Instrumento comeou a ser usado h 200 anos (Foto: Igor Pimentel/Divulgao)

A concertina, instrumento que se parece com um pequeno acordeão, teve seus primeiros registros na Inglaterra e Alemanha, na metade do século 19. Hoje, segue como o instrumento de fole mais antigo em uso em diversos lugares do mundo, levando em consideração que os atuais modelos ainda se assemelham aos primeiros. Como a imigração dessas nações anglófonas ao Brasil foi mais escassa, o instrumento não tem tanto protagonismo como a sanfona, um ícone do Nordeste por conta do baião. Em Pernambuco, um grupo de músicos e pesquisadores está construindo um protótipo digital da concertina para tocar estilos musicais brasileiro, sobretudo o forró e o choro.

O projeto Foles digitais: Pesquisa e desenvolvimento do protótipo de uma concertina regional foi aprovado pelo edital Lab PE, da Lei Aldir Blanc em Pernambuco, e é executado por Johann Brehmer (idealizador, músico e técnico de áudio), Mateus Samico (historiador), João Tragtenberg  (pesquisador de instrumentos digitais) e Romildo Roma (luthier e multiartista popular). Hoje, a concertina no Brasil é mais ligada aos povos que descendem de pomeranos (povo alemão originário da Pomerânia, na região do Mar Báltico, entre as atuais Alemanha e Polônia), concentrados em regiões específicas do Espírito Santo e de Santa Catarina, onde existe um esforço para o instrumento não cair em desuso.

Com a pesquisa, os pernambucanos desejam criar uma expressividade própria da concertina para o repertório nacional, possibilitando uma adesão do instrumento entre locais e abrindo espaço para a troca com essas tradições pomeranas. “Já é possível encontrar vídeos de pessoas tocando um chorinho com a concertina, mas nós estamos estudando as variedades desse instrumento para chegar em um modelo ideal, são as possibilidades dentro da música brasileira e nordestina que guiam a nossa pesquisa. Nós queremos construir um instrumento por viés que favoreça essas linguagens”, diz Brehmer, de 40 anos, que idealizou o projeto.Foto: Divulgao

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Natural de Piracicaba (SP), mas radicado em Pernambuco, Johann é músico desde criança e teve o acordeon como primeiro instrumento, mas se aprofundou na bateria. “Quando já estava no Recife, comecei a estudar o fole de oito baixos, eu achava muito especial, diferente. Comecei a comprar foles usados, baratos, que precisavam de manutenção. Eu comprei vários tipos, de vendedores particulares, e descobri que existiam muitas possibilidades de afinação desse instrumento. Foi aí que encontrei a concertina. Já na hora, bateu a sensação de que esse é um instrumento maravilhoso. O som fica mais destacado, presente, mais forte e vibrante. Eu também trabalho com palhaçaria, então posso dizer que visualmente e cenicamente, ele também é impactante”, diz o músico e pesquisador.

Brehmer se conectou em fóruns com pessoas pelo mundo, descobrindo que existem admiradores na África do Sul, EUA e Japão, um dos maiores consumidores. A Europa também entra no mapa, mas o uso já não é tão intenso como no auge, entre o fim do século 19 e começo do 20. “Em Berlim, em 1910, existiam 130 clubes de concertina. Não existia TV, nem rádio, então a galera se encontrava para tocar o instrumento. Era uma febre na Europa, hoje nem se compara a isso. Mas continua presente”, diz Johann.

Todos os materiais dessa pesquisa, incluindo resgate histórico e curiosidades sobre a concertina, além das etapas da construção do protótipo do fole digital, estão sendo disponibilizados no blog (universoconcertina.wordpress.com) e nas redes sociais (@universo_concertina) do projeto.Seis lives serão realizadas para promover a troca de informações e o intercâmbio cultural entre músicos, pesquisadores, artesãos de instrumentos, historiadores e outros artistas. Nesta quarta-feira, o convidado é o luthier de bandoneons catarinense Daniel Quandt. Os nomes dos outros convidados e as datas das próximas conversas serão divulgados nas redes sociais.

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