Em conversa com a Folha de Pernambuco, Zé Renato, um dos integrantes do grupo, falou sobre o processo de criação, curiosidades e inspirações do álbum mais recente

Foi para o público do Teatro de Santa Isabel, em 2016, que a versão da clássica Amor de Índio (1979), composta por Beto Guedes e Ronaldo Bastos, começou a ser construída até chegar aos arranjos finais e assim ser incluída em “Viola de Bem Querer”, 13º álbum do Boca Livre, que traz a canção como single de apresentação do disco, produzido pelo quarteto David Tygel, Lourenço Baeta, Mauricio Maestro e Zé Renato. Este último, aliás, um capixaba que alterna vocais em meio ao trio carioca e perfaz um dos grupos mais sóbrios e irretocáveis da música brasileira, em se tratando de métricas, rimas e timbres.

“Quando cantamos nos palcos, abrimos um caminho que nos ajuda a formar ideias. Foi dessa forma que pensamos as faixas desse trabalho, escolhidas a partir de reações e, ao mesmo tempo, de nossas performances que eram ajustadas ou não, à medida de nossa satisfação com determinado arranjo”, contou Zé em bate-papo com a Folha de Pernambuco.

Assim como em toda a trajetória contada em pouco mais de quatro décadas de carreira, o grupo segue com o estilo refinado de fazer música, contar histórias e se utilizar dos acordes vocais-instrumentais em cada um das faixas de “Viola de Bem Querer”, a começar pela bucólica Santa Marina, canção de Lourenço Baeta e Cacaso que abre o disco. “Cada música teu seu significado e essa do Baeta, gravada em 1978, quando o Boca Livre estava nascendo, é especial. Assim como Um Paraíso Sem Lugar, que foi um presente do Geraldo Azevedo e do Fausto Nilo, que nos mostrou e gravamos”, ressaltou.  

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As virtudes vocais do grupo são confirmadas nas demais faixas, com destaque para Eternidade, canção do Maurício Maestro feita em parceria com o saudoso Naná Vasconcelos, e em Viola de Bem Querer, composição de Breno Ruiz e Paulo César Pinheiro, que dá nome ao álbum. Já a versão para Um Violeiro Toca, música de Renato Teixeira e de Almir Sater, demonstra a versatilidade do quarteto em retomar canções e rebuscá-las com assinatura própria que sempre os identificou.

“Desde o início, buscamos independência com uma proposta musical que demonstrava nossa atitude em fazer as coisas e do nosso jeito. Não é de hoje que nos conhecemos e fazemos música, e, para este repertório, trabalhamos pelo menos durante dois anos para chegar ao resultado final, somando ao disco projeto de cada um de nós, como em Noite, música feita com a Joyce, e em O Paciente, do David Tygel, que integrou a trilha do filme do Sérgio Rezende”, enfatizou Zé Renato, referindo-se ao longa homônimo que trouxe à tona os últimos dias de Tancredo Neves.

Disponibilizado em plataformas digitais e em mídia física (CD), “Viola de Bem Querer” dá sequência e fideliza o estilo do grupo que transita entre levezas e rigores sonorizados pela afinação do violão de Zé Renato, do baixo de Maurício Maestro, do violão e da flauta de Lourenço Baeta e da viola de 10 cordas de David Tygel, presente em todo o decorrer do disco, aliás, em toda a sonoridade do grupo ao longo dos 41 anos de carreira. Não à toa os versos “Quem tem a viola pra se acompanhar, não vive sozinho nem pode penar” foram profetizados na faixa inaugural do primeiro LP do grupo (Boca Livre, 1979).

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Em Garannhus, no Festival de Inverno, o grupo se apresenta no próximo dia 27, em um dos palcos alternativos da festa, na Catedral de Santo Antônio. No dia anterior, o Recife também os receberá na Passa Disco, em Casa Forte, para uma noite de autógrafos e de boa música. “Será um encontro bacana com o público. E, em breve, certamente estaremos de volta à cidade com show da turnê”, promete Zé Renato. 

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