patagônia. O esquema é colher lúpulo no fim do mundo e participar da primeira colheita de lúpulo do ano da Cerveza Patagonia e com isso vamos ajudar a fazer a primeira produção do ano dessa cerveja deliciosa.

Não consigo enxergar maneira melhor de curar a ressaca do carnaval paulistano do que tomando cerveja no fim do mundo. Realmente estava muito animada e não via a hora da aventura começar.

Nos encontramos no Aeroporto de Guarulhos com destino a Buenos Aires, onde passaríamos a noite. Era hora de conhecer a turma que passaria os próximos dias com o Entaovah nesse sonho, que eu nem sabia que tinha. Tenho sorte com grupos e dessa vez não foi diferente, pessoas reais dispostas a se relacionar e trocar experiências.

A mosturação é o momento em que se mistura o malte, previamente moído com água quente e na nossa viagem foi o momento em que misturamos o mundo das viagens com o mundo da cerveja.

Chegando em BA, um transfer esperava a comitiva brasileira para colheita de lúpulo na Patagônia para nos levar direto pro hotel que ficava na Recoleta. Não tínhamos muito tempo, já que queríamos curtir um pouco da noite portenha.

Fomos para o Refugio Patagonia, um bar que a própria cervejaria tem em alguns lugares da América do Sul. O bar segue a ideia de vivenciar por completo a cerveja como se você estivesse na Patagônia. Rústico e tudo muito bem feito para harmonizar a experiência toda. Com o conceito Fuego e Cerveza tudo que sai do fogo (da cozinha) vai muito bem com cada uma das cervejas!

Cada um fez a sua escolha. Eu fui de Patagonia Weisse, uma cerveja de trigo, refrescante e frutada, de fácil apreciação e muito consumida. Amber Lagger na sequência, que é um clássico com um sabor mais adocicado e boa de espuma. Pedimos também empanadas e pizza para acompanhar o papo cheio de lúpulo.

Com muita sintonia a gente se divertiu a valer e a máxima uma é pouco, duas é bom, mas três talvez fosse demais serviu muito bem, afinal levantaríamos cedo para ir ao fim do mundo. 4:50 da manhã seria meu horário para seguir ao aeroporto, que tem uma vista linda para o nascer do sol.

A fervura é o momento em que se adiciona o lúpulo, que dará aroma, sabor e amargor à cerveja, para nós não foi diferente. Adicionamos à viagem, cerveja e sabor enquanto nos conhecíamos!

Chegamos no nosso destino, Neuquén, a cidade mais importante da Patagônia. De lá saía nosso ônibus para o paraíso cervejeiro e onde começamos a ver quem mais nos acompanharia nessa aventura. Argentinos, Uruguaios e Paraguaios também embarcavam com nossa turma, já ansiosa pelo que estava por vir.

Uma hora e meia de estrada e chegamos na Chacra Fernandez Oro, onde está a plantação do lúpulo da Cerveza Patagonia e onde se produz a cerveja. Nossa colheita aconteceria ali.

Tudo preparado de uma maneira muito linda e muito receptiva com uma mesa generosa de um café da manhã delicioso! Tivemos tempo para dar uma relaxada da viagem e para explorar esse cantinho que seria nossa base por aquele dia e pelo próximo.

Mesa de pebolim e de ping pong, cenário de altas disputas com um ambiente perfeito para a torcida. Redário virado para a plantação de lúpulo, para poder admirar o perfeito fim do mundo.

Fomos apresentados ao nosso glamping, um conceito novo de acampamento com conforto. Nossas cabanas eram no meio da plantação de lúpulo experimental, com um baita visual.

Recebemos presentinhos úteis e sustentáveis, que tinham tudo a ver com o ambiente que estávamos, já que eles se preocupam com o impacto da produção no meio ambiente.

Já adaptados ao nosso novo habitat, fomos fazer uma degustação de cerveja enquanto aprendíamos com a Sol Cravello, uma cicerone, como analisar as nuances do sabor, cor e intensidade da cerveja. A escolhida foi a Hop Selection, uma Pale Ale deliciosa.

Degustação OK, aulinha OK, é hora de beber pro desespero do seu ex (risos). Assim fizemos naquele calor dos impressionantes 36 graus da Patagônia. Com quase todos os rótulos da Cerveza Patagonia disponíveis, nos jogamos em todos os sabores aproveitando para experimentar os que não temos no Brasil, como a Hoppy Lagger e a Fernández IPA.

