Protagonizada por Anya Taylor-Joy, a produção bateu o recorde de audiência no serviço de streaming e segue atraindo mais pessoas para o xadrez.

Um mês depois de sua estreia, O Gambito da Rainha se consagrou como a minissérie mais vista da Netflix, alcançando 62 milhões de assinantes mundo afora. A produção estrelada por Anya Taylor-Joy conseguiu um feito ainda mais extraordinário: popularizar o xadrez entre pessoas de diferentes idades, gêneros e nacionalidades. A nova onda de interesse pelo jogo se deve, sobretudo, aos acertos da trama, que brindou o público com um visual sofisticado, um elenco competente e um roteiro bem-construído.

Além do inusitado título, O Gambito da Rainha esconde outros segredos por trás de seu sucesso. Diante disso, o AdoroCinema reuniu cinco curiosidades sobre o universo de Beth Harmon (Taylor-Joy), uma enxadrista brilhante que precisa superar seus próprios traumas e vícios para se tornar uma campeã mundial.

O Gambito da Rainha: Série da Netflix está atraindo mais mulheres para o xadrez

TAYLOR-JOY DEVOROU O LIVRO QUE DEU ORIGEM À MINISSÉRIE

O Gambito da Rainha é baseada em um livro homônimo, escrito pelo americano Walter Tevis e publicado em 1983. O autor, que aprendeu a jogar xadrez aos sete anos, trouxe diversos aspectos de sua vida para a obra, criando uma protagonista que refletia sua paixão pelo esporte. Tevis sofria de cardiopatia reumática e passou parte de sua infância em uma casa para doentes, sob o constante efeito de sedativos. Abandonado pelos pais, ele também lutou contra o alcoolismo, mas, ao contrário de sua personagem, nunca despontou como um prodígio no tabuleiro.

O romance de Tevis caiu nas mãos de Anya Taylor-Joy antes mesmo de sua escalação para o projeto. Em entrevista à rádio NPR, ela contou que devorou seu exemplar em pouco mais de uma hora e correu ao encontro de Scott Frank, responsável pela adaptação televisiva. Para a revista WSJ, a atriz comentou que a leitura foi dolorosa, pois ela reconheceu a experiência narrada. “Somos ensinados como seres humanos a não dizer realmente o que estamos sentindo e, quando você encontra alguém que se sente da mesma maneira que você, você [pensa] ‘eu não estou sozinho nisso'”, observou.

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DUAS LENDAS DO XADREZ AJUDARAM NAS CENAS DE JOGO

Para transformar o livro em uma minissérie original da Netflix, o diretor e roteirista Scott Frank contou com a ajuda de dois gênios do xadrez: o russo Garry Kasparov, considerado o maior jogador de todos os tempos e três vezes campeão mundial; e o americano Bruce Pandolfini, um dos instrutores mais renomados da história e consultor de Tevis. Em entrevista à revista Slate, Kasparov declarou que muitas das jogadas descritas pelo autor eram “meio amadoras”. Ele fez, portanto, questão de representá-las fielmente na telinha, escolhendo jogos-chave e fazendo com que ficassem o mais autêntico possível.

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O QUE AS ROUPAS DE BETH DIZEM SOBRE ELA?

No início da trama, Beth Harmon surge como uma menina órfã que não tira o uniforme da instituição Methuen. O vestido e o avental cinza marcam uma época sombria da sua trajetória, no qual ela se vê presa à rigidez do orfanato e à solidão em meio a tantas garotas como ela. À medida que cresce e passa a morar com sua mãe adotiva, Beth vive uma mudança radical de estilo e se revela uma entusiasta da moda. Com looks cada vez mais glamourosos, ela oscila entre diferentes personas, até encontrar sua verdadeira identidade.

A figurinista Gabriele Binder montou o guarda-roupa da protagonista baseado em sua personalidade e em seu processo de auto-descoberta. Ela deu preferência a roupas com estampas quadriculadas para evidenciar a obsessão de Beth pelo xadrez. Gabriele homenageou, ainda, grandes designers da atualidade – como o francês André Courrèges -, o que dialoga com o espírito fashionista de Beth.” Talvez por ela ser uma mulher no mundo dos homens, sem modelos femininos para se inspirar, ela acaba pegando os exemplos que estão ao seu redor. […] Ela tenta parecer legal, mas sempre parece perder o ponto”, explicou Gabriele à revista Elle Brasil.

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MULHERES FICAVAM DE FORA DO MUNDIAL DE XADREZ

O Gambito da Rainha se passa nos EUA dos anos 60 e acompanha Beth em alguns torneios internacionais – como na França e na Rússia. Acontece que, naquela época, as mulheres não podiam participar do Campeonato Mundial de Xadrez. O direito só foi conquistado na década de 80, quando a palavra “homem” (“men’s”) saiu do nome oficial do evento. A mudança veio a partir dos esforços de Susan Polgár, uma jovem húngara que defendeu a equidade de gênero e, inclusive, propôs o termo “aberto” (“open”) para designar a competição.

A GUERRA FRIA CHEGOU AO TABULEIRO

Na trama, Beth se mostra determinada a vencer todos os seus oponentes. Entre eles, está o russo Vasily Borgov (Marcin Dorociński), que, invicto, ameaça os sonhos da protagonista. A rivalidade se estende ao longo dos episódios, ajudando a ilustrar o momento histórico que o mundo atravessava. Em plena Guerra Fria, os EUA e a URSS disputavam hegemonia sobre os mais variados campos – como economia, poder bélico, corrida especial, esporte e cultura.

Os soviéticos eram obcecados por xadrez, e cada família tinha seu próprio tabuleiro. Originalmente destinado às elites do país, o jogo virou um importante artifício comunista para a luta de classes. Lenin chegou a chamá-lo de “arma política”, de modo que, no período pós-Segunda Guerra, as partidas serviam como campo de batalha. Beth e Borgov personificam, assim, a polarização entre dois blocos ideológicos, bem como a necessidade de ganhar a qualquer custo.

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