O quadro “Coisas do Espírito Santo”, apresentado pela Rádio CBN Vitória, na manhã desta quinta-feira (10), falou um pouco sobre a cultura e a diversidade da natureza de Itaúnas, em Conceição da Barra, no Norte do ES. O apresentador do quadro, professor historiador Fernando Achiamé e a convidada, a bióloga e doutora em agro florestas Maria da Penha Padovan, contaram a história do vilarejo e também algumas curiosidades.

Entre as décadas de 60 e 70, a Vila de Itaúnas não era muito conhecida, mas alguns hippies, de movimentos da cultura alternativa, acabaram encontrando o lugar e se afeiçoaram. Isso fez com que o local começasse a ser mais frequentado e o isolamento da população nativa fosse acabando.

O nome Itaúnas significa pedra preta. O nome é dado por conta da coloração do Rio Itaúnas, que tem as águas escuras por causa da existência de bactérias semelhantes às do Rio Negro, no Amazonas. É o único rio do Espírito Santo que possui essa característica.

A ocupação humana em Itaúnas acontece desde o período Paleolítico, ou Idade da Pedra Lascada. Foram encontrados 23 sítios arqueológicos nas dunas de Itaúnas, o que é considerado um número considerável em uma área relativamente pequena.

O vilarejo de Itaúnas foi fundado às margens do Rio Itaúnas. Porém, devido ao vento Nordeste, que carrega a areia, durante a década de 1950 a vila foi soterrada. O Governo do Estado precisou comprar o lado sul do rio para que a população pudesse migrar, e a mudança aconteceu no início da década de 60.

“Vai crescendo também a Vila da Barra (Conceição da Barra) onde a agricultura há feito progressos favorecida pela fertilidade das terras, principalmente em Itaúnas, onde há uma povoação nascente, com 60 casas, na divisa desta província com a da Bahia”

Itaúnas possui mais de 260 espécies de aves registradas, o que conta como 40% dos registros do ES. Fala-se também em mais de 500 espécies de plantas de restinga, que seriam 70% dos registros do Espírito Santo, na área do Parque Estadual de Itaunas.

Em um primeiro momento, apenas as dunas de Itaúnas seriam consideradas patrimônio cultural, mas o Conselho de Cultura da época assumiu a situação e a Vila de Itaúnas também foi tombada, sendo uma região com perímetro de 3.600 hectares. O tombamento aconteceu em 1986.

Na Proclamação da República em 1889, Itaúnas havia se autodenominado município e, enquanto os demais municípios foram aderindo à mudança, o povo de Itaúnas comunicou independência. No entanto, o então governador Afonso Claudio informou que esta decisão deveria partir do governo, não do vilarejo, e não reconheceu a independência.