O almoço nos esperava em uma mesa compartilhada toda branca em um jardim todo verde para uma experiência autêntica de uma parrilla patagônica. O cerdo no fogo de chão para ninguém botar defeito em um visual perfeito regado a muita cerveja.

Seguimos por algumas horas deitados em sombra, tomando mais cerveja (com moderação) para nos recuperar do almoço e nos preparar para a esperada colheita de lúpulo no fim do mundo, em sintonia e impressionados com o que estávamos vivendo.

O próximo passo era a colheita, que começou por volta das cinco da tarde, com o sol já mais baixo e a temperatura mais amena, claro, que com todos os equipamentos de segurança.

O lúpulo é uma planta trepadeira que cresce muito rápido, em aproximadamente dois ou três meses. A plantação é estruturadas com cordas verticais, que são cortadas pelos heróis da cerveja que caem para dentro do caminhão, formando uma montanha de lúpulo que para mim era mesmo uma piscina de lúpulo. Não pensei duas vezes e me joguei nessa piscina que seria transformada em aproximadamente 50 mil litros de cerveja.

Dali fomos para a fábrica que transforma a planta no líquido mágico aprender mais ainda, dessa vez sobre como o processo é feito, tudo com muito cuidado. Soltar o lúpulo dos galhos, secar, retirar a lupulina e por aí vai. Não podemos esquecer quão bonita é essa planta, deixando todos os processos lindões!

A fermentação é o processo mais longo da produção cervejeira onde o açúcar se transforma em álcool. Com nosso grupo não foi diferente, já sentíamos os efeitos etílicos no nosso corpinho e estávamos gostando!

Rolou um pôr do sol surreal. Já havia ouvido muito a respeito do céu da Patagônia e como o fim do mundo pode ter cores absurdas e mesmo assim fui surpreendida com o que via. Para o espetáculo pedi uma KM 24.7, mais forte (achei que combinava com o momento) e parei tudo para gravar bem aquele cenário na minha mente.

Fomos descobrir onde seria nosso jantar. Um dos pontos altos foi achar mais uma vez a mesa grande e compartilhada no meio da plantação de lúpulo, extremamente bem feita que fez parecer um sonho. Uma costela em uma cama de batata baroa e vegetais com a estrela da viagem, cerveja a vontade. Sabores, sensações e pessoas que beiram o indescritível.

Saindo dali, uma fogueira com um show voz e violão nos esperava e a situação toda só melhorava. A noite foi uma delícia, com todos los hermanos se divertindo e cantando no karaokê que entrou no fim do show, a finaleira foi com música brasileira.

Voltar para a barraca, se aquecer e torcer para não querer fazer todo o xixi no meio da madrugada. Não deu outra, no meio da noite tive que sair e quando voltei, sem óculos, não tinha a menor ideia de qual era minha barraca. Quase entrei na do vizinho e rezei para acharem que era um pesadelo.

Cada um acordando no seu tempo e descobrindo um café da manhã na frente da barraca, que nos permitia um pãozinho com manteiga e geleia, frutas, café e o tradicional mate que surgiu como em um passe de mágica.

Roda de conversa em frente as barracas, mais café para recarregar as energias e ter tempo de se perder no meio da plantação. Meditar, praticar yoga e ter a certeza da felicidade que corria no corpo, podendo correr literalmente no meio do lúpulo.

Descansar com os novos amigos e assistir um documentário de aventura do 100limites filmes seguido por uma baita disputa de ping pong. Entender a força e o espaço que às mulheres tem como mestres cervejeiras com a Fe Meybom e com a Rafa De Conti. Entender mais do mundo da cerveja com o Richard Brighent, Daniel Wolff, Silvio Carnevale e Gustavo Renha. Os meninos Rafael Almeida, Felipe Ghiotto, Guilherme Almeida e Nilson da Cerveza Patagonia além dos apaixonados por cerveja Diogo e Nicolli.

O almoço veio forte, com empanadas, tostada de avocado, sanduíche de pernil e de salmão defumado entre outras delícias. A bebida principal e mais desejada seguia sendo a cerveja!

Chegando em Buenos, estávamos cansados apesar de felizes e para seguir o ritmo, com fome de novo. Fomos no El Mangrullo Cocina Y Fuegos e nos esbaldamos em vinhos, cortes diferentes de carne, morcilla, salada e batatas tudo com chimichurri.

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