Encontrar uma cobra dentro de casa pode ser um susto para muita gente. Mas acordar e dar de cara com um animal silvestre é mais natural do que se pensa para alguns. Há aqueles que apreciem o ar misterioso do réptil e paguem caro para tê-lo com a licença adequada, fornecida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos renováveis (Ibama).

Uma estimativa do IBGE diz que a cada 100 domicílios brasileiros, 44 possuem animais de estimação. E apesar da maioria dos pets serem cachorros ou gatos, 2,21 milhões de répteis e pequenos mamíferos são tratados como animais de estimação no Brasil.

Em Montes Claros também existem pessoas que curtem estes animais exóticos. O empresário Israel Júnior é um dos criadores de animais “diferentões”. Ele já teve uma casa que mobiliou exclusivamente para os amigos bichos morarem. Segundo o empresário, em uma época eles eram mais de 50: um casal de araras, cobras de diversas espécies, corujas, falcões e outras aves de rapinas.

Segundo Júnior, o casal de jiboias argentinas e a jiboia convencional são os mais fáceis de se lidar. “Cobra é o animal mais tranquilo de criar, mais do que peixe. A cobra se alimenta em intervalos longos, dependendo do tamanho a cada 30 ou 60 dias, aí você dá um animal para ela. Pode ser um pintinho, codorna, um frango inteiro, rato, coelho. É um tratamento muito tranquilo”, conta.

O empresário diz ainda que no início os amigos e familiares se surpreendiam quando sabiam da existência dos animais exóticos na casa dele, mas logo se acostumaram. “Pessoal acostumou. Já tem muito tempo, são mais de oito anos. E todos são mansos, é o principal diferencial. Uma cobra nem sempre é agressiva. Quando vê o animal dócil todo mundo quer tirar foto, brincar, só no início que a pessoa tem receio. Tudo depende do tratamento. Se pegar da natureza ele pode ser filhote que não deixa nem encostar”, relata.

Para a comercialização de um animal silvestre ou exótico, como as cobras, é preciso ter uma autorização. Antes, ela era emitida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos renováveis (Ibama), mas atualmente esse serviço está em processo de transferência para ser realizado exclusivamente pelo Instituto Estadual das Florestas (IEF).

“Os criatórios fazem a microchipagem dos animais de modo que seja comprovado que a comercialização é legalizada. Já para quem compra o animal basta estar munido da nota fiscal”, explica o analista do IBAMA, Daniel Felipe Dias, sobre a autorização necessária.

Não é possível precisar o valor exato de uma cobra de estimação, porque o preço pode variar conforme a espécie. Ainda assim, as mais baratas estão na casa dos R$2 mil. Israel Júnior conta que as dele custaram mais de R$3 mil, cada. Elas ficam em um terrário na casa dele, como se estivessem em um aquário gigante com tampa de vidro e com ventilação.

Legalmente, pegar cobras do habitat natural delas e criá-las em cativeiro sem autorização do Ibama é crime ambiental. A multa prevista varia de R$500 a R$5 mil, a depender da raridade da espécie, além de detenção de 6 meses a um ano. Ainda configura crime manter um criatório dos répteis sem a licença devida. Em casos assim, o empreendimento está sujeito a multa de R$500 a R$10 milhões e a pena de prisão pode ser de 1 a 6 meses.

Quem se interessar pela criação de cobras, deve adquirir os animais de criadores legalizados junto ao Ibama. Mais informações podem ser acessadas no site do instituto.

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