Se o comum é que cada espectador diante de uma peça procure significados para aquilo que está vendo, é recomendado a quem for ver Neblina abrir mão disso. Não pense demais e nem ache que existe um conceito para tudo o que está no palco – embora haja. A montagem com direção de Yara de Novaes, com Fafá Rennó e Leonardo Fernandes no elenco, e texto de Sérgio Roveri, propõe um grande exercício de desapego. Inclusive da racionalidade.

“Quando você lida com algo muito metafórico, a tendência das pessoas é querer decifrar”, diz Yara de Novaes. Sendo assim, Neblina faz um convite diferente.

A trama traz uma nebulosa história sobre o encontro de uma mulher e um homem. É noite e ela acaba de sair de um contratempo. Bate na porta dele para pedir ajuda. Bem, esta é uma sinopse bem básica para não atrapalhar a experiência. Além disso, é importante saber que o espetáculo propõe uma reflexão sobre o ciclo da vida.

“Não tem nada que é real. Tudo é evocação de algo”, comenta a diretora Yara de Novaes. “Nada é o que é. Tudo é uma ilusão”, ela continua. Neblina leva para a cena – de maneira extremamente metafórica – a dinâmica do viver e do morrer. Sendo assim, todos os símbolos usados na montagem, de alguma maneira, reforçam essa ideia. Principalmente a partir de uma perspectiva oriental.

“O teatro tem sido pra gente, há um tempo, lugar de ativismo”, observa a diretora. Mas a nova montagem também sai disso. Segundo Yara, as últimas montagens das quais participou, entre elas, Contrações e Love Love Love (excelente! e que infelizmente não veio para BH), fazem chamadas para reflexões mais objetivas. Neblina é sobre o inefável. “A gente tem algo muito importante aqui que é a morte como personagem. Como lidar com isso? “.

Com o cuidado para não legendar demais e tirar o papel que cada espectador tem a cumprir, comentarei aqui alguns dos elementos usados na montagem que chamaram a minha atenção durante o ensaio visto dois dias antes da estreia.

São observações muito pessoais. Elas revelam um pouco do processo de elaboração da peça e criação de significados espalhados pelo cenário, pela luz, pelo movimento dos atores, pela trilha sonora.

Neblina nasce de um longo processo de pesquisa que envolve o budismo e demais tradições orientais. Uma das obras estudadas pela equipe foi O livro Tibetano do viver e do morrer, de Sogyal Rinpoche. Yara observa que muitas questões políticas pelas quais estamos passando atualmente tem a ver com apego. Como a diretora conta, na obra de Rinpoche, ele diz que se as pessoas compreendessem que as coisas acabam não seriam tão predatórias e teriam uma consciência mais ecológica. Ou seja, vale ficar atento para identificar o que há de apego na fala dos personagens.

Segundo Fafá Rennó, o livro contribuiu para a compreensão da equipe do que é a vida e morte a partir do Budismo. “Tem também o entendimento do que é a impermanência”. Talvez por isso, os atores iniciam a peça em uma movimentação muito intensa. É o samsara, ou seja, fluxo natural e incessante de morte e renascimento.

É uma peça que exige entrega física dos atores, com preparação corporal de Eliatrice Gischewski. Uma curiosidade Leo Fernandes precisou dar sete pontos no pé depois de um acidente durante os ensaios. Intenso!

Curiosamente, para o budismo são cinco os elementos da natureza: terra, água, fogo, vento e o vazio (éter). Todos eles aparecem na encenação criada por Yara de Novaes. “É uma peça que lida com as coisas elementares. Elas estão aí”, diz.

Se a fumaça que invade todo o teatro é uma representação mais óbvia do vento, o que existe de diferente na relação entre os personagens, pode ser identificado com o vazio. “Não é saudade, é falta”, como ela diz em determinado momento. O fogo, por exemplo, aparece, curiosamente, na trilha sonora original, criada por Dr Morris. Ou seja, tudo é dramaturgia.

O cenário de Neblina é de André Cortez. Quem conhece o trabalho dele, sabe o quanto é fã de grandes estruturas, ferro, metalon. Pois agora,  abre mão de tudo isso e constrói um templo. A ação se dá em um tapete com bordas. Na cultura japonesa ele é chamado de dojo (ou dojô). Além de ser o espaço para o treinamento de artes maciais, do jogo, é um lugar respeitado como se fosse a casa dos participantes. Assim, quem for ver a peça vai entender o porquê foi usado no palco. Fique atento também aos sinais sonoros que separam as cenas.

No alto tem uma grande bola que significa um monte de coisas. A luz criada por Wagner Antônio e projetada na circunferência gera imagens belíssimas e abre a caixa de sentidos. A bola é pedra mas também diz sobre o tempo, sobre o pêndulo da vida, pode até ser um casulo para transformação. “O poder da abstração é bom porque sintetiza muitos significados. Fomos expandindo e espero que este movimento continue com o público”, comenta André Cortez.

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